O sector da Agricultura e Florestas vai dar grande relevância ao segmento familiar, por este ocupar maior número de pessoas, estabilizar as famílias e garantir a segurança alimentar no país. A afirmação é do ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, quando falava, na passada quarta-feira, na cidade de Ondjiva, província do Cunene, na abertura do II Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Agricultura e Florestas, que decorre durante três dias, no Cunene, sob o lema “Desafios da produção agro-pecuária e florestal, como garantia da segurança alimentar”, tendo assegurado que o evento tem como objectivo reformular as estratégias para garantia da segurança alimentar em Angola, assente no crescimento da produção interna. António Francisco de Assis disse que em Angola, apesar de possuir enormes potencialidades para a prática da agricultura, ainda importa parte considerável dos produtos agrícolas, sobretudo os cereais que consome, situação que o Executivo quer inverter, progressivamente, com o aumento da produção interna e aposta forte na agricultura familiar.

Segurança alimentar
O ministro afirmou que a agricultura é a base e dentro desta grande ciência, a familiar constitui a nossa primeira e mais importante prioridade, para aumentar a produção interna e garantir a segurança alimentar. “Quando nós falamos de agricultura familiar, estamos a falar das famílias angolanas e não só, e que têm na actividade agro-pecuária o seu modo de vida económico e social. Cultivam um hectare de milho esperando a chuva ou tenham eles 200, 300, 1.000 ou mais hectares com pivôs sistemas gota a gota, micro
aspersão e outros”, referiu. Para o governante, o problema não é o tamanho da propriedade que explora, mas sim a utilização da ciência, o conhecimento para fazer bem, cumprir normas e procedimentos que permitem a integração na organização e
no aumento da produção interna. “Cada uma na sua dimensão, capacidade e ambição pessoal pode fazer isto, desde que se capacite, se estruture e se organize para tal”, disse António Francisco de Assis. Acrescentou que a agricultura é uma ciência que permite ao homem em primeira instância, cultivar a terra e criar animais para satisfazer necessidades da pessoa humana numa perspectiva económica, viável e sustentável. O titular do sector frisou que todos os actores são necessários e imprescindíveis. Para ele, o que se precisa no sector é a harmonia, cooperação, solidariedade e respeito entre todos, para se alcançarem os rendimentos necessários na produção nacional. “É por isso que defendemos a Agricultura familiar. Os grandes, pequenos e micro, todos juntos e cada um na sua dimensão, trabalhar para o engrandecimento”, salientou.

Relançar a agricultura
O ministro afirmou que a agricultura angolana precisa ser relançada e que para isso, é necessário maior organização e trabalho para alterar progressivamente a situação de importação de alimentos que o país consome. “Grande parte dos alimentos que consumimos em Angola são importados. O país gasta anualmente milhões de dólares na importação de alimentos que nós deveríamos produzir internamente”, disse, depois de afirmar que precisa-se mudar esta situação, por ser um modelo não sustentável para o país.
António Francisco de Assis disse que a produção e produtividade agrícola nacional é ainda muitíssimo baixa e não se está a tirar dos cultivos o que realmente pode dar, de forma económica e sustentável. Sublinhou que o país precisa encontrar mecanismos para alterar a situação, pesquisar, divulgar e expandir mais o conhecimento para que os actores trabalhem com eficiência e rendimento. Salientando ser o papel do Estado em parceria com as Associações, socio-profissionais, empresários privados. O ministro disse que os sistemas de produção agrária (agricultura, pecuária e silvicultura) familiares são de baixo rendimento, de oferta irregular e com fraca qualidade comercial, o que reduz a capacidade de concorrência
face aos produtos importados.

Desafios e oportunidades
O II Conselho Consultivo do ministério da Agricultura e Florestas, está a abordar assuntos como desafios e oportunidades do sector agrário na província do Cunene, Programa de Apoio ao Crédito (PAC) e Reestruturação do Fundo de Desenvolvimento Agrário (FADA), Recenseamento Agropecuário e Pescas , e desafios da fiscalização florestal e faunística e reintegração dos perímetros florestais na tutela do Ministério. A problemática da seca no Sudoeste angolano(estudo de caso), processo de desconcentração administrativa e os desafios do sector no âmbito das autarquias e a implementação do IVA no sector agrário, são também temas discutidos no Conselho. Angola, com uma população rural de 11 milhões, 87 mil e 737 pessoas, que representam cerca de 36 por cento da sua população global, enfrenta ainda desafios, como a insuficiência de infra-estruturas, serviços de pesquisa e a insuficiência de insumos agrícolas. A agricultura familiar representa, actualmente cerca de 85 por cento da produção agrícola angolana.