Mais de 230 mil mudas de várias espécies de eucalipto estão disponíveis para repovoação de 194 hectares devastados nos polígonos florestais de Sanguengue, no Cachiungo e Cuima, município da Caála, na província do Huambo.
A actividade teve início no princípio deste ano, com a preparação de terras. Neste momento procede-se a repovoação de distintas espécies de eucaliptos em todos os espaços devastados mediante cortes indiscriminados por pessoas singulares e determinadas empresas, muitas das quais de origem duvidosa.
O projecto é de responsabilidade dos Ministérios da Indústria, Agricultura e Florestas bem como dos Transportes e está a cargo da empresa “Estrela da Floresta S.A.” (de direito angolano), com sede na cidade do Huambo, aquém foi atribuído a gestão e a exploração de todas as áreas florestais das províncias do Huambo, Benguela e Huíla.
As três províncias têm uma reserva de aproximadamente 80 mil hectares de terra com plantio de eucaliptos, incluindo as áreas não plantadas, com área adicional reservada para o desenvolvimento de novas plantações.
O projecto de reflorestação é de longo prazo e foi estabelecido com objectivo de desenvolver novas plantações florestais e reabilitar as antigas indústrias de madeira e de celulose da região centro e sul do país.

Capacidade de produção
Numa primeira fase foi montado um viveiro com capacidade de produção para 500 mil mudas, suficiente para plantar anualmente cerca de 300 hectares, mas o propósito é que até 2020, venha a produzir mais de 10 milhões de mudas por ano, na sua plena capacidade.
O director-geral da empresa, Bernardo Freitas, disse que naquilo que são as suas acções a longo prazo, a Estrela da Floresta vai também desenvolver as indústrias de maior escala para abastecer os mercados nacional e internacional com produtos de madeira de qualidade.
Para o cumprimento de todos estes objectivos, Bernardo Freitas adianta que a empresa vai actuar nas áreas com maior índice de exploração de madeira e as novas plantações serão geridas de forma sustentável, cumprindo rigorosamente com os padrões ambientais e sociais e internacionalmente recomendados.
A revitalização das plantações de florestas vai permitir igualmente a produção de madeira e a formação de parques industriais florestais para apoiar pequenas e médias empresas.
Bernardo Freitas reconheceu que a província do Huambo tem registado nos últimos tempos aumento considerável de abate indiscriminado de árvores, situação que o governo do Huambo, através do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) pretende
inverter em breve.

Problemas ambientais
Os especialistas do sector afirmam que o abate anárquico das árvores está a criar problemas ambientais na província como a desflorestação, erosão, o surgimento de ravinas, a seca, diminuição da produtividade agrícola, alteração do ciclo hidrológico, diminuição da fertilidade dos solos e a contaminação das águas, com as consequentes alterações climáticas.
Nesta fase o repovoamento está a ser feito nas áreas que mais sofrem com o corte indiscriminado de árvores para o aproveitamento de carvão, nomeadamente os polígonos florestais de Sanguengue e do Cuima, no município da Caála.
O chefe de Departamento do IDF no Huambo, Antunes Justino, manifestou que a província tem sérias dificuldades para fiscalizar as florestas, por possuir apenas sete técnicos, número muito aquém do pretendido por possuir várias florestas em extinção.
Para conter o fenómeno, o responsável revelou que o IDF necessita de pelo menos 44 operadores fiscais para atingir as áreas de exploração a nível dos onze municípios da província do Huambo.

Empresários madeireiros
Aos empresários madeireiros da província foram também recomendados a esforçarem-se mais e a contribuir nas acções de repovoamento das áreas de exploração, com vista a garantir a sustentabilidade dos recursos florestais.
Disse que o sector florestal da região do planalto central necessita de uma classe empresarial forte, facto que exige organização, para contribuir na diversificação da economia e combater os exploradores ilegais destes recursos.
O processo de reflorestamento, segundo responsável também ajuda a preservar o eco-sistema e fazer com que este recurso esteja disponível para as futuras gerações.
O chefe de departamento do IDF deu a conhecer que muitos destes madeireiros furtivos abatem as árvores na calada da noite e a transportam para outras províncias do país onde o negócio é mais lucrativo, apontando o pinheiro como sendo a espécie que mais está a ser devastada.
Actualmente, a empresa está a desenvolver novos projectos no Alto Catumbela, na província de Benguela, Cuima e Sanguengue, no Huambo.
Com este programa a instituição pretende construir um centro da indústria florestal, com propósito de reiniciar um sector económico completamente novo e replantar todas as áreas colhidas.