Os programas estruturantes que continuam a despontar, principalmente no sector da agricultura, pecuária e industrial a vários níveis, vão precisar de um alinhamento adequado para que o agro-negócio seja um facto na província da Huíla.
O presidente da Associação Agro-pecuária, Industrial e Comercial (AAPCIL) da Huíla, Paulo Gaspar disse, ao JE que apesar da actual conjuntura macroeconómica, os empresários locais continuam a apostar nos projectos agro-industriais.
Ainda assim, o gestor pede mais apoio, que uma vez alocados à classe, poderão contribuir substancialmente para a redução das importações e valorizar o consumo da produção nacional.
Explicou que a nível da AAPCIL começou-se este ano, a realização de um ciclo de visitas aos vários projectos que estão a ser implementados pelos empresários nos 14 municípios da província.
A primeira visita aconteceu no município do Cuvango, onde decorre e com muito sucesso, o projecto agro-industrial denominado “Agrikuvango”, que tem pendor na produção de cereais.
“Começamos em Janeiro a visitar os projectos estruturantes em curso na província, e o objectivo é percebermos qual é a capacidade de produção e o que os empresários da Huíla estão a fazer”, disse.
Reconheceu que no ciclo de visitas que se vai estender até ao mês de Junho, a aposta recai para o município do Cuvango, que está a receber avultados investimentos de empresários locais.
Paulo Gaspar afirmou que, são iniciativas privadas que já estão a dar frutos e que poderão contribuir substancialmente para o programa de diversificação económica e combater à fome e à pobreza.
“Estamos agradavelmente surpresos com aquilo que encontramos, porque os empresários que actuam no Cuvango estão a investir mesmo com recursos próprios, mas estão com um nível de investimento muito alto”, reconheceu.

Agro-negócio na Huíla
O presidente da AAPCIL garantiu que com um pouco “mais de apoio” aos empresários que actuam nos diversos ramos, com particular realce para a agricultura, a província da Huíla vai voltar a ser uma referência na produção de cereais.
“A província da Huíla pode voltar a ser o celeiro de
Angola”, sublinhou.
Referiu que o projecto Agrikuvango é um exemplo “daquilo que a Huíla é, com um pouco mais de atenção”, pode ser uma potencia na produção agro-industrial.
Paulo Gaspar defende a conjugação de acções para que se crie políticas consentâneas para alavancar o agro-negócio, que já está a “surgir na província da Huíla e não só”.
Destacou que no trabalho que está a ser desenvolvido pela AAPIL, é notável o engajamento dos empresários que visam contribuir para o desenvolvimento da região Sul, em particular e do país em geral.
Para que o agro-negócio seja um facto, sugere a reabilitação das vias de acesso e a definição do mercado de escoamento da produção.
“Um dos problemas que os empresários reclamam são as vias de acesso, transporte, armazenamento, escoamento e o apoio ou incentivo ao comerciante”, aflorou.
Salientou que não basta o camponês produzir, mas “é preciso que se criem condições para que o produtor possa escoar a sua colheita para os grandes centros comerciais”.
Paulo Gaspar disse que para o OGE 2019, a província da Huíla está contemplada com um investimento que vai permitir recuperar as principais rotas do milho, que são os municípios de Caconda/Chicomba e Quipungo/Chicomba/Matala.
Para ele, se isso acontecer, haverá a possibilidade do escoamento a 100 por cento.