O equilíbrio entre a procura e a oferta habitacional passa por mais acutilância do sector privado na construção de casas sociais a preços baixos e atractivos em todo o país, caso contrário corre-se o risco de se notar uma migração constante para as cidades como Luanda, Benguela, Huambo e Lubango, que registam 45 por cento da população urbana.
A informação foi avançada recentemente pelo arquitecto António Gamero, que falava durante uma conferência promovida pela empresa Imogestin, em parceria com o jornal “Expansão”, que decorreu em Luanda, sob o lema “O futuro da habitação social em Angola”.
Na ocasião, António Gamero defendeu vários modelos como por exemplo a auto-construçao dirigida, valorização da reservas fundiárias, infra-estruturar os terrenos e a sua legalização para debelar o défice habitacional.
Avançou que o modelo de sustentabilidade habitacional, até 2030, dará garantias ao acesso a uma habitação segura, com saneamento básico, onde a água, luz e transporte facilitem a vida do morador.
Para ele, há ainda a necessidade de se conjugar esforços para se evitar o crescimento dos musseques, para isso é preciso a retenção da migração com a construção de casas para todos, respeitando a cultura de cada região, sob pena de se incumprir os compromissos das Nações Unidas, que estabelece que daqui a 12 anos, uma “habitação para todos”.
Segundo a fonte cerca de 820 milhões de pessoas no mundo já vivem nas cidades, com tendência dos números subirem.
Esta cífra ocupa 2 por cento da terra, sendo que 60 por cento das cidades consomem energia e produção de emissão de carbono .
O especialista aponta o reordenamento e repovoamento territorial como ferramentas importantes para a movimentação de pessoas das zonas periféricas para locais seguros.
Para ele, é preciso assegura e acautelar as reservas fundiárias para implementar outros projectos que possam contribuir para a economia.

Corte dos subsídios
O representante da Development Workshop (DW) em Angola, Carlos Figueiredo, defendeu o “corte” de subsídios por parte do Estado na compra ou construção de casas sociais.
Na opinião do gestor, este facto tem provocado que muitos construtores andem à roboque do Estado para efectivar os seus negócios com lucros altíssimos.
Para ele, a retirada de subsídios vai galvanizar o sector da construção e permitir que cada empresa cresça com base no seu capital financeiro e humano e haja mais competividade.
“ O subsídio não é mais necessário. O importante é o terreno infra-estruturado, o local onde possam comprar o seu talhão ou construir a sua casa. E se for casa, é bom que não seja casa impingida com estilo que alguém pensou, mas um estilo que a pessoa mesmo escolheu .
Desta maneira, haveria uma maior satisfação do cliente em relação ao produto adquirido numa reciprocidade de vantagem.

Mais acções
O representante da construtora Kora-Angola no evento, Rodrigo Manso, defendeu que o Estado deve limitar-se a lotear e criar uma entidade para negociar e vender terrenos.
“O pobre tem poder de poupança para comprar a sua casa só que não pode decidir. Ele é um bom comprador, o que falta é um terreno infra-estruturado para a construção da sua casa”, frisou.
O sector privado na construção é mandatário na habitação em todos os sentidos e em qualquer lugar, “só que tem de decidir que tipo de residência pretende ter, seja ele da classe média, alta ou baixa”.
Apela, para a necessidade de se terminar com programas habitacionais sem condições de habitabilidade, onde água e luz, não seja um problema.
Um outro problema a superar no sector reside na “lentidão” no processo da legalização, onde geralmente o comprador dificilmente obtém o documento.

Renda resolúvel
O arquitecto Amarildo Van-Dúnem, que representou no evento a imobiliária Imogestin, disse que durante 20 anos de existência, a empresa mostrou que é capaz de efectivar os desafios pelos quais se propôs.
Cita o exemplo do projecto “Nova Vida”, em Luanda, onde na segunda fase de execução 2006/2009, o Estado investiu 150 milhões de dólares e já estavam executados 20 por cento do projecto.
Depois houve a necessidade de se mudar de estratégia, sendo que o projecto começou a ser parcialmente subvencionado, isto em infra-estruturas e realojamento.
Depois de uma avaliação chegou-se a conclusão de que para o projecto ser sustentável “era necessário ajustar os preços do mercado, o que reduziu a subvenção do Estado”.
A partir desta decisão, revelou, o Estado nunca mais injectou recursos, apesar de estarem orçamentos 61 milhões de dólares, sendo que, neste momento, o projecto já consumiu 415 milhões de dólares, e que actualmente sobrevive com os seus próprios recursos.
“Com a degradação da condição social e económica do país, está cada vez mais difícil comercializar uma casa”, sublinhou.
Anunciou que a Imogestin vai reforçar o sistema de arrendamento, vendas faseadas e renda resolúvel.
“É muito difícil manter este formato porque a situação macroeconómica está difícil”, revelou.