Com o intuito de melhorar as condições de trabalho e rendimento dos pescadores e suas famílias, o Ministério das Pescas tem, nos últimos anos implementado vários projectos que estão a proporcionar a segurança alimentar e aumentado as oportunidades de emprego.

O projecto do Executivo angolano tem contemplado apoios financeiros para o relançamento da produção do sal iodizado bem como a distribuição de embarcações, medida que visa a diminuição das importações. Os programas definidos contemplam a construção de empreendimentos de acostagem e descargas, tais como, pontes cais e terminais pesqueiros. 

O Ministério tem também dado maior ênfase aos programas de sustentabilidade de recursos pesqueiros, com a construção de centros de observação, bem como apoio a pesca artesanal, com o reforço da formação técnico-científica, num projecto que abarca a construção da Cefopescas, o projecto Hélder Neto e academia de pescas do Namibe. Na província piscatória do Namibe, a academia integrará quatro unidades de formação superior de diversos domínios da ciência do mar.

Registo
Dos ganhos alcançados nestes últimos anos, destaca-se o desempenho das empresas ligadas à indústria pesqueira, constituída em grande maioria pela congelação, com cerca de 65 por cento, peixe seco com 18 e os restantes 10 ligados à farinha e óleo de peixe. Está igualmente em curso, o plano de desenvolvimento integrado da pesca artesanal, que representa cerca de 40 por cento das capturas, onde também integra a pesca marítima e continental.

No segmento da aquicultura, há que se destacar, a sua contribuição no fornecimento de alimento e emprego para as populações.  Dados indicam que a produção de pesca extractiva em Angola contribuiu com 315.000 toneladas em 2011, enquanto que a aquicultura contribui com menos de 20 toneladas/ano. Com as várias iniciativas neste segmento, nos próximos cinco anos, o Executivo preconiza que a contibuição da aquicultura, nos produtos da pesca, atinja os 50 por cento com relação a pesca extractiva.

No âmbito do combate à pobreza, está a ser erguido no município de Cambambe (Kwanza-Norte), o centro larvicida do Mucoso, que fornecerá anualmente, aos aquicultura, dois milhões de larvas da espécie piscícola tilápia, vulgarmente conhecida como cacusso, criado através de um projecto do Executivo, orçado em 973,6 milhões de kwanzas (10 milhões de dólares norte-americanos).

Numa primeira fase, as larvas  serão distribuídas aos produtores a custo zero, com assistência técnica garantida e formação aos criadores, para fomentar a criação. Ainda naquela província, região com grande potencial hídrico e piscatório, está em curso a constituição de cooperativas ligadas à pesca continental.

Indústria
Com a implementação de várias iniciativas a nível da política governamental, os resultados nas capturas totais tendem a aumentar. De acordo com o levantamento efectuado, o empresariado privado tem estado a apostar nas linhas de processamento da congelação de pescado, tendo em conta os ainda elevados custos na produção de peixe seco salgado. Grande parte das empresas está localizada na província de Benguela, com 19 unidades; sete no Namibe e três no Kwanza-Sul.

Nos últimos três anos os resultados indicam que, por exemplo, em 2011 as capturas gerais na indústria foram de 173 mil toneladas, contra 253, 3 mil registadas em 2012 e 185, 3 mil alcançadas em 2013. Uma das notas de realce nos últimos anos, no sector das pescas prende-se com o aumento das  exportações, muito por causa das mudanças nos procedimentos burocráticos para a exportação de crustáceos para a União Europeia.

Dos ganhos, vale realçar a quantidade de produtos da pesca e seus derivados exportados em 2013, tendo gerado receitas para o país, na ordem de 1,2 mil milhões de kwanzas (12,9 milhões de dólares).

Acesso ao sal  
Para a diminuição dos problemas relacionados ao fornecimento de sal iodizado, foi criada uma comissão nacional técnica de iodização de sal para a determinação da percentagem da população que consome este produto. Dados indicam que existem províncias onde menos de 60 por cento da população consome sal iodizado.