O preço do café pode ser revisto nos próximos  anos pelo Instituito Nacional do Café (INCA), com o objectivo de fomentar a produção feita no país.

Esta garantia foi dada pelo director-geral adjunto do Inca, Casimiro Cardoso, na apresentação do tema sobre a “ Produção de café: produtores, incentivos, compradores e mercados”, no fórum de negócios realizado, recentemente, na província do Uíje, onde colheu contribuições dos produtores locais, sobre que políticas adoptar para reactivar este sector.

Para os agricultores locais, o preço actual de 50 kwanzas pelo quilo de café mabuba, 120 pelo comercial e 450 pelo moído não justifica o esforço despreendido no processo de cultivo do mesmo, uma vez que os outros produtos como a jinguba e o feijão são muito mais valorizados no mercado.

“Realização de mercados rurais para comercialização de café, na época de pique e os programas específicos e institucionais para compra de todo o café produzido por parte dos interessados, pode ser uma saide”, aconselharam.

Segundo o prelector, a provincia do Uíje reúne condições para voltar a ser o maior produtor de café do país e tem história: “a primeira plantação comercial de café foi feita em 1912 e as exportações feitas através do Porto de Ambriz, que hoje já não existe”, tendo argumentado ainda que a prioridade deve ser definir o perfil da cafeicultura, criar os incentivos à produção, identificar os potenciais compradores, os possiveis mercados e as oportunidades de negócio.“O café já teve mais valor do que o petróleo”, disse.

Produção anual
De acordo com dados avançados, o café movimenta anualmente mais de 72 triliões e 304 mil milhões de kwanzas, com uma produção mundial de 140 miliões de sacas, sendo a África responsável por apenas 16 milhões de sacas.

O seu cultivo, processamento, comercialização, transporte e mercado proporcionam 500 milhões de empregos em todo o mundo, cerca de oito por cento da população mundial. Actualmente, o Brasil é o maior produtor e os EUA maior consumidor. Países como o Uganda e a Etiópia são os maiores produtores em África.

A China, Rússia, África do Norte, Médio Oriente, Índia, Itália e Alemanha são os maiores exportadores de café industrializado do mundo. “Estes precisam de sítios para comprar e nós podemos aproveitar esta oportunidade para vender”, referiu.

Casimiro Cardoso fez saber também que 95 por cento do café produzido em Angola é robusto, depois seguem os tipos amboim, ambriz, cazengo, arábica e cabinda.

Por exemplo, só na província do Uíje, existem 37 comerciantes licenciados, três fabricas de descasque, uma de torra e uma moagem de café. “Está aquém das nossas expectativas, daí termos ainda muito por fazer”, reconheceu.

Assistência técnica
Para ele, a assistência técnica, o fornecimento gratuito de mudas, a produção de sementes, a organização de associações e cooperativas, a extensão rural e a formação dos produtores podem elevar o potencial produtivo; só depois é que se pode pensar nas formas de comercialização, na organização de mercados rurais, na concepção de créditos a comerciantes, na compra directa e, por último, na entrega de materiais e equipamentos, descasque, despolpadoras, bolsas de polietileno para viveiros, sacos de juta e insumos cafeícolas.

“Desta forma, teremos um sector forte e capaz de contribuir para a economia do país”, concluiu.