Durante a época agrícola 2017/2018, o país registou a produção de 11,1 milhões de toneladas de raízes e tubérculos, três milhões de toneladas de cereais com uma colheita estimada em 2,5 milhões de toneladas de cereais. O aumento no recrutamento de quadros especializados, assim como a produção de 802.202 toneladas de leguminosas, um milhão 937 mil e 852 toneladas de hortícolas e mais de quatro milhões de toneladas de milho fazem o leque dos ganhos. Para o fomento da produção de cereais, a intenção é passar das actuais cifras em termos de produção de cereais (milho, massango, massambala, arroz e trigo), para 5 milhões.

Fomento da produção
O Sector da Agricultura familiar continua a dominar representando uma fasquia de mais de 80 por cento da produção agrícola nacional, isto é, aproximadamente 99,8 por cento das unidades produtivas do país, o que corresponde 97 por cento da superfície total trabalhada. Cerca de 2,4 milhões de famílias vivem da agricultura, sendo que o sector controla perto de 13 mil explorações empresariais. O país necessita de cinco milhões de toneladas de cereais para suprir a carência alimentar, assim como o fabrico de ração e de sementes para o desenvolvimento da agricultura. O Ministério das Finanças e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) assinaram, em Janeiro, na cidade de Cabinda, um acordo de financiamento do projecto de desenvolvimento das cadeias de valor da agricultura da província. Trata-se de um projecto co-financiado pelo Governo angolano e pelo BAD, com um valor global de 123, 15 milhões de dólares norte-americanos, no quadro das cinco prioridades definidas pelo presidente do BAD e alinhado aos pilares da nova estratégia da instituição bancária para Angola referente ao período 2017-2021.

Fertilizantes
Consta que os níveis de importação poderão cair em 50 por cento nos próximos três anos. Angola importou, nos últimos anos, quantidade superior a 140 mil toneladas, que entraram no país desde 2016, com uma média de importação de fertilizantes era de 40 mil toneladas/ano. “Este é um ano especial para o Sector da Agricultura, porque triplicamos a quantidade de fertilizantes que normalmente entrava no país”, disse, a dada altura o ministro Marcos Nhunga. Este factor contribuiu para a baixa do preço do saco de fertilizante de 50 quilos que chegou a custar entre 30 e 35 mil kwanzas no mercado local contra os actuais 9.500.

Nova Lei das Florestas
A nova Lei de Base de Florestas tem estado a contribuir com a redução da comercialização ilegal da madeira angolana. Por exemplo, este ano, o Ministério da Agricultura e Florestas atribuiu uma quota de mais ou menos 288 mil metros cúbicos, para a exploração de madeira no país. O ano passado, a cifra foi de 280 mil metros cúbicos, sendo que este ano (2018), houve um aumento de oito mil metros cúbicos. Em 2017, foram licenciadas cerca de 330 empresa, sendo que este ano(2018) o Ministério licenciou menos de 200, em função da medida que o sector está a tomar no sentido de fazer análise das actividades técnicasa e capacidades financeiras das empresas. A exploração de Pau-Rosa e Mussivi, espécies nativas de Cabinda e Leste de Angola usadas na produção de madeira, foi declarada como proibida por dois anos, na campanha florestal que iniciou em Agosto e na seguinte.

Governo resgata fazendas

O Presidente da República, João Lourenço determinou, por razões de interesse público e com base num despacho tornado público em Setembro, em Luanda, o resgate, a favor do Estado, de seis concessões de projectos de desenvolvimento agro-pecuários.
Tratam-se dos projectos Agro-Industrial da Fazenda do Longa, de Desenvolvimento Agrícola de Camaiangala,  de Desenvolvimento Agro-Pecuário do Manquete, de Produção de Milho e Tilápia, denominado Fazenda Agro-Industrial de Camacupa, e de Desenvolvimento Agrícola de Sanza Pombo, Sociedades que revertem assim para titularidade e gestão do Estado.
O projecto Agro-Industrial da Fazenda do Longa, na província do Cuando Cubango, foi anteriormente concedido à Sociedade Cakanduiwa, SA, enquanto o projecto de Desenvolvimento Agrícola de Camaiangala, na província do Moxico, tinha sido, anteriormente, concedido à Sociedade de Exploração Agrícola da Kadianga, SA.
O projecto de Produção de Milho e Soja, denominado Fazenda Agro-Industrial do Cuimba, na província do Zaire, foi anteriormente entregue à Sociedade da Cakanyama, SA, ao passo que o projecto de Desenvolvimento Agro-Pecuário do Manquete, na província do Cunene, foi anteriormente concedido à Sociedade Makunde, SA.
O projecto de Produção de Milho e Tilápia, denominado Fazenda Agro-Industrial de Camacupa, na província do Bié, tinha sido anteriormente concedido à Sociedade Agrícola-Cakanguka, SA, enquanto o projecto de Desenvolvimento Agrícola de Sanza Pombo, na província do Uíge, era destinado à Sociedade Cakanyama, SA.
Num outro despacho, o Presidente da República autorizou a abertura de um Concurso Público Internacional para a privatização dos seis empreendimentos agro-industriais resgatados à entidades dotadas de capacidade técnica e financeira, de acordo com uma nota da Casa Civil do Presidente da República.
Por outro lado, o Chefe de Estado determinou a extinção da Empresa Nacional de Mecanização Agrícola (Mecanagro), entidade empresarial tutelada pelo Ministério da Agricultura e Florestas.
De acordo com um Decreto, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado foi constituído entidade liquidatária da Mecanagro. Num outro Decreto, foi aprovoda a privatização total da Empresa de Rebenefício e Exportação do Café de Angola, Unidade Económica Estatal – Cafangol-UEE.
A Cafangol UEE é transformada em sociedade comercial anónima, assumindo a denominação Cafangol, SA, para permitir a sua privatização.

Biocom colhe
73 mil toneladas
de açúcar

A companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM) fechou em Novembro a sua produção de 2018, com 73 mil toneladas de açúcar, mais de 21 por cento em relação ao ano de 2017.
Até o final do ano, a Biocom  espera  facturar  o equivalente em kwanzas a 200 milhões de dólares norte-americanos, de acordo com o seu director comercial,  Fernando Koch, em declarações à  Angop.
Fernando Koch disse que, de ano para ano, sobe a produção  de açúcar, pois, em 2014, altura em que foi  lançada  a primeira produção, a companhia  produziu  três  mil  toneladas,  que passaram, em 2015, para 25 mil toneladas, 52 mil em 2016 e em 2017 atingiu 58 mil toneladas.
“Tivemos um aumento significativo de produção, apesar das dificuldades, fruto da conjuntura  que o país  atravessa”,  sublinhou.
Com quatro linhas de enchimento, sendo duas para sacos de 50 quilogramas, instaladas na  principal fábrica em Capanda (Malanje) e  outras  duas para sacos de um quilograma e cinco gramas (para café bares), em Luanda, a Biocom cobre 25 por cento das 300 mil  toneladas   consumidas em Angola.
Com 25 mil hectares de plantação de cana-de-açúcar, a Biocom prevê aumentar os campos de cultivo segundo Fernando Koch, sem  avançar  números. Além do açúcar, foram  também produzidos 17 milhões de litros  de etanol.

Projecção
Para 2019, a Biocom estima uma produção de mais de 120 toneladas de açúcar e  25 mil metros cúbicos de etanol.
“A Biocom está a trabalhar com base no Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI), como forma de contribuir para o crescimento do país”, concluiu.
A companhia conta com três mil trabalhadores.