Perdida no meio de muita gente, Cristina Waleca tenta num dos mercados ganhar o pão para o sustento da família. A saúde e a educação dos cinco filhos é assegurada pela jovem mãe. Na sua condição existem no local muitas, cada uma à sua maneira procuram “mil maneiras” de sustentar a sua família. Depois de mais de 1o anos envolvida em pequenos negócios, a jovem Waleca direccionou a sua actividade na venda de “muamba” e “muteta”. Investiu kz 10 mil para a aquisição de uma máquina rudimentar que transforma o gergelim, ginguba, semente de abóbora e outras leguminosas. Com a pequena máquina transformadora prepara também a “muteta”, bastante procurada no mercado. Se de um lado está a mão de fada que prepara o alimento, do outro está a jovem Cristina, que com muitos cuidados higiénicos transforma o grão, um condimento indispensável para deliciar um bom funje à mesa. Muita gente que confecciona alimentos no local, tem preferência pela muamba e a muteta da Cristina. Fabrica quatro tipos de muteta, um quilo custa kz 800, há também de kz 100, o bolso define o preço. No fim da jornada, conta que o capital arrecadado dá para assegurar a família e garantir as necessidades básicas. Como dizia um músico Brasileiro “ É preciso saber viver” numa clara alusão em aproveitar às oportunidades da vida.

Matéria-prima
A matéria-prima toda é adquirida no mercado angolano, com destaque para a província do Uíge, a preço ligeiramente baixo. A satisfação da jovem não passa apenas pelo dinheiro, mas por ajudar duas jovens que com ela dividem o trabalho. “Aconselho os consumidores que adquiram a muamba quando fresca, tem outra qualidade”, disse. A fila de gente à espera do produto da jovem confirma, isto mesmo. Coloca no pequeno transformador dois kg de ginguba, e em menos de 10 minutos o produto está pronto. Para atrás, ficou aquele momento doloroso que para preparar um pouco de “muteta” era usado um almofariz. E a satisfação dos clientes era muito difícil. Num instante a fila se desfaz, todos foram servidos. A pequena empreitada é açucarada por duas jovens, Lídia Cole e Marta Nawanga, que no fim do dia levam um valor monetário. Feliz em plena terça-feira, louvam a iniciativa da jovem oriunda do Uíge, sua terra natal. Gaba-se de ser uma região com pratos típicos saborosos, onde a inovação faz parte do dia. Todas apontam que se cada cidadão tiver iniciativas, o desemprego vai reduzir.

Divergências
No lado oposto da bancada está uma outra concorrente. Identificada por Joly, com o rosto fechado mostra a sua insatisfação à procura elevada que regista a bancada da vizinha. Em língua nacional “kikongo”, atira-se à vizinha concorrente de estar a pensar que ela é “Dona”, numa clara reprovação ao sucesso de waleka. Contrariamente à Joly uma outra vendedora, Maria Dombele considera que a sua concorrente “Está em dia sim, acho que cada uma tem o seu dia e tempo para facturar”, disse. O certo é: Todos naquele local, preferem a muteta e a muamba da jovem, porque, além da qualidade na preparação, tem um sabor acima da média.
A pequena unidade fabril , já tem 5 anos de vida útil.

Obtenção
Os torneiros angolanos são na sua maioria os fabricantes que e abastecem o mercado nacional. Uma ronda feita pelo JE, pode constatar que a maioria dos proprietários queixam-se do alto custo da matéria-prima. Um factor que pode concorrer para o aumento do custo das pequenas máquinas. Sem revelar os seus nomes, defendem, que deve haver apoio aos torneiros. Contam que, os objectos já estão a ser fabricados por extrangeiros de diversas nacionalidades. “ A qualidade das unidades feitas pelos estrangeiros não tem durabilidade nenhuma”, disseram. Contam que as mesmas podem ser encontradas no mercado dos kwanzas em Luanda, porém são muito pobres. “Acontece que querem imitar tudo, e tem facilidade para aquisição de matéria-prima, nós não temos”, contam. A falta de matéria-prima, está também a afectar a produção de peças e sobressalentes de viaturas. “Se a situação se mantiver assim, daqui a pouco vamos passar para 15 mil cada peça daquela”, disse um torneiro identificado apenas por Jorge.