Os técnicos do Instituto de Desenvolvimento Florestal (INDF), órgão afecto ao Ministério da Agricultura, iniciaram na última sexta-feira (23), em Cabinda, a recolha de dados de amostragem, da reserva florestal do Cacongo, medida enquadrada na realização do primeiro inventário da floresta do Maiombe. O último foi feito em 1964 pelos portugueses. O projecto abrangerá também as aldeias de Sanga-Mongo e Mbata-Lunhuca, no município do Buco-Zau.

As potencialidades florestais da província de Cabinda cobrem uma área de aproximadamente 250.000 hectares, dos quais 175.000 correspondem à floresta do Maiombe. A sua densidade média varia entre os 40.000 e 50.000 metros cúbicos (m3), com uma reserva estimada em 20 milhões de madeiras em pé.

A floresta do Maiombe dispõe de várias árvores de elevada estatura e conta com um elevado número de espécies de madeira, entre as quais destacam-se o numbi, takula, banzala, wamba, vuku, limba, kungulo, pau-rosa, tolas branca e chinfuta, lifuma, kali, kâmbala, ndola, livuite e pau- -preto, além de guardar milhares de espécies de animais.

A taxa anual da floresta do Maiombe é de 0,4 m3 de hectares/por ano, o que pressupõe um crescimento total de 114.000 m3 de área exportável. Nas décadas de 60 e 70, a floresta registou uma exploração, cujo grosso da produção era feito no município de Cabinda. Do ponto de vista de exploração, a floresta densa do Maiombe é ainda considerada virgem de acordo com
o último inventário.  

Desenvolvimento económico
Falando na abertura do I encontro nacional sobre “inventário florestal”, que o Ministério da Agricultura realizou na província de Cabinda, de 22 a 24 de Agosto, sob o lema “Inventário florestal, um instrumento chave para gestão sustentável dos recursos florestais”, o ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, afirmou que as florestas contribuem para o desenvolvimento socioeconómico dos países.

De acordo com o ministério, os recursos florestais têm uma contribuição imprescindível na economia.Segundo avançou, Angola apresenta uma superfície de floresta natural estimada em cerca de 53 milhões de hectares, o que corresponde a 43 por cento do território nacional, e uma capacidade anual de corte estimada em 326.000 m3 de madeira. O governante referiu que o país dispõe de uma área de floresta plantada calculada em 148.000 hectares, com um potencial de exploração anual de 800.000 m3 de madeira.

Produção de madeira
Anualmente, a média de produção de madeira em toro no país é muito baixa, situando-se entre 60.000 a 80.000 m3, números que estão aquém das necessidades e capacidade gerais de consumo, estimadas em 500.000 m3. De acordo com o titular da pasta da Agricultura, as províncias de Cabinda, Uíje, Bengo e Kwanza-Norte são os principais mercados de abastecemento de madeira pesada, enquanto as províncias do Huambo e Benguela são os principais fornecedores de madeira.

Adiantou que esses indicadores representam para o país um défice superior de 400.000 m3 de madeira em toro. Anfoso Pedro Canga sublinhou que, para a gestão duradoura dos recursos florestais e faunísticos, o Executivo aprovou a política nacional sobre os recursos florestais, fauna selvagem e áreas de conservação, em consonância como os princípios internacionais, com realce para o protocolo assinado com a SADC.

Legislação sobre florestas
De acordo com o ministro da Agricultura, os programas do sector florestal estão alinhados com o plano nacional de desenvolvimento, a ser executado no quinquénio 2013-2017. Nesse plano, consta a elaboração de uma nova legislação nacional sobre florestas e fauna selvagem, que ao ser aprovada vai substituir a legislação em vigor, que data há várias décadas. A estratégia nacional do povoamento e repovoamento florestal compreende cinco eixos da intervenção, nomeadamente ambiental, comercial, comunitário, investigação, agro-florestal e de plantação de árvores fora das florestas.

O governante disse que em parceria com outros departamentos ministeriais será desenvolvido o programa de relançamento da indústria da madeira, tendo em vista a diversificação e o aumento da produção interna de bens e serviços, a diminuição das importações de produtos da madeira e a implementação do programa de combate à desertificação.

Contribuições  
Os participantes do I encontro nacional sobre inventário florestal pediram maior intervenção do Executivo, principalmente na mobilização de recursos financeiros que possam garantir a sustentabilidade e a obtenção periódica de informações estatísticas sobre as florestas. Os técnicos sugerem a realização de inventários locais ou regionais que incluam o elevado número de unidades de amostras para garantir maior cobertura dos ecossistemas.

Relativamente ao inventário das plantações florestais do planalto central, foi apresentada a actualização do projecto efectuado em 2010, no povoamento de eucaliptos e de pinheiro dos polígonos florestas do Alto Chiumbo, Cuima e Bunjei, situados nas províncias do Huambo, Benguela e  Huíla. Durante o evento, os participantes tomaram conhecimento da experiência sobre a protecção das florestas densas e húmidas da Republica Democrática do Congo (RDC).

O encontro contou com a participação de secretários de Estado, directores nacionais e provinciais, representantes do Brasil, Congo Brazzaville, Mocambique, RDC e da FAO. No evento, foram abordados vários temas, onde o destaque recaiu para “Experiência de execução do primeiro inventário florestal nacional”, “Potencialidades florestais da província de Cabinda e sua gestão”, “Inventário das plantações florestais do planalto central: gestão dos respectivos acervos”, “Experiências do Brasil na execução periódica do inventário florestal nacional”, “Experiências de Moçambique na execução periódica do inventário nacional da floresta do Miombo” e “Desafios metodológicos dos inventários na floresta tropical densa e húmida”