Na ressaca de 8 de Janeiro, data consagrada à cultura nacional, para os lândanenses constitui o dia em que a antiga vila Guilherme Capelo, hoje Vila de Lândana, sede do município de Cacongo, que dista aproximadamente 45 quilómetros da cidade Cabinda completou 76 anos de existência. Daí a nossa reflexão sobre o
itinerário de Lândana.
A Vila de Lândana consta entre as mais antigas da província, quiçá do país. Situado entre relevos e declives, para quem chega à Lândana em direcção ao Alto Maiombe o bairro 1º de Maio é a porta de entrada.
O busto (estátua) do comandante Hoji-ya-Henda, patrono da juventude angolana é o marco que divide o acesso à vila em duas rotas. Por um lado Luvula até a Vila de Lândana e por outro Luvula, Chinhembo até à Vila de Lândana. Ao descer a rua “António Fernandes” passando pela Unidade Penitenciária de Lândana forma uma triangulação perfeita que dá a periferia de Lândana um aspecto diferente. Ao prosseguir em direcção a missão feminina e masculina respectivamente a Igreja São Tiago Maior de Lândana constitui a
principal referência.
Reza a história que ela foi fundada a 25 de Julho de 1873 pelo zeloso, Padre Carlos Duparquet, bem como os irmãos Carrie e Fortunato missionários espíritas. Porém ascendeu a categoria de vila a 8 de Janeiro de 1941.
Junto a Igreja está a casa dos Padres Espiritanos um edificio que dispensa comentários dada a arquitectura atribuida aos Holandeses, pelo sinal, entre os primeiros europeus que habitaram em Lândana no século XIX. A escola Missionária és  Comandante Saydi-Mingas, era a principa referência na formação dos Missionários Espiritanos. Do outro lado Está a Escola Faty- Veneno, que até a decada de 90 principal unidade de formação no município, pois albergava estudantes da  5ª classe até 8ª classe até então IIº e IIIº níveis. Na altura estudar na escola Faty-Veneneno  não era para quem quer, mais sim para quem merece.  Entre os directores mais sonantes estava o Kialunda Mbala, Germano Gomes e Pascoalina Issungo. Já os professores, contam-se os nomes de Guida Guida de feliz memória, Man Broa, Abéga, Agustavo, Zé Chincolo e Paizinho, este último professor de física.

Vila de Lândana
 A vila de Lândana começa a partir da sede da administração municipal de Cacongo, bem ao lado está a Escola de Artes e Oficios, propriedade da Igreja Católica que formou bons malceneiros e mecanicos, assim como a Tipografia da Igreja até então gerida pelo “Man Neves”,  que se dedicava a transformação do papel. A esquerda o Cemitério municipal e segue-se o campo multi-uso de Lândana Clube.
A segunda rota, que nos leva até a emblemática Vila de Lândana, que exala uma brisa marinha sem igual, parte do bairro Luvula para uns e 1º de Maio para outros, prossegue  até o bar Miradouro, importante espaço de lazer hoje ligeiramente abandonada à sua sorte. Segue-se o bairro do Chinhembo até à vila de Lândana passando pelo Palácio municipal.

Nsuco
Na verdade é uma porção de bosque não habitado até finais da decada de 90, tornando-se assim  o polmão da vila. Ele, constitui reserva da Igreja Católica onde se situava as hortas e  plantações com destaque para a fruta sape sape, fruta pin, fruta pão e mangueiras, este último importante fonte de energia para os estudantes assim como os populares que passassem pelo pequeno bosque.  O local esconde muitas histórias, cada um a sua maneira.
À semelhança das demais cidades africanas, na Vila de Lândana, habitam os funcionários públicos e na periferia, as populações emergentes, embora a realidade actual não reflicte este princípio.
A ausência de dados estatísticos, não nos permitiu aferir a maior entidade empregadora em Lândana, ainda assim, sabe-se que uma franja significativa da sua população dedica-se ao funcionalismo público, agricultura, pesca bem como a prestação de serviços nos diferentes sectores da vida económica, sem descorar o sector petrolífero.

Praça de quarta-feira
Ela constitui a principal fonte de sobrevivência de muitas famílias landanensas. Inicialmente junto ao edifício da Mota & Companhia na Vila de Lândana e hoje alugures no “Mbondo”,  bairro “Luvula”. Ela, representa a principal fonte de produtos do campo, utensílios domésticos bem como roupas e outros bens necessários à economia doméstica.
A “Quarta-feira” é o dia mais sagrado entre os habitantes de    Lândana depois de domingo para os cristãos, pois  é neste dia que os landanenses registam a maior azáfama, resultante do sobe e desce de gente que vem de Malembo, Futila e com realce à cidade de Cabinda.
 Os aldeões da linha Ncochiluango, Tchimongo, Tchilelo até Túmuna, por exemplo, recorrem ao mercado da “Quarta-feira” para comercializar produtos de campo.  À semelhança destas aldeias, na linha de Luango-Pequeno, frequentam a praça de Lândana os habitantes da aldeia do Icaço, Luango Pequeno, Manenga e Mandarim só para citar. Já no cruzamento do Massabi, o destaque recai para as aldeias de Bichequete, Lico Grande e Pequeno, Kassim como Nkumboliambo e Lelengi. Na linha da aldeia de Chapa, frequentam o mercado, os habitantes do Buco-Socoto, Pessesse e Sócoto.  
Os aldeões  trazem em manga, produtos de campo que vão desde a chicuanga, banana, batata doce e inhame, óleo de palma, a ginguba, saca folha, feijão, peixe fumado e carne de caça, embora nos últimos dias se considere crime o seu abate. Já os citadinos comercializam, sobretudo produtos como peixe, sal, roupa, utensílios de cozinha e electrodomésticos.

Inovação
A beleza da “Quarta-feira” reside também no facto de o subsistema do ensino a nível local, instituir os alunos de ambos os sexos a usar o traje africano em detrimento da bata escolar. Mais do que uma forma de vestir, ser e estar, a inovação introduziu na cultura de Cabinda e de modo particular a dos landanenses, constitui um estilo de vida moderna. O valor cultural deste estilo reside sobretudo na preservação da identidade cabindense a cada vez mais fustigada pelos traços da modernidade.

Lazer
No passado, as noites na Vila de Lândana era asseguradas pela Boite Geny, Pety Gran, Zé Tati Zé Luemba e bar Sambo. Hoje, entraram para esta empreitada a discoteca de Victor, Mabuli, Gabi, Aleixo, bar Miradouro (Zé Luemba) e Casa Lantur. Pena é que as noites em Lândana não geraram nem um músico tão pouco conjunto musical para forjar um estilo próprio a moda cabinda.

Pesca
A extensão marítima que a mãe natureza ofereceu a Vila de Lândana faz dos seus habitantes bons apreciadores de diferentes variedades de peixe, mas diga-se em, abono da verdade, que “icabo” entende-se sarvelha e “manunho muno” (cacusso) e se quiser tilápia estão entre os peixes mais predominantes. Além das extensas águas do mar, a lagoa de “Cussanga” junto a foz do rio serve de alternativa.
Vale lembrar que o município de Cacongo conta com duas comunas, nomeadamente, Massabi, que faz fronteira com a região congolesa de Ponta-Negra e Dinge para quem vai ao Maiombe.
Uma considerável faixa da vila de Lândana, assim como algumas aldeias mais próximas, são banhadas pelo Oceano Atlântico e areia branca. A foz do rio Chiloango vislumbra uma paisagem com mangais nas margens do rio bem como a ponte que o atravessa. Até breve!.