Os cerca de 16 apagões que se registavam por ano, no Sistema Eléctrico Norte, motivados pelo défice na produção de energia deixaram de se registar, depois da entrada em funcionamento, há um ano, de um conjunto de três turbinas do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, localizado no leito do rio Kwanza, na província de Malanje.
Em entrevista à LAC, o director do projecto hidroeléctrico de Laúca, Elias Daniel Estévão, disse que o operador do sistema, Rede Nacional de Transporte (RNT) registou uma diminuição em cerca de 94 por cento nos “apagões” (black-outs).
“Antes da entrada em funcionamento de Laúca registava-se em média 16 apagões por ano, actualmente reduziu para um, de realçar também que desde o início do ano até agora, não se registou nenhuma restrição por défice de produção de energia eléctrica”, revelou, depois de garantir que “estas restrições em termos de produção estão terminadas”.
Elias Daniel Estévão destacou que o sistema tornou-se mais estável e mais robusto, já que possui uma reserva bastante significativa e que pode ser distribuída para as outras centrais, fazendo com que se existir anomalia no sistema, estas máquinas conseguem colmatar este défice.
O gestor assegurou que os objectivos estão a ser concretizados dentro do plano previsto, sendo que prevê-se que em Dezembro deste ano, entre em funcionamento a quarta turbina.
“O balanço é extremamente positivo, dado que com a entrada da unidade de Laúca terminaram as restrições de produção de energia. Como sabemos o sector eléctrico angolano teve um histórico de muitas dificuldades e restrições”, garantiu.
Até agora, Laúca produziu 40,6 por cento da sua capacidade anual, ao atingir 3,5 milhões de MWh, quando as projecções apontam para 8,6 milhões de MWh/ano, quando estiver concluída.
O início da exploração comercial da barragem de Laúca permitiu a redução do consumo de combustíveis fósseis, sendo 55 por cento de produção térmica do país.

Estiagem não afecta
Por outro lado, o director do projecto hidroeléctrico de Laúca assegurou que estão criadas todas as condições para que em período de estiagem não haja restrições no fornecimento de energia eléctrica.
Explicou que se “em teoria tivermos um caudal zero”, o que significa que não choveu, a albufeira de Laúca consegue gerar energia durante 45 dias.
“Este é um prognóstico muito difícil de ocorrer. Com a albufeira de Laúca e a de Kapanda, temos garantias de que no período de estiagem não vamos ter problemas de geração de energia”, sublinhou.
Actualmente, disse, a quota da albufeira de Laúca atingiu os 847 metros de altura, “estando à três metros abaixo do nível máximo que é de 850”.

Formação assegurada
Na entrevista, o responsável precisou que um outro destaque que a direcção do projecto está a apostar prende-se com a formação de recursos humanos.
“De nada valerá termos um projecto desta dimensão se não tivermos técnicos formados, que consigam operar esta central. Foram formados 84 técnicos que estão em conjunto com a empreiteira, a Odebrecht, estão a operar a central”, salientou.
Esta operação, pontualizou, é conjunta e que durará três anos, fim dos quais a central de Laúca passará a ser operada por técnicos angolanos na sua plenitude.
Entre os três aproveitamentos hidroeléctricos que perfilam sobre o caudaloso rio Kwanza, Laúca, cujas obras iniciaram em 2012, é neste momento, a maior barragem (depois de Cambambe e Capanda).
Depois de concluído, o projecto contará com seis unidades (turbinas) capazes de gerar 2.070 megawatts para o Sistema Eléctrico Nacional.
Com um investimento público de 4,3 mil milhões de dólares, Laúca é parte do projecto “Angola Energia 2025”, que prevê o aumento substancial da oferta electricidade às populações e ao sector produtivo nacional.

Mais projectos

No quadro da política energética já foi lançada a primeira pedra para a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Caculo Cabaça, também no médio Kwanza, com conclusão das obras previstas para 2022.O ambicioso projecto deverá acrescentar à rede nacional de electricidade 2.100 megawatts.Estudos revelam que Angola dispõe de 159 locais com potencial para grandes aproveitamentos hidroeléctricos.Dado os elevados índices de procura, o projecto “Angola 2025” se propõem aumentar as capacidades de produção, transporte e transformação, interligações dos sistemas (Norte, Leste, Centro e Sul) e o mapeamento dos recursos renováveis.