Mais de cinco milhões de hectares de terra arável serão preparados em todo o país, para a campanha agrícola de 2018/2019, com o fito de produzir em grande escala, cereais, tubérculos, frutas, vegetais e oleaginosa, visando reduzir as importações
Ao avançar esta semana a informação, na cidade de Porto Amboim, o director nacional para Agricultura, José Carlos Benttecourt, disse que a aposta é a produção de cereais, como milho, soja, trigo e arroz, por constituírem as culturas de base para o
desenvolvimento do país.
“Na campanha agrícola 2018/2019, o Ministério da Agricultura e Florestas propõem-se em preparar mais de cinco milhões de hectares em todo o país e superar um milhão 470 mil de
hectares actuais”, referiu.
Para esta campanha, as famílias camponesas, um total de um milhão e 900 mil, vão preparar 2,9 milhões de hectares manualmente, enquanto 2,1 milhões de hectares preparados e 77 mil hectares com
recurso à tracção animal.
“Temos neste sentido que reconhecer que há um défice de mecanização agrícola em Angola, havendo necessidade de prestarmos mais atenção a este sector, com a criação de linhas de montagem de tractores
e sobressalentes”, disse.
Mostrou-se preocupado com os problemas ligados às estatísticas no país para se saber ao certo em que áreas produzem, culturas, apesar de reconhecer que 90 por cento das áreas de produção são feitas pelo sector camponês.
Relativamente às unidades agrícolas empresariais José Carlos Benttecourt sublinhou que foram seleccionadas 170 empresas que se dedicam à produção de milho, arroz e soja e que ocupam uma área de 200 mil hectares.
O sector empresarial o ano transacto produziu 31 mil hectares, tendo uma safra de 123 mil toneladas de milho, apontando como factores ( de baixa) a falta de mecanização agrícola, acesso às máquinas, crédito, financiamento, inputs agrícolas.
“Há disponibilidade de terras agrícolas para quem quer produzir para podermos aumentar a produção e o país ser auto suficiente, porém temos de passar a obter um rendimento de cinco toneladas por cada hectar”, rematou.
Avançou que para a referida campanha agrícola, o ministério vai importar 32 mil toneladas de fertilizantes, 52 mil toneladas de calcário e 1.400 toneladas de sementes de milho, bem como 50 mil charruas de tracção animal.
Revelou que Angola necessita de um milhão e 500 mil toneladas de adubo composto/ano, adubos simples e ureia cerca 500 mil toneladas/ano, daí a necessidade da instalação de uma indústria e a exploração do fosfato.
Afirmou que com uma ocupação de um milhão e 470 mil hectares, utilizados de forma racional é possível substituir as importações e poupar divisas para a compra de milho, soja, trigo e arroz.
“Tudo isto passa pelo incremento de 80 por cento da área de cultivo e aumento de 80 por cento de produção”, salientou.
Apontou igualmente a formação de técnicos, treinamento e fixação da população no meio rural, hoje estimada em apenas 38 por cento da
população em Angola.
“A população desde 1975 até agora tem vindo a aumentar consideravelmente e até 2050 teremos em Angola 67 milhões de habitantes e neste sentido temos de aumentar a produção, nas áreas de cultivo destes cereais imediatamente, para sustentar e alimentar a população que
tem vindo a crescer”, alertou.
Angola tem disponíveis 35 milhões de hectares
de terra arável.