Um pouco por toda a sua extensão, encontra-se um lugar de encanto e de beleza natural que prende os olhares de quem os visita pela primeira vez.
Hoje por hoje, quem chega a Malanje, limita-se a visitar as Quedas de Calandula, as Pedras Negras de Pungo Andongo, ou os Rápidos do Cuanza em Cangandala. Malanje, não é só isso. Tem muito mais, como por exemplo, a Mesa da Rainha NJinga MBande na comuna do Cuale, as Quedas dos Bem Casados em Cambundi- Catembo, as Quedas de São Francisco em Massango, Musselege em Calandula, as cachoeiras de Kadiheke, no Quela, para além de outros locais que ainda carecem de maior promoção e divulgação, uma vez que aquela província dispõe de inúmeros encantos aos quais, é necessário muita investigação.
A substituição do petróleo pelos recursos naturais disponíveis pode ser uma aposta se os homens de negócio direccionarem as suas acções nesse domínio. Muitos países no mundo, vivem única e exclusivamente do turismo, e claro, no contexto actual da nossa economia abalada com a baixa do preço do petróleo, nunca é demais direccionar as atenções nesse domínio e não só, para contribuir na elevação da balança económica do nosso país.

Potencialidades da província

A reportagem do JE ouviu alguns empresários, como por exemplo, Monteiro Pinto Capunga, do grupo empresarial Miamop. O gestor disse ser necessário o apoio do governo, uma vez que do lado dos empresários há vontade.
O empresário que investe na província de Malanje à largos anos, tem fé e esperança por dias melhores.
Monteiro Pinto kapunga disse que deve haver maior aposta na agro-pecuária e para o efeito, “o governo deve ajudar os empreendedores de modo a alcançar os seus objectivos, com a facilitação na obtenção de créditos para o desenvolvimento harmonioso das suas tarefas”.
“Nós sempre apostamos no turismo. Só não marcamos mais passos porque encontramos várias dificuldades, mas, com essa abertura, porque vai haver crédito bonificado para o sector do turismo e agricultura, estamos aqui disponíveis”, realçou Monteiro Pinto Kapunga.
Por sua vez, o empresário João Diogo Gaspar entende que “apostar no turismo “é somente uma prova de que o turismo é um elemento bastante importante para o desenvolvimento sócio-económico do nosso país, representando assim uma aposta para o futuro”.
A necessidade de explorar cada vez mais os recursos de que o país e a província dispõe foi também realçada por João Diogo Gaspar, acrescentando que isso vem , “dignificar e fazer uma melhor distribuição das riquezas do nosso país”, realçou.
Disse ser necessário que outras acções que contribuem para tal êxito sejam realizadas como é o caso da reparação das vias de acesso para permitir a livre circulação de pessoas e bens e não criar constrangimentos para os interessados na obtenção dos produtos do campo.
O gerente do hotel “Portugália”, Edgar Lopes, considerou o turismo um sector importante para qualquer país na medida em que representa uma entrada directa de divisas para o desenvolvimento.
Acrescentou que para um bom desenvolvimento neste sector vai ser necessário ter em conta variadíssimos aspectos, desde os hotéis e restaurantes onde os turistas se devem hospedar bem como um investimento sério nos homens que vão lidar com a actividade hoteleira.
“O turismo provoca desenvolvimento e investimento”, disse Edgar Lopes que aconselha maior investimento e aposta por Malanje pelo facto de ser um dos principais centros turísticos de Angola, representado pelas suas lindas paisagens, vários animais com realce para a famosa Palanca Negra Gigante.
“Com duas ou três empresas de passeios no domínio do turismo, onde os interessados possam alugar jipes para fazer passeios turísticos com guias locais, já estaria a dar emprego a mais de duas ou três pessoas, uma vez que Malanje é uma província muito bonita. Os turistas poderiam comprar muitas coisas que a província oferece no campo agrícola e não só, uma vez que muitos camponeses não conseguem comercializar os seus produtos
no mercado local”, salientou.
Exortou os empresários locais a não desistirem de tentar projectar empresas turísticas em Malanje, “que tenham paciência, uma vez que o investimento hoteleiro e turístico não é algo que se aplica visando lucros imediatos.
Já o gerente do hotel “Dom Fausto”, Arménio Junqueira, referiu que a actividade hoteleira na província tinha que ser já alargada também para os municípios de Calandula, Cacuso, e Quela, para além de tantos outros com locais turísticos por visitar.
“Malanje é uma região muito rica em recursos turísticos, o que falta na verdade são investimentos”, disse.

Desburocratização

Ivan Issaca, agente turístico, aponta um caminho para o desenvolvimento do turismo em Malanje, e segundo disse, tudo passa pela desburocratização do sistema administrativo e depois no sistema bancário e a segurança para os turistas.
Outro aspecto referido pelo interlocutor do Jornal de Economia está relacionado com o sistema rodoviário e o fornecimento de energia eléctrica, pois como sustentou, “ não é possível gerir um hotel sem energia eléctrica.
Para ele, é necessário que as entidades de direito pensem na reposição dos aviões da transportadora aérea nacional, Taag, para facilitar a deslocação dos turistas de diversos pontos do “globo”, e que pretendam vir passear em Angola, com realce para as zonas turísticas, como por exemplo, as da província de Malanje.
“Malanje tem muitas potencialidades que devem ser exploradas”, para tal, vai ser necessário o empenho de todos.