O pólo  agro-industrial de Capanda, em Malanje, criado com o objectivo de contribuir para a segurança alimentar, cujas metas principais é substituir as importações de alimentos e gerar emprego e renda, numa perspectiva de desenvolvimento rural integrado, de acordo com o conceito de produção sustentada, começa a ganhar visibilidade.

O presidente do conselho de administracção da Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-Industrial de Capanda (SODEPAC), Carlos Fernandes, garantiu que a província de Malanje vai transformar-se em breve num celeiro, a avaliar pelas suas potencialidades no sector de produção agrícola.

Carlos Fernandes precisou que o pólo agro-industrial de Capanda tem um valor global avaliado em mais de 29, 1 mil milhões de kwanzas (300 milhões de dólares) americanos programado. Para o efeito, foi aprovado um valor na ordem de 9,7 mil milhões de kwanzas (100 milhões de dólares) com uma execução financeira actualmente na ordem de 2,4 mil milhões de kwanzas (25 milhões de dólares).

De acordo com Carlos Fernandes, os resultados actuais ainda não são satisfatórios, “nós temos no pólo agro-industrial de Capanda um potencial muito elevado que só pode ser desenvolvido se “nós continuarmos a trabalhar” nas infra-estruturas, nomeadamente na rede viária, linhas de transmissão de energia e a ampliação das subestações de Cacuso e Malanje e, como consequência disso, o potenciamento da subestação de Capanda. Para Carlos Fernandes, tais infra-estruturas têm custos elevados, e o sector privado chamado a investir no pólo de Capanda não tem condições de fazê-lo sob o risco de inviabilizar financeiramente os seus projectos.

Novas empresas
Existem neste momento um universo de 29 empresas privadas que se propõe em investir cerca de 58,3 mil milhões de kwanzas no pólo agro-industrial de Capanda. De acordo com o presidente da Sodepac, existem dificuldades que deverão ser ultrapassadas, nomeadamente o completamento do trabalho de infra-estruturas, bem como o plano de abastecimento hídrico.

“O agro-negócio já não se compadece com a agricultura do sequeiro. Temos exemplos da estiagem que assola o Sul do nosso país nos últimos tempos”, afirmou Carlo Fernandes para quem a Sodepac vai, com os ministérios da Agricultura e da Economia, com o apoio do Chefe do Executivo, encarar com maior rapidez possível o arranque do projecto de abastecimento hídrico e criar as condições necessárias para o arranque do projecto agro negócio e assente, sobretudo, no empresariado nacional.

Ano agrícola 2013-2014
Para o ano agrícola 2013-2014, a Fazenda Pungo Andongo tem projectados 3.000 hectares de milho e 500 outros de soja ao passo que no pólo agro-industrial da Quizenga estão previstos 2.600 de milho e 300 outros de feijão.

Fontes ligadas ao projecto  apontam o acréscimo em cada ano de 2. 000 hectares para que no prazo de dez anos se possa produzir 10.000 hectares. No presente ano agrícola foram preparados 2.200 hectares de terra, sendo 1.900 já desmatados, irrigados e passados com grade e prontos para receber a semente.

Existem equipamentos e homens suficientes para corresponder aos desafios. Um total de 60 técnicos angolanos ganhou o primeiro emprego no referido projecto e mais dez expatriados divididos em vários sectores, nomeadamente industrial, de produção e administractivo.

Os quadros angolanos que ganharam o seu primeiro emprego no projecto são maioritariamente da Quizenga, município de Cacuso, local onde se encontra instalado o projecto agrícola. Uma fábrica para o processamento do milho foi criada, para além de outra parte reservada para o armazenamento que são os cilos. Com a capacidade, numa primeira fase, de quatro mil toneladas e a fábrica de fuba que tem capacidade de produção diária de 50 toneladas, treze mil toneladas de cereais é o que se espera colher no presente ano agrícola.

A Biocom tem para o presente ano agrícola, a previsão de plantar 10.000 hectares de cana de açúcar e vai desmatar mais sete mil hectares de terra. Carlos Fernandes disse que a par disso, está a ser desenvolvido um trabalho ligado à agricultura familiar, para além de outras empresas que estão em desenvolvimento.

Existe neste momento a Companhia Agrícola de Malanje que se especializa na mandioca e que prevê plantar na presente campanha agrícola 300 hectares daquela cultura, para poder constituir não só uma fonte para a indústria, mas também para servir de receptáculo à produção agrícola familiar que se encontra no mercado para a colocação dos seus produtos.

Cadeias produtivas
Os estudos realizasdos, permitiram a selecção das culturas com maior potencial produtivo e de processamento industrial bem como estabelecer o modelo de desenvolvimento do Pólo Agro Industrial de Capanda baseado em cadeias produtivas, geridas por “empresas-âncora”.

A integração dos segmentos de produção, no processamento industrial da comercialização e distribuição vão viabilizar a atracção de novos investimentos na produção primária, na industrialização e nos serviços de apoio à produção. De acordo com o plano director do polo agro-industrial de Capanda, as cadeias produtivas com maior potencialidade são os grãos, produção de soja, milho, massambala, arroz e feijão.

A transformação do milho e farelo de soja em alimento mais nobre, nomeadamente a proteína animal, o aproveitamento da pastagem existente e as áreas marginais para a agricultura, consta da cadeia produtiva com maior potencialidade para o Polo Agrícola de Capanda que no domínio da mandioca, considerada cultura tradicional da região.

Diversificação da economia
O Executivo angolano encara o agro-negócio como um instrumento fundamental para a promoção da diversificação da economia, na capacidade de geração de oportunidades de trabalho e renda no meio rural e no alcance da segurança alimentar do país, com a adopção de políticas públicas que favorecem o desenvolvimento.

A Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-Industrial de Capanda (SODEPAC) foi criada a 18 de Abril de 2008, à luz da resolução do Conselho de Ministros número 69/07 de Agosto, para exercer todas as atribuições e competências relativas à gestão das potencialidades energéticas, agrícolas, hídricas, agro-industrial e silvícola dos terrenos localizados no Pólo Agro –Industrial de Capanda, cuja área com cerca de 411. 000 hectares foi constituída Reserva do Estado pelo Decreto 36/08 de 3 de Junho.