Os participantes do II Conselho Consultivo do Ministério da Construção recomendaram o Governo a concentrar esforços, no restabelecimento da malha viária do país, do ponto de vista da recuperação dos pavimentos existentes, evitando a sua dispersão e consequentemente o gasto de recursos sem retorno para o Estado angolano.
Segundo o comunicado do conselho consultivo, realizado, na passada sexta-feira, na cidade de Caxito (Bengo), os participantes recomendaram ainda que se aposte cada vez mais nas ligações intermunicipais, procurando soluções economicamente mais atractivas.
Foi também incentivada a captação de investimento privado para a operacionalização da rede viária, “fugindo da dependência exclusiva do investimento público, estabelecendo parcerias entre o sistema privado e o público para diminuir o peso sob a responsabilidade do Estado”.
Em relação a rede de estradas nacionais, os participantes concluíram que a estratégia adoptada no investimento para o reforço das camadas de fundação das estradas com aplicação de revestimento em TSD/betão betuminoso, aguarda por uma próxima etapa e a escolha dos troços aptos a receber a camada de desgaste mais nobre constituída em betão betuminoso.
Recomendaram a realização de uma avaliação permanente do desempenho da estrada, “porquanto permite o planeamento e aplicação atempada de investimento, para preservar, adequar ou prolongar a sua vida útil, ou mesmo reduzir a necessidade de investimentos nas acções de reabilitação”.

Constrangimentos
Os participantes concluíram que como principais causas que contribuíram para a degradação “precoce” das infra-estruturas rodoviárias em Angola,constam a ausência de um programa de conservação e manutenção contínuo e eficaz, o aumento exponencial do volume de tráfego, o excesso de cargas que actuam sobre os pavimentos, a ausência de uma estratégia de reabilitação da malha viária e a idade avançada dos troços.
Os participantes defendem que o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) deve continuar a implementar a nova estrutura de pavimento, mais robusta com uma plataforma alargada nas obras a serem reabilitadas.
Neste contexto, e devido ao elevado estado de degradação das estradas nacionais número 100, troço Cabo Ledo/Lobito, bem como a EN 120 (Alto Dondo/ponte sobre o Rio Keve), estrada EN 230 (Lucala/Malanje e a estrada EN 321 (Maria Teresa/Dondo) inseridas no programa de conservação, deverão ser reabilitadas com a nova estrutura de pavimento.

Pontes metálicas
Quanto as pontes metálicas, a fonte revela que foram montadas mais de 380, que equivalem a cerca de 7.970 metros lineares de estruturas metálicas em toda a rede viária nacional.
“As pontes metálicas são instaladas em situação de emergência, constituindo estruturas temporárias, na expectativa da sua posterior substituição por pontes definitivas”, informa o comunicado.
O II conselho consultivo tomou conhecimento das perspectivas e estratégia do sector para o período de 2018-2022, que constituirá a abertura de um novo ciclo de planeamento no sector.
Por isso, destaca o comunicado, recomenda-se “que o exercício do planeamento não se limite ao que consideramos ser a vontade da entidade proponente, mas que seja mais abrangente”.

Bons resultados
Ao encerrar o encontro, o ministro da Construção, Artur Carlos Andrade Fortunato, considerou que os bons resultados a alcançar no sector da construção civil e obras públicas devem dar maior credibilidade ao cidadão, sobretudo na definição de critérios que assegurem boa sintonia entre os diferentes níveis de intervenção.
O governante assegurou que o Ministério da Construção vai continuar a trabalhar em prol do desenvolvimento do país, por via de resultados da sua acção e na materialização dos objectivos do Executivo que definem claramente a satisfação das necessidades das populações e o seu bem-estar.
O titular da pasta destacou que o sector continuará a garantir condições seguras de mobilidade, que permitam a circulação de pessoas e bens nas estradas com qualidade, assim como durabilidade necessária que valorize o investimento do Estado.

Extensão
O país dispõe de uma rede rodoviária de cerca de 76 mil quilómetros (km) de extensão em diferentes estágios de desenvolvimento, ligando cidades, povoações, centros de produção agrícola e industrial, distribuídos, respectivamente, por 12.300 km de estradas primárias, 27.200 secundárias e 36.500 terciárias.
Deste lote total de estradas, 26.600 km fazem parte da rede fundamental de Angola, onde 12.903 estão concluídas e 7.382 em curso ou paralisadas.
Inserido no programa das comemorações do Dia do Construtor (3 de Dezembro), o encontro decorreu sob o lema “Construtor angolano - 41 anos presente na edificação do país”.
Além de membros do Ministério da Construção, participaram do II Conselho Consultivo os vice-governadores das províncias do Bengo, Cuanza Norte e Sul, Zaire, Luanda e Uíje.