O perímetro irrigado do município da Matala, na província da Huíla, é neste momento palco do ensaio de cultura de arroz, a cargo de uma empresa chinesa, que há um ano introduziu nova tecnologia para dinamizar a produção do cereal.
O estudo de solo, a cultura e colheita este ano de algumas toneladas de arroz realizado confirmam que o perímetro irrigado da Matala pode nos próximos tempos produzir o cereal em grande escala para
abastecer o mercado nacional.
O administrador municipal, Miguel Vicente, disse ao JE que os resultados preliminares do ensaio de cultura de arroz, no perímetro irrigada da Matala são animadores, a julgar pela colheita realizada nos últimos meses.
O projecto, destacou, ganha outra dinâmica e dimensão com a introdução de nova tecnologia de ponta para o aproveitamento hídrico do perímetro irrigado da Matala, que ocupa uma
extensão de 42 quilómetros.
A empresa chinesa que assumiu o projecto, para produzir numa área experimental de 514 hectares, está empenhada com homens e máquinas para transformar o município no primeiro celeiro do arroz, o segundo cereal mais utilizado na dieta alimentar das populações.
O administrador disse que a colheita de primeira 20 toneladas abre boas perspectivas para tornar o município numa referência da produção de arroz. A área agrícola pode ser aumentada nos próximos tempos.
No perímetro irrigado da Matala há vários anos silos para a conservação de cereais. As duas unidades com capacidade 800 e 1.500 toneladas estão no processo de privatização da gestão no sentido de torná-las rentáveis e cuja empresa deve assumir a compra da produção
dos camponeses da região.
“Neste momento temos no perímetro uma grande empresa chinesa a trabalhar cerca de centena de hectares para a produção do arroz em grade escala, depois do ensaio. Temos alguma produção. O processo iniciado com o estudo e solo já tem resultados
visíveis”, disse Miguel Vicente.
As autoridades a atribuir também uma área de quatro hectares à empresa
para a produção de tabaco.
O objectivo dos dois projectos agrícola é produzir quantidades suficientes para atender a demanda do mercado e, numa fase, posterior, exportar o excedente da produção para
mercados de países vizinhos.

Portas abertas
A Matala está aberta para empresas nacionais e estrangeiras, com capacidade financeira para aproveitar as potencialidades existentes, nos segmentos da agricultura, pecuária, comércio, hotelaria, turismo e infra-estruturas.
A região continua a mobilizar mais empresários para investir na região sobretudo explorando as potencialidades agro-pecuárias do municípios
satélites da província da Huíla.
O administrador lançou o convite aos empresários quando falava para a equipa de reportagem do Jornal de Economia e Finanças.
“Todas as empresas são bem-vindas, porque ajudam-nos a gerar muitos postos de trabalho para a juventude. Muitos jovens são técnicos agrónomos e podem assim ter um trabalho para sustentar as suas famílias”.
Disse que o município está pronto para receber e acolher os empresários nacionais e estrangeiros a visitar Matala dispostos a conhecer as oportunidades de municípios e sobretudo a explorar o potencial agrícola suficiente para assegurar a auto-suficiência alimentar da província e para ao país.
“Temos exortado a classe empresarial nacional e estrangeira para investir no município. A Matala está aberta e continua aberta para os que quiserem investir, desde que cumpram com os mecanismos legais do país”, argumentou.

Colheita de batata
A colheita de batata rena no perímetro irrigado da Matala é corrente. Os agricultores que exploram o perímetro irrigado da Matala colheram na última época agrícola cerca de 11 mil toneladas de batata rena e várias
outras de frutas e hortícolas.
Miguel Vicente disse que o município cultivou mais de seis mil hectares de área irrigada a partir do canal. Apesar das limitações de redução de níveis no tempo de cacimbo, o canal continua a levar água para as zonas aráveis. A diminuição dos níveis de água obriga a racionalização entre o bombeamento das turbinas da barragem
hidroeléctrica e a irrigação.
O administrador sublinhou que a rede de distribuição de electricidade do canal está obsoleta, sobretudo nos
postos de transformação (PT).
Afirmou que o projecto de rectificação de rede eléctrica está em curso para superar os problemas de energia no canal. A barragem da Matala está em reabilitação. O administrador prevê melhoria significativa no fornecimento de energia nas
províncias da Huíla e Namíbe.
O município conta com uma moageira com capacidade para produzir 120 toneladas por hora. A Matala dispõe de câmara de frio com capacidade de conservação três mil toneladas de produto.
“Temos aqui câmaras que vão ajudar os agricultares, a manter os excedente antes de serem escoados para outros mercados”, destacou.
Está também previsto a implantação de uma fábrica
de transformação de tomate.
Actualmente, a sede municipal da Matala beneficia de um projecto de distribuição de água, no âmbito projecto “Horizonte 2030”, que prevê beneficiar
cerca de 10 mil habitantes.
A maior preocupação do administrador municipal é reabilitação dos 26 quilómetros das estradas do casco urbano da Matala o troço que liga a sede do município a localidade a comuna do Mulundo.
O governador da Huíla, João Marcelino Tyipinge, que visitou a circunscrição recentemente município, prometeu transformar a sede municipal numa cidade, porque considera que Matala, com uma população de 287 habitantes, distribuído numa extensão territorial de cerca de nove mil quilómetros, merece ascender a categoria de segunda metrópole da província.