Oito indústrias paralisaram as suas actividades na província do Huambo nos últimos sete meses, por dificuldades de importação de matéria-prima no exterior do país, elevando para 187 o total de unidades fabris que tiveram o mesmo destino, desde 2015. Em declarações à imprensa, o director local da Indústria, Geologia e Minas, João Pedro da Fonseca, lamentou a situação, decorrente da crise económica que o país enfrenta, marcada, sobretudo, pela falta de divisas e redução brusca nas vendas. Explicou que as referidas indústrias são dos ramos alimentar, serralharia e carpintaria, bebidas e móveis, sendo a primeira com maior número. Actualmente, segundo o responsável, apenas 206 unidades fabris diversas continuam em actividade na província do Huambo, cifra contrastante com as intenções das autoridades locais que pretendem alavancar o sector para ser mais decisivo no desenvolvimento social e económico local. João Pedro da Fonseca disse que o governo local, preocupado com a situação actual, tem ajudado, em questões institucionais, os empresários na procura de investimentos e parcerias, para reabertura das suas unidades fabris, assim como tem incentivado os bancos a financiarem iniciativas no domínio industrial. Também confirmou a paralisação, desde 2015, de seis das nove pedreiras controladas pela direcção local da Indústria, Geologia e Minas, por falta de projectos na área de construção civil, onde o Governo era o maior cliente.

Consequências
Segundo os sociólogos, as consequência da paralisação das empresas, são sobretudo sociais com o desemprego de milhares de trabalhadores, não sendo capazes de sustentar as suas famílias, que por seu turno encontram outras dificuldades. Na questão da habitação ainda que precária mas a classe mais pobre é totalmente “predada” por um grupo de “senhorios” que alugam casebres sem as mínimas condições mas que sem dó nem piedade exigem “rendas” adiantadas de seis meses e um ano, apoderam-se dos haveres dos cidadãos em especial fogões, botijas de gás, retenção de roupas e colchões, indo até aos despejos indiscriminados a qualquer hora do dia e da noite sem que haja qualquer protecção para as famílias mais vulneráveis . As crianças deixam de ir à escola, aumenta o número de óbitos porque com uma alimentação inadequada as doenças progridem rapidamente e não há qualquer valor disponível para comprar medicamentos ou mesmo até uma seringa. Mas a nível económico é o disperdício de todo um trabalho e desenvolvimento empresarial que fica comprometido. Por outro lado as oportunidades de negócio ficam agora disponíveis para os estrangeiros já que os angolanos não têm capacidade financeira de recuperar. A breve trecho seremos sobretudo empregados de empresas
estrangeiras em Angola.