A célebre frase: “a agricultura é a base e a indústria o factor  decisivo” está imortalizada faz tempo. O alimento de produção nacional está hoje ao alcance de todos. O camponês suado com a enxada na mão desbrava a terra, lança a semente e proporciona todos os dias à mesa do consumidor um alimento com qualidade.

A escassos quilómetros do município de Viana, a céu aberto está situado o “mercado do 30”, próximo do Caminho-de-Ferro de Luanda. Todos os dias, ali serpenteia o comboio que escoa das províncias do Kwanza-Norte e Malanje produtos agro-pecuários diversos. Os camiões vindos das províncias do Kwanza-Sul, Huambo, Bié, Benguela e Huíla dada a proximidade à estrada nacional que liga a Luanda também transportam várias mercadorias.

Diversidade de produtos
A vida no mercado começa logo nas primeiras horas da manhã. Muitos camiões carregados de batata rena, fruta, hortaliças, carne de caça, fuba de milho e de bombó, cabritos, porcos, galinhas, ginguba, feijão, enfim, tudo do campo e fresquinho ali está. “É  nacional e é bom”, esta frase aplica-se muito bem no que, à vista desarmada, observamos.

Logo à entrada, os camiões são cercados por clientes provenientes de diversos pontos de Luanda. O mercado abastece muitos restaurantes, bares, cantinas, assim como os que ali ocorrem para a obtenção de bens alimentares.

As zungueiras que circulam pela cidade têm o mercado como principal fonte de abastecimento para aguentar o negócio e facilitar aqueles que por motivos vários não conseguem deslocar-se ao “mercado do 30”. Aliás, no interior do mercado são observados vários vendedores  a carregar os carros de mão, revendendo aquilo que compram dos camiões, a preços bastante baixos.

Feirantes
Com o bebé às costas, a cidadã Nachimela Vitali empurra um carro de mão, carregado de laranjas. A feirante chama os clientes: “três custam 40 kwanzas”. Com cerca de 19 anos, a jovem sobrevive deste negócio, há já algum  tempo. Ela compra nos camiões o seu negócio e no mesmo local revende-o.

Os preços dependem do bolso de cada um, mas registaram uma ligeira diminuição, comparativamente ao ano passado. Todos os bens alimentares  baixaram. Por exemplo, com 100 kwanzas (kz) o cliente pode comprar 10 suculentas laranjas e um ananás de cerca de 2 quilogramas custa o mesmo preço. Um amontoado de seis abacates “farinhentos” custa 150 kz. Uma caixa de batata rena e tomate de aproximadamente 30 quilos compra-se a 2.500 kz, contra 4.000 kz do ano passado. Cada monte de alho, cebola, cenoura, couve, alface ou repolho custa em média 100 kz.

Adélia Roberta com um cesto de frutas e de batata rena indica que este é o seu mercado predilecto. Os preços estão ao seu alcance. “Vivo no Benfica e estou quase sempre aqui. Com 15.000 kz faço compras de tudo o que me interessa e principalmente produtos nacionais”, observou.

No interior do mercado, existe  uma determinada área extensa, onde muitas feirantes vendem carne de cabrito, vaca e de porco. A zona é extensa e está coberta para reduzir a poeira que os clientes e viaturas provocam, devido à intensa circulação de veículos. Com 3.000 kz, o cliente pode adquirir uma boa quantidade de carne de “primeira” de cabrito, porco e outras espécies, contra os 4.500 anteriores.

Benefícios
Os compradores cruzam-se todos ávidos para comprarem diversos produtos. Entre eles está Jorge Carlos que em tom baixo confidencia que todas as semanas está no mercado para adquirir  alimentos.
“Esta carne é boa por não ter conservantes. Mas tem de haver medidas de sanidade para não causar doenças provocadas pelos produtos vendidos a céu aberto”, alerta.

O peixe desde o seco ao fresco, quer da água salgada (mar), quer da doce (rios e lagos) pode ser obtido a preços bastante baixos. A senhora Maria Mariquinha confessa que é boa apreciante de peixe bagre fresco, o também denominado “tuqueia”.  “Este peixe é uma delícia”, conta.

Num outro corredor, está uma espécie de currais. Ali, o cliente encontra cabritos, porcos e ovelhas. O bolso e a preferência do cliente determinam a aquisição. O preço varia entre os 8.000 e os 12.000 kz. Anteriormente, os preços estavam tabelados entre 15.000 e 17.000 kz. Um grupo de jovens com perícia e rapidez abate o animal, cobra em média 2.000 kz pelo serviço, que anteriormente custava  3.500 kz.

Uma outra área destinada à venda de aves (galinhas e patos) está à vista. Uma galinha doméstica é comprada a 1.000 ou 1.500 kz, já uma do aviário custa entre 800 e 1.200 kz. O cliente após as compras pode saborear um prato de funje com carne de javali. As barracas estão a 100 metros do local onde se adquirem as galinhas. A cidadã Doriana Messele está sentada à mesa, a degustar um funje com carne de vaca e vinho, como acompanhante. Encara o mercado bastante favorável para o bolso de todos e aconselha apenas àquelas senhoras que preparam os alimentos que haja mais cuidado.

“É tudo natural e é muito bom para a nossa saúde. Venho aqui  sempre que posso. Há muita produção interna”, frisou.

Compra no local muitos produtos, em particular frutas e legumes. O mercado movimenta  muito dinheiro por dia.
No final da jornada, cada vendedor paga aos fiscais uma quantia de 100 kwanzas pelo espaço.

Segundo uma fonte ligada à administração do mercado, o espaço alberga mais de 3.000 vendedores  e há uma afluência diária de cerca de 300 potenciais clientes.