A transformação de produtos agrícolas nas zonas rurais vai ganhar um novo impulso, com a materialização do Programa de Fomento da Indústria Rural (PROFIR) afirmou, recentemente, no Lubango (Huíla), o director do Instituto Nacional de Desenvolvimento Industrial, Adérito Van-Duném.
Ao discursar no enceramento do Fórum de Concertação Industrial, promovido pelo Gabinete provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado, em parceria com a Associação Agropecuária Industrial e Comercial da Huíla (PAACIL) e a Associação Industrial de Angola (AIA), Adérito Van-Duném, disse que o Profir vai incentivar o agro-negócio, no quadro das políticas do Executivo de apoio à produção nacional.
O PROFIR está aberto a empreendedores nacionais que queiram investir na agro-indústria e participar através de projectos inovadores na transformação de produtos agrícolas a partir do campo.
Disse que o Estado vai apoiar de forma institucional os empresários no sentido de ajudar a encontrar caminhos para que os seus projectos de investimento sejam financiados pelos bancos comerciais.
“Este programa tem como objectivo fundamental a transformação dos produtos lá onde são produzidos. Os agricultores reclamam que não há compradores. Então vamos levar as micro-indústrias até lá por via do empresariado local”, disse.
Adérito Van-Duném afirmou que o caminho do incentivo à produção nacional é irreversível. Argumentou que o incremento da produção nacional é possível se “trabalharmos de forma coordenada e todos juntos”.
“A produção nacional deve avançar. Não vai seguir, se trabalharmos de forma isolada”, referiu, antes de apelar aos grandes importadores a canalizarem 40 por cento do valor aplicado na importação na compra de matérias-primas no mercado nacional”, disse.

Incremento da produção
Para o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, a aposta no incremento da produção nacional e a redução da taxa de Imposto Industrial para as unidades fabris dos actuais 30 para 20 por cento.
José Severino prognosticou que a entrada de empresas da região da SADC vai provocar um choque na competitividade mais pesado do que da implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), por isso defendeu maior preparação das empresas nacionais, sobretudo da província da Huíla.
“Temos o desafio de modernizar o país. A Huíla está no caminho da competitividade da Região Austral. Vamos deixar de culpas. Vamos olhar para o futuro de Angola. Vamos apostar nas novas tecnologias”, exortou.
No capítulo da formação de quadros, José Severino sugere a aposta do modelo alemão de formação dual para dar oportunidade aos estudantes a aliarem as componentes teóricas e práticas como forma de conferir experiência profissional aos formados.

Unidades paralisadas
O director do gabinete provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado, Manuel Machado Quilende, informou que o sector que controla, tem mais de 270 unidades industriais na província, das quais 218 em funcionamento, tendo licenciado 22 novas indústrias (Janeiro a Novembro), 18 das quais obtiveram o alvará provisório e 4 definitivos.
O encerramento na província da Huíla de 32 unidades industriais de pequeno e grande porte é uma das consequências da crise económica que afecta o país nos últimos tempos.
Machado Quilendes, revelou ao JE que a paralisação das indústrias em causa colocou no desemprego dezenas de funcionários.
Apontou as dificuldades de acesso às divisas, alterações das taxas de câmbios e de importação de equipamentos e matérias-primas, além de decisões de sócios, como as principais causas da paralisação das indústrias apontadas pelos investidores.
Referiu as empresas de transformação de granito Emanha, fábrica de vidro, Vidrosul e outras, como exemplos de unidades industriais que fecharam devido a conjuntura económica.
Disse que o encerramento das indústrias além de desempregar pessoas, reduziu os volumes de receitas fiscais para os cofres do Estado.