A existência de boas condições para uma eficiente mobilidade de pessoas e bens, é um dos requisitos fundamentais para o desenvolvimento económico e social.

Segundo o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D´Abreu, na sua mensagem de abertura da primeira Conferência Internacional sobre Mobilidade Urbana, que a capital angolana acolheu ontem, sob o lema "Identificar Desafios, Procurar Soluções", este é um tema para o qual o Executivo
olha com a maior atenção.

"Enfrentamos desafios estruturais para a efectiva melhoria das condições de vida das nossas populações e da criação de um ambiente de negócios favorável à participação do investimento privado, nacional e estrangeiro, gerador de riqueza, criador de valor acrescentado, emprego, e catalisador da diversificação da economia do nosso país", revelou.

O governante aponta que o tema da mobilidade urbana é incontornável quando se quiser falar em desenvolvimento.

Cientes da importância deste desafio, disse, o Executivo criou, entre outros, o Plano Estratégico Nacional de Acessibilidade, Mobilidade e Transportes, um documento que traça as linhas mestras a seguir e os objectivos a atingir, no que diz respeito à rede de estradas e auto-estradas nacionais, ao sistema de ferrovias, à instalação de uma rede logística nos principais corredores para o desenvolvimento nacional, e todas as componentes de infra-estruturas associadas a esta temática.

Desafios estruturantes

Ricardo Viegas D´ Abreu salientou que Angola, como grande parte dos países africanos, enfrenta desafios resultantes da tendência do seu crescimento demográfico e do êxodo das populações rurais para os espaços urbanos, criando desafios a nível do seu ordenamento e adequação da oferta de serviços de transportes colectivos.

Na ocasião, o ministro dos Transportes frisou que Luanda, enquanto principal capital do país "é o exemplo mais flagrante da dimensão multidisciplinar que se tem pela frente".

Destacou que, actualmente, a cidade tem perto de oito milhões de habitantes, sendo que ainda tem uma rede de transportes colectivos urbanos "muito aquém das suas necessidades, do ponto de vista da frota disponível e dos sistemas complementares de mobilidade urbana".

Informou, que está a ser preparado um novo Plano Director do sector dos Transportes e Logística, instrumentos que servirão de base, para o Executivo implementar o programa de mobilidade eficaz.

Anunciou que está a ser analisado e preparado um plano para a retoma dos serviços do Catamarã, com um novo modelo, que traga melhorias na condição de vida das populações e que seja um mecanismos sustentável para a própria actividade, de modo a evitar correr o risco de interrupções e criar problemas ainda maiores à economia.

Lembrou que outras cidades nacionais, que crescem igualmente a ritmo acelerado, já vão vivenciando desafios no seu quotidiano, o que exige de todos "nós um esforço de reflexão conjunta, para que possamos delinear de forma participativa soluções sustentáveis para o futuro das nossas cidades e das suas populações".

"Todos os actores são, pois, chamados a participar no sentido de conjuntamente conduzir a bom porto a estratégia de mobilidade. Falo particularmente de académicos, empresários, investidores, especialistas nas mais diversas áreas, empreendedores e sociedade em geral", realçou.

Cidades inteligentes

O ministro não deixou de aflorar temas ligados a inovação e sustentabilidade ambiental.

"O fenómeno das smart cities (cidades inteligentes), tendo elevado este tema para uma outra dimensão do bem-estar social, assegurada a sustentabilidade ambiental para um futuro melhor das gerações vindouras", apontou.

Ricardo Viegas D´Abreu entende que o país tem a oportunidade de realizar o que se designa "por saltos epistemológicos", quer pela sua realidade económica e quer pela sua realidade demográfica, matéria que não se pode perder de vista.

"Procuramos trazer para esta Primeira Conferência sobre Mobilidade, tendo como premissa a nossa realidade social, económica e cultural, a experiência internacional, em particular daqueles países que conhecem avanços significativos neste domínio, e aqueles com traços muito próximos ao nosso contexto", avançou.

Cidades organizadas
reduzem riscos

Com o problema da mobilidade resolvido, a Polícia Nacional vai deixar de ter muitos agentes para o controlo do movimento rodoviário, afirmou, em Luanda, o comandante da Unidade de Trânsito da capital, Superintendente-chefe,  Roque Silva.

O oficial que falava durante a 1ª conferência internacional sobre mobilidade, acrescentou que há muita dispersão de forças nas vias que deviam ser alinhados para o problema do combate à delinquência nas zonas residenciais.

O Superintendente-chefe Roque Silva entende que a corporação devia usar o seu efectivo para outras operações como, por exemplo, incrementar o patrulhamento nas comunidades, responder com urgência aos pedidos dos cidadãos aflitos com acções  de delinquentes.

"Uma vez que a mobilidade urbana esteja melhorada, vamos empregar menos efectivos na via pública, vamos canalizar o efectivo para outras actividades,  como a fiscalização", disse.

Encontrar soluções

Gerar soluções e promover estratégias de racionalização e sustentabilidade da rede de mobilidade nacional foi o objectivo principal da primeira Conferência Internacional sobre Mobilidade Urbana, que reuniu prelectores nacionais e internacionais.

Participaram do evento o representante Mundial da Siemens Mobility e North & Middle África da Volvo Bus Corporation, além do especialista de Implementação do Programa Tripartido de Facilitação de Transporte e Trânsito (TTTFP) da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).