O aumento da produção e a melhoria da qualidade do mel para a exportação constitui o maior desafio do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) na província do Moxico (Leste de Angola), com vista a rentabilização deste produto e a captação de receitas para o Estado. Em Angola, em particular no Moxico, a apicultura é uma actividade tradicionalmente ligada à produção agro-florestal. É encarada como um complemento da agricultura praticada por uma minoria de apícolas artesanais, para quem o mel é a base das receitas para a subsistência. O facto de o resultado dessa produção precária estar direccionado ao consumo da família dos apicultores dificulta o controlo da circulação do produto no mercado pelos fiscais do IDF. Até 2018, a fiscalização do comércio de mel era quase inexistente e ineficiente. O chefe do Departamento Provincial do IDF, Paulo Macazanga Vidal, reconhece que a sua instituição apenas fiscaliza o excedente de mel posto em circulação para fins comerciais, mas o mecanismo regista estrangulamentos devido à complexidade na sua implementação. Sublinha que o sector ainda não consegue controlar, na totalidade, a quantidade de mel exportada da província, por ineficiência do mecanismo de fiscalização, que impossibilita detectar os consumidores que optam pela fuga ao fisco. Paulo Vidal diz que a produção artesanal de mel aumentou para 12 mil 520 litros, mais dois mil e 480 em relação à 2018. Este ano, a acção fiscalizadora permitiu ao Estado arrecadar uma receita de 447 mil e 36 Kwanzas, contra quatro mil Kwanzas em 2018, de acordo com o chefe do IDF, que defende a coordenação das acções dos produtores de mel.
David José, Angop