O município do Soyo, província do Zaire, espera trabalhar cerca de 50 mil hectares, na presente campanha agrícola, com o envolvimento de 87.011 famílias camponesas, prevendo colher 200 mil toneladas de produtos diversos, contra 104.723,20 da época anterior.
Em declarações ao JE, o director da repartição municipal da Agricultura e Florestas, Pedro Aguiar, disse que ainda assim, os números estão “aquém” dos objectivos desejados muito por culpa da falta de mecanização agrícola, uma vez que a população depende única e exclusivamente de instrumentos rudimentares, com destaque para enxadas, catanas e machados para a preparação dos campos.
Na presente campanha agrícola 2017/2018 estão em preparação na região cerca de 50 mil hectares contra os 33.040 da época passada, principalmente nas comunas da Pedra do Feitiço e Quelo.

Culturas

A região prevê cultivar produtos habituais, como a mandioca, ginguba (amendoim), milho, gergelim, feijão macunde e manteiga, este último sem grande expressão, na medida em que no Soyo só se cultiva na terceira época.
Para aumentar a produção, Pedro Aguiar disse que, tecnicamente, se aconselha separar a plantação, ou seja, cada tipo de cultura deve ter uma área própria para maior produtividade no final de cada campanha para o bem do produtor, na medida em que este obtém maior folga em termo de produtos.
A ausência de máquinas agrícolas e uma classe empresarial privada com capacidade financeira que aposte no sector, frisou, leva a região a depender apenas da agricultura familiar, cuja produção “não passa de subsistência”.
“A falta de máquinas agrárias para desbravar grandes extensões de terra na presente época agrícola 2017/2018 constitui o principal empecilho para o aumento da produção a nível do município do Soyo, onde aplicam-se apenas instrumentos rudimentares como enxadas, catanas e machados para preparação dos
campos”, disse Pedro Aguiar.
Quanto ao fraco cultivo do feijão manteiga na região, o gestor revelou que tem a ver com a falta de técnicas por parte dos camponesses locais, porque o seu cultivo é feito em duas épocas tal como acontece
noutras áreas do país.
“Os nossos agricultores devem procurar aprender as técnicas de cultivo do feijão manteiga, no sentido de aumentarem a sua produção”, acrescentou.
O sector tem estado a sugerir às famílias camponesas na região a alargarem as áreas de cultivo em cada época, no sentido de aumentar a produtividade em cada safra.
“Sugerimos aos nossos agricultores aqui no Soyo, a alargarem as áreas preparadas em cada ano, ou seja, as famílias preparam por época meio hectare e nós sugerimos a dobrarem a referida área em cada época, para se ter mais rendimentos, com o objectivo de se vender o excedente”, frisou.

Mais apoios

O município do Soyo não recebe abastecimento em adubos e sementes melhoradas há cerca de três anos, em consequência da crise económica e financeira que assola o país.
Pedro Aguiar está esperançoso com as políticas do novo Executivo no que toca a aquisição de adubos e sementes melhoradas, no sentido de se aumentar a produtividade dos camponeses do Soyo.
“O Executivo tem políticas concretas no que toca a aquisição de sementes melhoradas, no sentido de acabar com o uso de sementes não adequadas que já não dão rendimentos aos nossos camponeses”, frisou.

Escoamento da produção
O mau estado das vias que ligam as comunas da Pedra do Feitiço e Quelo, essencialmente agrícolas, dificulta o escoamento da produção para o principal centro de consumo, situação que concorre para a deterioração dos produtos a
grícolas na região.
O sector da Agricultura e Florestas tem procurado convencer os camionistas a fazerem “das tripas coração”, no sentido de ajudar os camponeses a escoarem os seus produtos, medida que poderá ajudar na baixa dos preços.
Na comuna de Mangue Grande, localizada a cerca de 80 quilómetros da cidade do Soyo, a abertura parcial da auto-estrada melhorou o escoamento de bens do campo ali produzidos.

Agro-pecuária avança

O sector da pecuária no município do Soyo, vive um grande défice desde a era colonial, realidade que o responsável da Agricultura e Florestas na região quer ver alterada, com vista a acabar-se com a dependência de carne bovina, suína e caprina.
De acordo com Pedro Aguiar, a região necessita de investidores que apostem no sector da agro-pecuária, no sentido de se fomentar a criação de gado diverso para o bem da economia local e da província.
“Estamos a fazer tudo para se inverter o quadro, por isso, já se assiste pequenos criadores que chegam a ter cerca de 50 cabeças, o que ainda está a quem dos objectivos preconizados pelo nosso plano de acção”, sublinhou.
A região, salientou, precisa de empresários para investirem na agro-pecuária, onde se espera que se criem mais de 3 mil cabeças de gado, o que seria benéfico para a economia local e nacional, até porque as condições climatéricas permitem, no sentido de se acabar com a dependência
a outras províncias.
“No Soyo pode-se criar todo tipo de gado, pelo facto de haver um clima favorável e bastante água para o consumo animal”, destacou.