O projecto de produção de mel existente, no Município do Mussende, província do Cuanza-Sul, constitui um pilar de combate à fome e à pobreza, declarou, na passada terça-feira, o coordenador da cooperativa “Sagrada Esperança”, Domingos Mateus.
Em declarações à imprensa, Domingos Mateus, disse que a cooperativa produz 600 litros de mel por ano, e que a actividade está a envolver muitas famílias.
Segundo a Angop, o coordenador avançou que perspectivam alcançar bons índices de produtividade e consequentemente contribuir para o desenvolvimento e bem-estar da comunidade.
Referiu que os apicultores estão a desenvolver o projecto com sucesso graças a entrega e empenho no trabalho. Considerou também que tem havido já algum rendimento que permite suster as famílias.
Embora o projecto esteja a correr, o coordenador disse que é necessário um maior investimento nesta área para que seja um alento para os associados que se dedicam à apicultura.
“Estamos a produzir de forma rudimentar, por isso necessitamos do apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) em colmeias e ensino de novas técnicas”, apelou o apicultor.
Adiantou que, para além do mel na colmeia, pode-se explorar outros produtos como o pólen, a própolis, a geleia real e o ferrão da abelha para o uso terapêutico.
Salientou que é preciso investir na apicultura para desenvolver a agro-indústria, e fazer com que o país possa deixar de importar certos derivados do mel. A cooperativa foi criada em 2014 e controla mais de 50 associados.

Deixar de importar

Por outro lado, Angola pode deixar de importar mel no próximo ano, com base nas técnicas modernas a serem introduzidas na apicultura, a fim de permitir uma produção sustentável e programada, declarou o director-geral da Cooperativa Agropecuária
e Pescas (Coapa), Januário Marcos.
O gestor disse, recentemente, à Angop que as técnicas modernas consistem na criação de “Quinta Pedagógica”, onde os apicultores aprendem a interagir melhor com as abelhas.
A iniciativa da criação da “Quinta Pedagógica”, segundo o empresário, decorre da baixa produção de mel, isto é 40 a 60 toneladas/ ano que os apicultores do Moxico produzem, e que não responde às necessidades da melaria da Coapa, que tem uma capacidade de processar cinco mil toneladas de mel por dia.
A melaria da Coapa, que funciona em Viana, província de Luanda, processa as quantidades de mel dependendo da extracção na origem, que é inferior a capacidade da indústria, mas ainda assim tal produção reduziu significativamente a importação do produto.
Januário Marcos disse que está inserida na visão de acabar com a importação do mel, a extensão das regiões de produção de cultivo do mel. Por isso vão produzir também nas províncias do Bié, Huambo e Lunda Sul.
A cooperativa vende mel em frascos de 30 gramas ao preço de 400 kwanzas, 250 gramas (1.100) e um quilograma a 2.750.
A Cooperativa Agro-pecuária e Pesca (Coapa) foi constituída em 2007, mas só começou a operar efectivamente em 2014. Actualmente contam com pelo menos 200 apicultores colaboradores no Moxico e cinco trabalhadores efectivo na indústria (em Luanda), dos quais dois são gestores.