A província de Malanje pode tornar-se nos próximos tempos num celeiro de produção de peixe cacusso, resultante das condições hídricas e climatéricas que a província detém.
A apreciação foi manifestada, no sábado passado, no município de Cacuso, pelo engenheiro agrónomo Adriano Feire, durante um workshop sobre a produção de cacusso como oportunidade de negócio, promovido pela Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial de Capanda (Sodepac), dirigido aos produtores da referida espécie de peixe e aos investidores do mesmo Pólo.
Segundo disse, as condições climatéricas de Malanje são adequadas para a criação de cacusso, bem como para o desenvolvimento da aquicultura em sistema de tanque, acrescentando ser necessário a implementação de novas tecnologias nesse domínio para que a província se torne auto-sustentável e contribua na diversificação da economia do país.
Por seu turno, o director provincial da Agricultura e Florestas, Carlos Chipoia, informou que o governo provincial no âmbito do programa de fomento da aquicultura tem prestado todo o apoio necessário aos produtores, desde a facilitação de concessão de terrenos a obtenção de créditos nos bancos comerciais, para além da capacitação e formação dos aquicultores, para se alcançar
os objectivos preconizados.
O responsável enalteceu o contributo dos projectos Laúca e da Sodepac na capacitação e formação dos aquicultores, em particular aos pequenos produtores.

Formação de aquicultores
Um total de 45 aquicultores associados em cooperativas, na província de Malanje, beneficiaram, recentemente, de uma formação sobre produção de peixe, numa promoção do Ministério das Pescas e do Mar.
Os participantes vão analisar temas relacionados com as vantagens e desvantages da prática da aquicultura, técnicas de criação de peixe e tipos de tanque, entre outros.
Na ocasião, a coordenadora de Apoio à Pesca e Aquicultura do Ministério das Pescas e do Mar, Maria Ndombaxi, considerou a província de Malanje como mola impulsionadora da actividade para as demais províncias do país.
Fez saber que a província de Malanje é o ponto de saída da aquicultura para o projecto de pesca artesanal que contempla as províncias do Bengo, Cuanza Norte e Luanda.

Luquembo captura peixe
Por outro lado, durante o período 2012/2017, cerca de 19 mil toneladas de peixe das espécies cacusso, bagre, givungo e bioia foram capturadas, pelas associações de pescadores do município de Luquembo, 275 quilómetros a leste da cidade de Malanje.
A informação foi avançada, recentemente, a Angop, pelo administrador municipal de Luquembo, Alcino Cabeto Siabala, tendo referido que parte do pescado capturado foi comercializado seco, enquanto a outra serviu
para o consumo das famílias.
Sem avançar o número de associações de pescadores artesanais existente no município, o responsável fez saber que o pescado foi capturado nos rios Kwanza, Luando, Jombo e Mboza.

Balanço do sector
Cerca de trezentas toneladas de peixe cacusso e bagre são capturadas anualmente, na província de Malanje, pelas cooperativas de pescadores artesanais dos municípios de Calandula, Cangandala, Cacuso, Luquembo, Cambundi-Catembo e Quela.
A informação foi avançada a Angop, pelo chefe do departamento de pescas da direcção provincial da Agricultura e Florestas, Inácio Chindondo, tendo realçado que a cifra tem subido, fruto do programa gizado pelo Ministério das Pescas e do Mar que a província beneficia desde 2010, consubstanciado no apoio às cooperativas de pescadores com embarcações e outros artefactos.
Informou que o programa do Ministério das Pescas e do Mar permitiu que em 2015 se capturassem 265 toneladas de peixe, contra as 10 colhidas antes da implementação do referido programa.
O responsável apontou os mercados de Luanda, Lunda Norte e Lunda Sul como os principais destinos do pescado.
O departamento de pescas da direcção provincial da agricultura e Florestas controla 33 cooperativas em 6 municípios, nomeadamente Calandula, Cangandala, Cacuso, Luquembo, Cambundi-Catembo e Quela.