O funcionário público Manuel Mateus é de opinião que o sistema macroeconómico que o país atravessa fez com que muitas famílias perdessem o poder financeiro. As pessoas estão mais preocupadas com necessidades básicas como a dieta alimentar e a educação.
Afirmou, também, que as políticas traçadas para as centralidades não acompanham a realidade social do país. “Fica muito difícil uma família composta por sete elementos, onde o chefe de casa tem um vencimento de 150 mil kwanzas sustentar a família e pagar, mensalmente, cerca de 60 mil kwanzas num apartamento”, afirmou.
Já o estudante Santos Sebastião entende que a falta de pagamentos das mensalidades tem a ver com a consciência de cada morador residente nas centralidades. Para ele, todos que celebraram contratos com a imobiliária Imogestin têm a obrigação de pagar as casas, pois só assim o Estado poderá construir mais centralidades para outras pessoas que necessitam de uma moradia. Adiantou que o Estado deve criar melhores soluções para que os moradores possam pagar as casas sem que isso ponha em risco a sobrevivência das família.
A comerciante Aida João, por sua vez, é de opinião que o custo de vida nos dias de hoje é muito alto e muitos chefes de família perderam o emprego. As rendas são altas e dificilmente se consegue honrar os contratos. “Acho que o custo das moradias devia reflectir o salário mínimo da função pública”, explica.
O professor António Candongue afirma que a insuficiência financeira das famílias face à crise afectou drasticamente as suas receitas e está na base deste incumprimento. As pessoas sabem que devem pagar as moradias em que vivem, mas estão sem meios para fazê-la. O problema é a forma de pagamento.
As mensalidades são muito altas e a própria estrutura de pagamento é deficitária. “Acredito que as políticas devem se ajustar à nossa realidade social, e ela mostra que maior parte das famílias não estão em condições de honrar com esse compromisso que carece de uma solução.
O morador da centralidade do Sequele, em Cacuaco, Alberto Fonseca, entende que o custo de vida e a desvalorização do salário mínimo na função pública são factores que, neste momento, jogam em desfavor do promitentes compradores. Daí que considerar como alto o valor a pagar ao Estado.

Manuel Mateus
Funcionário Público-A situação macroeconómica que o país atravessa fez com que muitas famílias perdessem o poder financeiro e Fica muito difícil uma família composta por sete elementos pagar uma renda de cerca de 60 mil kwanzas todos os meses.

Aida João
Comerciante-muitos famílias perderam o emprego e as pessoas estão preocupadas primeiro com alimentação, acho que uma das soluções seria baixar as rendas das casa e aumentar o tempo de pagamento para que se honre com os contratos.

Manuel Chixinda
Chefe de Segurança-o órgão de tutela tem de trazer a melhor solução para levar todos a cumprir e acho que o despejo das famílias como tem sido muito anunciada pela comunicação social não é a melhor solução para os incumpridores.

Santos Sebastião
Estudante Universitário-Acredito ser uma questão de Consciênecia o pagamento das mensalidades das casas nas centralidades. A celebração de contratos com a imobiliária Imogestin obriga que se pague as casas em que vivem sob pena de despejo.

António Candongue
Professor-há muitos moradores que têm feito pagamentos regulares, mas são a minoria acredito que com uma política mais inclusiva que ajude as pessoas a pagarem mediante a situação que o país vive é possível sim fomentar está prática.

Alberto Fonseca
Morador do Sequele-o custo de vida e a desvalorização do salário mínimo da função pública é outro problema que joga a desfavor a maioria dos moradores das centralidades. Acho que o valor a pagar é  muito alto.

“O cenário mais aconselhável
é o do diálogo entre as partes”

O advogado João Gomes, sobre o assunto dos atrasados nas prestações mensais dos promitentes compradores de habitações ao Estado, nas mais diversas centralidades, entende que se deve optar pelo caminho do diálogo, para que os possíveis incumprimentos sejam revistos e se possível renegociados.
Lembra que a Lei do Arrendamento Urbano, de Janeiro de 2016, também conhecida como a Lei nº 26/15, de 23 de Outubro, estabelece os critérios em que a relação senhorio e inquilino deve ser conduzida.
“É por essa razão que entendo ser o mais aconselhável o diálogo entre as partes, para solucionarem-se eventuais litígios”, disse.
O advogado admite que as famílias estão a passar por um momento de certa prova, pois não é menos verdade de que muitos terão ficado sem a sua fonte principal de sustento, que era o seu emprego, devido ao momento económico.
Já a contabilista Marta Cristóvão é de opinião que as famílias também redesenhem a sua estrutura de custos, porquanto se houve redução das receitas e um possível aumento das despesas, o recomendável é mesmo a revisão das contas.
Marta Cristóvão apela aos moradores das centralidades o recurso à máxima segundo a qual “o caminho é o da redução das despesas ao invés de se fazerem esforços em aumentar a receita”. Ela lembra que já se está em tempo de as pessoas aprenderem a pegar nas calculadoras e planificar com rigor e ao detalhe as suas obrigações financeiras mensais.