Passados 22 anos, o projecto industrial de Fútila, com um valor inicial de 37 milhões de dólares norte-americanos, continua estagnado no papel, à espera que um dia comece a dar os seus frutos.
Localizado na aldeia de Malembo, na cidade de Cabinda, cuja previsão é de que seja implementado numa área de 2.344 hectares, o projecto foi concebido pelo Executivo, com o propósito de reforçar a produção industrial, a oferta de bens e serviços, bem como da substituição paulatina dos principais produtos importados pelos empresários locais para o crescimento económico e social da região.
Em Setembro de 2013, o Governo, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2013/2017, adjudicou a execução das obras da 1ª fase do projecto pólo, numa área de 102 hectares às empresas Soares da Costa e Ediffer, que compreenderia a construção de infra-estruturas básicas, como estradas, rede de abastecimento de água, energia eléctrica e comunicações, num valor avaliado em 62 milhões de dólares americanos.
As expectativas que as pessoas presentes no acto da consignação do projecto e da população local tinham era a diminuição dos índices de desemprego e a estabilidade do bem-estar social das famílias. Não houve avanços porque as duas empreiteiras abandonaram os trabalhos, por falta de pagamento.
Devido a esta situação, a Soares da Costa e a Ediffer antes de abandonarem concluíram apenas 30 por cento dos trabalhos da instalação da rede de esgotos, 30 para águas fluviais, igual percentagem para a rede de abastecimento de água.
Cerca de 35 para rede de instalação eléctrica, iluminação pública e tecnologias de informação, 50 para os edifícios de administração, bombeiros, pequenas infra-estruturas e 20 para estação de tratamento de água potável e residual.

Visita feita
Numa visita efectuada a Cabinda no ano passado, a ministra da Indústria, Bernarda Martins, explicou que o atraso que se verificou na conclusão das obras da 1ª fase deveu-se à falta de pagamento às empresas Soares da Costa e Ediffer, por causa da crise financeira que o país atravessa, causada pela queda do preço do petróleo no mercado internacional.
“O Governo não pagou a 1ª fase da obra e as empresas abandonaram os trabalhos. E foi preciso encontrar uma outra saída. Neste momento identificamos uma empresa privada com capacidade técnica e financeira para dar continuidade à obra”, disse.
Para não atrasar com os trabalhos de execução das obras, o Executivo, através do decreto presidencial nº 70/15 adjudicou a obra à empresa Benfim para concluir os trabalhos da 1ª fase, incluindo o modelo de gestão e de negócio, num período de 15 meses, mas, infelizmente, após apresentação do projecto, em Julho do ano passado, a empresa contratada até a presente data não dá sinais de vida para a conclusão.
O que se verifica no terreno, a cada dia que passa é o amontoar de capim em todo o perímetro do projecto do Pólo Industrial de Fútila, o que entristece as pessoas.
Como se sabe, não se trata de um projecto qualquer, mas sim, de um programa que o Governo angolano apostou para contribuir para o desenvolvimento económico da região.

Crescimento esperado
A iniciativa vai garantir também a criação de 14 mil empregos directos e indirectos, dos quais dois mil para a 1ª fase.
A par da fase “A”, o projecto contempla ainda as fases “B” e “C”, onde serão contempladas outras estruturas, como escolas, hospitais, restaurantes, áreas sociais e a construção de casas de baixa, média e alta renda.
O JE contactou sem êxito, o Gabinete de Comunicação da empresa Benfim para saber das reais razões que levam com que as obras de construção das infra-estruturas da 1ª fase do Pólo Industrial de Fútila não arranquem em pleno.
O pólo vai contar com os sectores ligados à produção de óleo alimentar, construção civil, indústria pesada, pesqueira, madeireira, petro-química e gás, transportes, logística, tecnologias, minerais, bebidas, agro-alimentar, química, têxtil, imobiliária, serviços, materiais de construção e plásticos.

O atraso que se regista
poderá prejudicar
as intenções dos
vários investidores

Elias Gomes
Economista

Para o economista Elias Gomes, existem ganhos importantes que podem ser aproveitados pelo Executivo angolano para o crescimento da economia nacional, com a implementação  do pólo industrial de Fútila.
Segundo o economista, Angola pode tirar exemplo do Brasil e dos países chamados “tigres asiáticos” que criaram pólos industriais e que actualmente são verdadeiros impulsionadores da atracção  de investimento privado.
“Estamos numa situação macroeconómica desafiante, em que temos limitações de recursos para investir, mas se tivermos infra-estruturas capazes de atrair o investimento privado, quer nacional, como estrangeiro, estaremos em condições de continuar a massificar o crescimento
da nossa economia”, disse.

Celestino Liela
Professor universitário
O economista e professor universitário Celestino Liela entende que o Pólo Industrial de Fútila, em pleno funcionamento, vai trazer benefícios para o país, e para Cabinda, em particular.
De acordo com o docente universitário, o Governo angolano deve usar todas as suas estratégias para tornar realidade o projecto do pólo industrial de Fútila, com vista a satisfazer os anseios da população.
“O pólo industrial de Fútila além de beneficiar a zona norte de Angola, vai também, ajudar a província de Cabinda deixar de depender da República do Congo e da RDC. Com a concretização deste projecto, teremos mais empregos na região”, referiu, depois de frisar que a sua implementação ajudará a região para não continuar a depender sempre das importações.