As obras na estrada número 120 que liga Alto-Dondo/Quibala decorrem a bom ritmo. A equipa do JE constatou “in loco” a movimentação de homens e máquinas, que ao longo da via numa extensão de 151 quilómetros trabalham arduamente dia e noite.
A meta é alargar a estrada e devolver a livre
circulação de pessoas e bens na máxima segurança e comodidade.
Foi possível constatar que a obra, a cargo da construtora chinesa CRBC, cujo estaleiro está montado junto à ponte sobre o rio Kwanza, por sinal,na linha que separa a província do
Cuanza Norte a do Sul.
Depois do Alto-Dondo, o ambiente é intenso. Homens e máquinas estão mobilizados para um desafio que vai terminar com a colocação de um novo tapete asfáltico para facilitar o “deslizar” dos pneus, roncar dos motores
e chegar ao destino, a tempo e horas.
Na empreitada estão envolvidos angolanos e chineses. A nossa reportagem tentou “sacar” algumas palavras de um expatriado chinês, mas a resposta foi um de que “amigo eu não fala bem o português”. Já aos “muangolês” foi possível testemunhar a alegria no rosto, por contribuírem
na reconstrução da “mãe pátria”.
Com uma placa timbrada a vermelho com a palavra “Stop”, Fernando Domingos é sinalizador de primeira classe da obra. No local dá indicações a cada automobilista que passa pela via, principalmente em troços onde as obras são intensas, de modo a reduzir a marcha da viatura
e caminhar com segurança.
“A minha missão é ajudar os automobilistas a caminharem com uma velocidade reduzida, para não prejudicar o andamento das obras”, disse, depois de revelar que para este trabalho, assinou um contrato para ganhar 1.400 kwanzas por dia. Até ao final do mês, chega
a acumular 42.000.
João Venâncio, 24 anos, foi admitido recentemente na empresa. Ele trabalha como agente de limpeza, nas áreas por onde passa
o cilindro e a pá niveladora.
Segundo contou, a jornada começa às 7horas e se estende até às 17h30. Trabalha quase todos os dias. Como “recompensa” recebe 600 kwanzas/dia, atingindo 18 mil por mês. “Com o que ganho, consigo sustentar a família e a outra parte estou a acumular, com o objectivo de reabilitar a minha casa, localizada no bairro Tela Tombo, junto à comuna
do Munenga, no Cuanza Sul”.
Há seis meses na empresa, os sinais de crescimento e estabilidade familiar são evidentes. Pai de seis filhos, Fernando tem uma popança mensal, que ronda entre 10 e 15 mil kwanzas, para garantir o futuro da família.

Camionistas satisfeitos

Plácido Francisco, 50, é camionista de profissão há 13 anos, apesar de saber conduzir há 20. Aproveitou a ocasião para encorajar as autoridades nesta
nobre missão de reabilitar as vias.
Ao JE explicou que transporta as torres que vão levar energia eléctrica de Laúca para as províncias do Cuanza Norte, Cuanza Sul, Huambo e Bié. A viagem dura entre três e quatro horas.
“A distância de um lugar para o outro, depende do tipo de viatura e a experiência do motorista, além do domínio e as condições da estrada”, informou.
Amélia António aproveitou a boleia de Plácido Francisco, para regressar à Quibala, onde mora no bairro “zero”. A agricultura constitui a sua principal ocupação.
Fernando Marques, 42, é também camionista. A paixão pela camionagem herdou do pai, a quem captou ensinamento valioso.
“Quando a via é estreita a probabilidade de colisão
entre veículos é maior”, disse, visivelmente satisfeito com a reabilitação em curso na estrada.