O bastonário da Ordem dos Engenheiros de Angola (OEA), José Dias, afirmou esta semana, em Luanda, que o país precisa de pelo menos vinte mil engenheiros, formados em diversas áreas, para responder aos actuais desafios, sendo que nesta altura estão inscritos um total de 2.500.

José Dias, que falava à margem do II congresso internacional da Ordem dos Engenheiros de Angola, que decorreu durante dois dias, no Centro de Convenções de Talatona, referiu que há um défice a nível dos engenheiros porque, na maior parte, os formandos enveredam para outras áreas do saber, para “fugirem” a disciplinas como matemática, física ou química.

Por esta razão, apela ao incentivo desde a “tenra idade” às engenharias sem a qual não há desenvolvimento, acrescentando que ao contrário do que muitos pensam as áreas de actuação são vastas como por exemplo engenharia aeronáutica, ambiental, de alimentos, florestal, biomédica, aquicultura e outros.

“É importante ter-se em conta que o engenheiro não deve ser apenas empregado, também pode ser empreendedor”, disse.

Por outro lado, destacou a contínua formação de engenheiros, realização de mais encontros para se encontrarem soluções e melhores práticas a adoptar bem como mais acordos de mobilidade de trânsito como o que têm com Portugal que permite que quadros engenheiros locais trabalhem naquele país.

Dinâmica
Por seu turno, o ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, referiu que o sector que dirige tem dado alguma dinâmica, proporcionando bolsas de estudo mas o problema está na vocação das pessoas que muitas das vezes não têm domínios das disciplinas práticas.

Botelho de Vasconcelos considera ser urgente haver maior aproximação entre os engenheiros, que desenvolvam estudos nas mais diversas áreas de investigação e que possam regularmente fazer sair um revista do sector.

Na sua dissertação, o governante recordou que a engenharia não tem fronteiras e é imprescindível em todos os países interessados num desenvolvimento, assente na capacidade criativa de aplicar os resultados no uso correcto das forças e dos recursos da natureza em proveito da humanidade.

“Os esforços do Executivo na área das engenharias estão integrados no plano nacional de desenvolvimento 2012/2017 e passam pela melhoria das condições de vida da população e na aplicação de avultados recursos financeiros em projectos estruturantes, nas áreas da agricultura, energia e águas, indústria e geologia e minas”, asseverou.

Desafios
Referiu mais adiante que o plano nacional de formação de quadros apresenta as áreas onde o Executivo deve concentrar as suas acções, para suprir a carência de quadros nos diferentes níveis de formação técnico-profissional, médio e superior.
No seu ponto de vista, no século XXI, as exigências do profissional de engenharia têm de estabelecer um novo conceito, adaptado à realidade da vida humana, buscando os instrumentos tecnológicos de forma a tornar as suas acções mais humanizadas.

Experiências
Na ocasião, o consultor empresarial Lúcio Fonseca, oriundo do Brasil, disse ser preciso conferir inteligência às cidades e que muitas das vezes preocupa-se mais em preenchê-la com automóveis do que com a qualidade que elas possam garantir na vida pessoas.

O também engenheiro que dissertava o tema “A engenharia do século XXI e o seu contributo na estruturação de cidade inteligentes” realçou que até 2050 a população mundial viverá nas cidades o que nos leva a ter uma reflexão profunda no sentido de criar iniciativas empresariais e ideias inovadoras que gerem milhões.

Segundo Lúcio Fonseca, as cidades inteligentes devem ser vistas como uma integração entre a inteligência humana colectiva e artificial e isso só será possível com um investimento no capital humano para permitir maior mobilidade.

Já o especialista cabo-verdiano Victor Coutinho considerou a uniformização e a qualidade da formação dos engenheiros africanos como elementos fundamentais para o desenvolvimento sustentável dos seus países.

Durante a sua intervenção sobre “A engenharia para a cooperação e desenvolvimento”, mencionou a certificação e a qualificação dos engenheiros como desafios urgentes que devem constar nas agendas políticas dos governos para desenvolver a engenharia africana.
Victor Coutinho defende que é necessário ter-se uma formação qualitativa de engenheiros para que se tenha um crescimento e desenvolvimento sustentável de qualidade para as populações.

Entre outros assuntos discutidos durante o II congresso, quedecorreu sob lema “Engenharia e dinâmicas de desenvolvimento de Angola” e que se enquadra nos 40 anos da independência nacional, destacam-se “Oportunidades e desafios para o ensino da engenharia”, “Novas perspectivas para os profissionais de engenharia e para o desenvolvimento de Angola”, além do “Ensino de engenharia: uma porta para a profissão de engenheiro”.