O processo de transformação política e económica que se regista no país, tornando-o numa das maiores economias entre os países menos avançados (PMA), foi realçado na reunião sobre a avaliação da implementação do programa de acção de Istambul para os PMA, que decorreu em Genebra, na Suíça.
Este facto foi anunciado pela embaixadora Margarida Izata, directora dos assuntos multilaterais do Ministério das Relações Exteriores, quando intervinha no debate sobre a matéria, tendo sublinhado que, apesar do esforço do Governo angolano para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida da população, este crescimento abrandou nos últimos quatro anos devido à crise económica e financeira mundial.
Entretanto, referindo-se à taxa de inflação no país, disse que melhorou substancialmente, fixando-se agora em nove por cento contra 76,6 em 2003. A taxa de pobreza foi reduzida de 76 por cento em 2003 para 37 em 2008, uma redução notável de quase 52.
Em relação ao PIB, a diplomata revelou que na última década cresceu a uma taxa média de 12 por cento, devido a um forte contributo do sector não-financeiro, incluindo a agricultura e a indústria. “Nos rescaldos da crise económica e financeira mundial (2009), o PIB caiu para 2,4 por cento, mas aumentou para 8,8 em 2012”, sublinhou.
Indicou que o progresso significativo foi também registado nos campos da educação e saúde, com a reabilitação e a construção de escolas e hospitais e, consequentemente, o aumento do número de alunos no ensino primário e a melhoria da saúde materno-infantil.
Segundo a embaixadora, estas melhorias foram possíveis devido à implementação bem sucedida pelo Governo angolano da estratégia nacional de combate a pobreza, com o objectivo de reduzir para metade o número de pessoas a viver em extrema pobreza até 2015.
“A estratégia identificou um conjunto de áreas prioritárias, nomeadamente, a segurança alimentar, desenvolvimento rural, educação, saúde, HIV/
/Sida, emprego, a capacitação e a reconstrução de infra-estruturas”, acrescentou.
Durante o seu discurso, a directora dos assuntos multilaterais do Mirex reconheceu que a assistência e a cooperação internacional com os parceiros de desenvolvimento bilaterais e multilaterais têm sido cruciais para ajudar os PMA, incluindo Angola, a superar os grandes desafios que ainda se lhes colocam.
Entretanto, salientou que Angola se baseou principalmente nos seus próprios recursos e capacidades nacionais para a realização da sua agenda de desenvolvimento nacional.
Reiterou o compromisso de Angola trabalhar no processo de graduação na lista dos países menos desenvolvidos para se juntar à lista de países de renda média, de acordo com os critérios estabelecidos pela comissão de política de desenvolvimento do Desa, tendo em conta macro-indicadores económicos e sociais alcançados nos últimos anos.
Para o efeito, foi criada por decreto presidencial uma comissão multissectorial que está a trabalhar em estreita colaboração com os fundos relevantes, agências e programas do sistema das Nações Unidas.

Reconhecimento
Os índices de desenvolvimento registados por Angola permitiram que o Conselho Económico e Social das Nações Unidas tenha considerado o país elegível para exclusão da lista dos países menos avançados, a partir de 2015, disse recentemente em Quito o presidente da Assembleia Nacional.
Fernando da Piedade Dias dos Santos, ao discursar na 128ª Assembleia Geral da União Interparlamentar, que decorreu na capital do Equador, disse que tal foi possível porque ao assumir, em 2000, o compromisso com os objectivos do desenvolvimento do milénio, o Estado angolano estava consciente dos grandes desafios a enfrentar para obter, em pouco menos de uma década e meia, avanços significativos na qualidade de vida da população.
Frisou que o Executivo promoveu níveis suficientemente fortes de desenvolvimento, num ambiente onde prevaleciam os efeitos de um longo período de instabilidade.