O acesso às telecomunicações e novas tecnologias de informação deve estar facilitado para ajudar a transformar o panorama de desenvolvimento do país, com vista a imprimir uma nova dinâmica à economia nacional.
Esta posição foi defendida pelo ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, quando intervinha, no painel que se debruçou sobre a “Partilha de infra-estruturas como meio de redução de custos e expansão dos serviços”, apresentado no workshop promovido pelo Instituto Angolano das Comunicações (INACOM), realizado, recentemente, em Luanda.
Durante a sua intervenção, o governante desafiou os operadores do sector a apostarem cada vez mais nos vários recursos postos à disposição pelo Executivo angolano, com vista a melhorar os serviços.
José Carvalho da Rocha enumerou as várias infra-estruturas disponíveis, quer as do sector que dirige, bem como de outros ramos, mas que podem ser aproveitadas pelos operadores, nomeadamente a utilização dos cabos da rede nacional de transporte de electricidade, o sistema de abastecimento de água da Epal, o sistema de comunicações dos três caminhos-de-ferro (CFL, CFB e CFM) que utiliza a fibra óptica, que podem ser uma mais-valia para o sector das telecomunicações.
Para ele, uma vez bem aproveitados estes equipamentos, os operadores do sector das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação poderão reduzir os avultados investimentos em equipamentos que têm sido feitos.
O ministro entende que a partilha de equipamentos, nesta fase difícil em que está a atravessar a economia nacional, devido às escassez de divisas, pode ajudar também a minimizar as dificuldades na importação de alguns produtos.
Apesar de reconhecer que já existe alguma partilha de alguns equipamentos por parte dos operadores, o governante defende uma maior cooperação para que os custos nos equipamentos não torne os serviços demasiado caros ao consumidor final.
Frisou que no quinquénio 2017-2022, o seu pelouro dará uma atenção especial no segmento da partilha das infra-estruturas. Quanto a formação, o responsável adiantou que o Executivo tem primado pela qualidade dos serviços, através da aposta na formação de recursos humanos assim como na instalação de infra-estruturas, como é o caso do centro de satélite, localizado em Luanda, que é um embrião no ramo da formação de quadros para o sector.
Por sua vez, o director nacional das tecnologias (órgão afecto ao Ministério das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação), Pedro Mendes de Carvalho, encorajou os operadores a partilharem as infra-estruturas, medida que poderá ajudar na melhoria da qualidade dos serviços, dada a intervenção de várias empresas num mesmo espaço.
Ao intervir no tema “papel da partilha de infra-estruturas na redução de custos e expansão inovação dos serviços”, revelou que a partilha das infra-estruturas também tem vantagens no retorno dos investimentos, porque os custos serão “repartidos”, tendo para isso, destacado que a ela, deve ser equiparada.

Qualificação da mão-de-obra

Para o assessor de relações internacionais do Instituto Nacional das Telecomunicações do Brasil, Leonardo Maia, a formação de recursos humanos “altamente” especializados no sector das TIC, pode trazer um valor “acrescentado”.
Convidado para dissertar o tema “Desafios de formação e criação de competências no sector das TIC”, o especialista brasileiro destacou que a evolução crescente das áreas, faz com que os operadores estejam cada vez mais munidos de instrumentos para fazer face ao mercado competitivo.
“Tem-se visto um aumento acentuado na indústria relativo aos futuros passos para a tecnologia 5G com foco em uma sociedade perfeitamente conectada por volta de 2020 e além, que reúne pessoas juntamente com coisas, dados, aplicativos, sistemas de transporte e cidades em um ambiente de comunicações em rede inteligente”, revelou.
Sublinhou os avanços que Angola tem registado no sector das tecnologias, com a criação do instituto superior para as tecnologias de informação e comunicação bem como outras instituições de ensino.
Realçou também as bolsas para estudantes que o Governo angolano tem disponibilizado, com vista a tornar o sector dinâmico e actuante.

Indicadores

Dados apresentados pelo censo geral da população e habitação de Angola, realizado em 2014, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que dos 25. 789. 024 habitantes, um total de 7.803.810 com cinco ou mais anos tem acesso ao telefone móvel.
Um total de 2.119.946 de habitantes com 5 ou mais anos tem acesso a internet e 2.060.989 com 5 ou mais anos tem acesso ao computador.
Cerca de 37,5 por cento da população usa telemóvel e 9,9 usa computador além de que 10,2 usa internet.
Durante o workshop que analisou os desafios do sector das telecomunicações e tecnologia de informação, foram debatidos temas ligados ao “Desafios de formação e criação de competências no sector”, “Partilha de infra-estruturas como meio de redução de custos e expansão dos serviços” assim como “Desafio da monitorização dos indicadores de desenvolvimento do sector”.
Participaram operadores do sector, exército nacional, universidades entre outras instituições.