Na perspectiva de reduzir a sinistralidade rodoviária em Luanda, e garantir uma travessia segura nas estradas,o Executivo angolano implementou um projecto virado à construção de pedonais nos pontos mais críticos.
O último programa incidiu na construção de 104 pedonais novas, somando as construídas em tempos idos com custos altos.
Contudo, as infra-estruturas estão a ser vandalizadas, reduzindo a vida útil das mesmas. Muitas delas se converteram em pequenas praças,pois durante o dia dificultam os peões. “ Dá medo passar por ali há empurrões a noite”, desabafa um cidadão.
O JE fez uma ronda pelas pedonais que foram construídas na estrada de Catete.
O primeiro “choque”, tivemo-lo na pedonal que permite a travessia do lado da praça dos Congoleses, para o Bairro Popular.
Há uma azáfama daquelas! Triste cenário! Vende-se roupa, alimentos, bijutaria, tem de tudo que não devia lá estar. Até zungueiras também lá estão, para poder passar é um aperto daqueles. É um “Deus nos acuda”.
“ Por favor posso passar?!” Esta é a pergunta notável e frequente quando alguém pretende passar para o outro lado. Os ladrões, e delinquentes fazem das passagens os seus pontos de concentração”.
Maria Rosa é uma das vendedoras na passadeira, justifica que por cima da passagem aérea, alegadamente, há muita clientela. Porém, foi imediatamente reprovada por alguém que pretendia ir para o outro lado.
Na condição dela estão muitas, apenas arredam o pé quando notam a presença da polícia ou dos agentes de fiscalização.
Outro mal ocorre nas pedonais do Município de Viana, os motoqueiros (kupapatas) carregados de gente fazem à ponte, com todos os riscos possíveis. Parece cenas de filmes, mas é vida real.
Coisas de “loucos”, justificam aqueles que usam este método para encurtar o tempo. Podemos apreciar esta manobra em plena hora 12 da passada segunda-feira.
Interpelado pela nossa reportagem, um dos motoqueiros que apenas se identificou por Abel disse: “ Faço isso para poupar o tempo se der à volta perco muito tempo”.
A famosa ponte amarela, localizada também em Viana, a partir das 13 horas, supera muitos pequenos mercados espalhados por Luanda. Os comerciantes estendem tudo que têm para vender no solo da ponte e deixam apenas uma pequena passagem para duas pessoas, um cruzamento difícil.
Seguimos viagem para o Cacuaco, nada muda! É tudo a mesma coisa, a confusão começa logo, na subida. Frutas, legumes, alimentos, vestuário estão onde não devem.
Juliana Bunga vende no local iguarias compradas no mercado do 30. Revende tudo debaixo da ponte. A sua irmã gêmea também vende sobre a ponte. No espaço menos “confortável”.
Uma fonte ligada à administração refere que já foi feito apelo para as pessoas deixarem o local, caso não se cumpra, outras medidas serão tomadas para pôr fim à situação.
O nosso trabalho continua. Fomos parar ao bairro do Rocha Pinto. O cenário repete-se. Presenciámos alguma chamada de atenção às vendedoras. Alguém apelava a procurarem espaços adequados onde não se corram riscos. As palavras parece serem levadas pelo vento. Ninguém arreda o pé. O negócio, independemente das circunstâncias, está em primeiro lugar. E lá fomos observando a naturalidade como quem vende e quem compra vivencia a realidade forjada nas pedonais. Que não são agradáveis, já se sabe. Como mudar o quadro?, eis a questão. A verdade é que, e repita-se, as pedonais estão transformadas em locais de vendas, colocando para o segundo plano a sua função original.
E como não se vive apenas de notícias menos boas, surgem também as boas de facto. Nas pedonais da Samba e imediações do Aeroporto, as coisas mudam de figurino. O vento não levou os conselhos. Estes foram ouvidos. Suponhamos. A informação sobre a insegurança foi acatada. As pedonais continuam a ser passagem aéreas para peões.