A ministra das Pescas e do Mar, Maria Antonieta Baptista, afirmou que é necessário reverter o quadro de pesca excessiva e outras práticas nocivas que num passado recente permitiram a sob-exploração de alguns recursos pesqueiros, diminuindo o potencial de pesca e danificando o habitat.
Ao discursar no acto de abertura do I Conselho Consultivo daquele órgão ministerial, que decorre na cidade de Moçâmedes, província do Namibe, Maria Antonieta Baptista apontou como solução a implementação de medidas que permitam ajustar a capacidade de pesca à disponibilidade dos recursos, de modo a assegurar a longo prazo uma actividade de pesca com rendimento máximo sustentável.
“Pelo facto, urge a necessidade de reorganizar o sector, usando cada vez mais as tecnologias de informação e comunicação, e educando as populações”, disse, considerando que neste tipo de processo é normal que haja necessidade de replanificar as acções, em função do contexto.
“Queremos fazer um apelo especial às associações de pescas, cooperativas e empresários para se comprometerem com a causa do Ministério das Pescas e do Mar, combatendo todas as acções de sabotagem, situação que geralmente acaba aumentando o preço do pescado no mercado nacional”, referiu.
Saudou os resultados da Operação Transparência no Mar. Na ocasião, anunciou que o Banco Africano de Desenvolvimento abriu uma linha de financiamento para projectos das pescas e indústria, estando o Ministério das Pescas e do Mar disponível para emitir cartas-conforto para os empresários interessados.

Balcão On-line
O Ministério das Pescas e do Mar vai continuar a desempenhar as suas funções relacionadas com a inspecção das embarcações, no sentido de habilitar ao exercício legal da actividade de pesca as embarcações que reúnam as condições técnicas e higieno-sanitárias adequadas e que não afectem o limite de esforço da biomassa.
De acordo com a titular da pasta, o processo de licenciamento será obrigatório a todos os operadores e aos interessados em exercer actividade de pesca e outras conexas inscreverem-se no Ministério das Pescas e do Mar via balcão on-line para sua legalização.
Por sua vez, o presidente da Associação de Pescas do Namibe, Hilário Esteves, referiu que os operadores locais tiveram algumas dificuldades em apresentar, em tempo oportuno, alguma documentação que o balcão on-line exige, mas considera que por se tratar de um processo novo, o desempenho do próprio balcão vai melhorando.

Produção do sal
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Sal, Odílio Silva, realçou que a adesão de Angola à zona de comércio livre dará largas vantagens ao país pelo facto de estar numa zona privilegiada do ponto de vista do mar, referindo que o oceano atlântico oferece muito boas condições para a produção de pescado e de sal.
“Neste aspecto, estamos em grandes vantagens em relação aos demais países da região, por isso temos responsabilidades muito grandes”, considerou.
O empresário afirmou que neste momento, Angola está com uma capacidade de produção de 120 mil toneladas de sal por ano.
“Em dois anos, se as coisas correrem bem do ponto de vista de financiamento ao sector, estaremos em condições de atingir pelo menos as 200 mil toneladas de sal por ano”, disse.