A partir de agora, os pescadores passam a contar com apoio financeiro do programa de crédito agrícola de campanha extensivo ao sector das pescas, cujo acto de lançamento aconteceu, recentemente, na cooperativa “Kilamba Kiaxi”, município de Cacuaco em Luanda, pela secretária de Estado das Pescas, Maria Antónia Nelumba.

Numa primeira fase, o ambicioso projecto, que tem como principal parceiro o Banco Sol, será implementado em 36 municípios já identificados, com um forte pendor na produção pesqueira.

O projecto prevê beneficiar pescadores agrupados em cooperativas, ou grupo solidário de cinco a seis pescadores que habitam na mesma comunidade. No acto de lançamento um total de 70 pescadores ligados à pesca artesanal marítima beneficiou do kit.

Estratégia
Ao usar da palavra, Maria Antónia Nelumba lembrou que no âmbito das acções de combate à fome e à redução da pobreza nas comunidades piscatórias, o Executivo angolano tem vindo a desenvolver um conjunto de medidas para atingir os objectivos de desenvolvimento.

Nesta conformidade, foi introduzido no crédito agrícola de campanha o subsector da pesca artesanal, tendo sido também, redefinido o papel dos comités locais de pilotagem e a concessão de garantias pelo Ministério das Finanças aos bancos operadores.

Para o efeito, existem duas linhas de financiamento, nomeadamente o crédito agrícola de campanha com o montante que vai até 500 mil kwanzas e o crédito de investimento que atinge os 50 milhões.

Segundo informou, o primeiro crédito tem a taxa de juros de 2 por cento e o segundo, cujo montante disponibilizado pelo Executivo angolano é equivalente a 125 milhões de dólares (16,8 mil milhões de kwanzas) será canalizado para os bancos comerciais para financiarem os sectores da agricultura, pecuária e pesca.

Este valor, disse, será repassado aos bancos operadores à uma taxa de juros de 4,5 por cento com um período de carência de até 48 meses e com maturidade de 180 meses.

“Para se ter acesso ao programa, os pescadores devem ter as suas licenças de pesca em dia e devem estar enquadrados e agrupados numa cooperativa ou num grupo solidário de entre cinco a seis pescadores, que habitam na mesma área ou comunidade piscatória”, informou a secretária de Estado das Pescas, Maria Antónia Nelumba.

Produção
No seu pronunciamento, a governante destacou o grande potencial existente a nível do país para a exploração de recursos pesqueiros não só do litoral como também do interior, onde mais de 25 mil angolanos se dedicam a pesca artesanal marítima e continental.

Com estes números, acrescentou, muito mais pessoas se podem dedicar a aquicultura comunal bem como ao cultivo de peixe, aumentando assim o volume de produção do pescado para o consumo interno e para a exportação.

Actualmente, o nível de capturas da pesca artesanal marítima é de cerca de 120 mil toneladas e o da pesca continental está fixado em 36 mil.

“O potencial da pesca artesanal marítima e continental bem como o desenvolvimento da aquicultura comunal podem também contribuir para a diversificação da economia, permitindo a produção para a exportação de produtos semi-processados e peixe salgado seco com vista a arrecadação de divisas que tanta falta fazem neste momento em que se regista a sua diminuição motivada pela brusca queda do preço do petróleo no mercado internacional”, salientou.

Ganhos
Convidada a proferir algumas palavras, a vice-governadora de Luanda para Área Política e social, Jovelina Imperial, pediu aos beneficiários que aproveitarem no máximo os recursos materiais e financeiros que receberam.

Já o administrador do município Cacuaco, Carlos Alberto Cavuquila, frisou que os beneficiários devem cumprir com as cláusulas do crédito bancário contraídos para que os outros também possam beneficiar.