A baixa capacidade na área da sua pesquisa agrícola e veterinária continua a ser um importante impedimento para o desenvolvimento deste importante sector agro-pecuário.

Com o objectivo de enfatizar o papel central da agricultura no país e o progresso para acelerar o desenvolvimento de capacidades, o Governo de Angola assinou, em Janeiro de 2014, um acordo para a implementação de um projecto de cooperação Sul-Sul com a empresa brasileira de pesquisa agro-pecuária (EMBRAPA) e a Organização das Nações Unidas Para Alimentação e Agricultura (FAO), para fortalecer a capacidade de pesquisa e inovação dos Institutos de Investigação Agronómica (IIA) e Veterinária de Angola (IIV).

Importância
O Executivo angolano anunciou uma série de medidas no domínio agrário: irrigação, construção de equipamentos eléctricos, criação de centros de formação, pesquisa e transferência de tecnologias, entre outros.

O projecto de fortalecimento da capacidade de pesquisa e inovação cuja duração é de dois anos, está estimado em 3 milhões de dólares americanos (362 milhões de kwanzas) financiados pelos Governo de Angola (2,2 milhões de dólares americanos) e pelo Brasil (800 mil), equivalente às horas técnicas de especialistas da Embrapa dedicadas ao projecto). Foi rubricado na Embaixada da República de Angola em Roma, em Janeiro de 2014, pelo Ministério da Agricultura (MINAGRI), através do representante permanente da República de Angola junto das Agências das Nações Unidas em Roma, embaixador Florêncio de Almeida, pela FAO e pela Embrapa, no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul entre Angola, Brasil e a FAO.

As actividades do primeiro ano de implementação do projecto consistiram na materialização da primeira sessão de capacitação (formação de formadores) dos profissionais do IIA e do IIV em conceitos e metodologias de formulação de estratégias e elaboração de planos directores no domínio da investigação agrária.

Outras etapas da primeira componente do projecto foram a realização de workshops e seminários para análise de ambiente externo e interno, construção de cenários da agricultura e inovação tecnológica, workshops de elaboração preliminar da estratégia da inovação em agricultura, veterinária e transferência de tecnologias e preparação dos planos directores para os dois Institutos de Investigação.

Cooperação
De acordo com o plano de trabalho para o primeiro ano do projecto, a última actividade tem lugar em Julho do corrente ano e consiste num workshop final de validação da estratégia da inovação e transferência de tecnologias nos domínios da agricultura, veterinária e dos seus planos directores.

A coordenação das actividades do projecto, gestão, supervisão e avaliação é feita em paralelo com as outras componentes desde o início do projecto implementado conjuntamente pelo Minagri, FAO e Embrapa.

De realçar que o workshop de lançamento do projecto teve lugar no dia 15 de Maio de 2014, nas instalações do IIA na localidade da Chianga, arredores da cidade do Huambo.

A primeira sessão de formação pela Embrapa, dos investigadores do IIA e IIV ocorreu em Julho de 2014, na cidade do Huambo. Em Outubro do mesmo ano, realizou-se na mesma cidade a segunda sessão de capacitação dos investigadores nas áreas de formulação de planos estratégicos de pesquisa de planos directores análise de ambiente interno e externo, entre outros.

Ainda no âmbito da capacitação de quadros, uma equipa conjunta constituída por investigadores dos Institutos de Investigação Agronómica e Veterinária de Angola e um especialista da sede da FAO, em Roma, deslocou-se, no mês de Março de 2015 ao Brasil, onde teve lugar na sede da Embrapa, em Brasília, uma sessão de formação e posteriormente visitas aos centros especializados do Brasil.

Foram visitados os centros de investigação do milho, massambala e massango, o de gado de leite e corte (produção de carne) e o de soja. Actualmente, as actividades de investigação na área agronómica em Angola estão centradas nas estações experimentais na província do Huambo (centro do país) que dispõem de infra-estruturas e equipamentos de laboratórios e de Malange (Norte).

O Instituto de Investigação Agronómica dispõe ainda de outras 7 estações experimentais, situados na Cela, província do Cuanza Sul, Quilombo (Cuanza Norte), Mazozo (Luanda), São Vicente (Cabinda), Humpata (Huíla), Cavaco e Alto Capaca (Benguela) e uma florestal da Sacaala na província do Huambo. Foram também criados os programas de investigação em solos e nutrição de plantas, economia e sociologia rural, pastos e forragens.

A investigação na área de veterinária dispõe de 7 (sete) laboratórios regionais de veterinária (LRV) situados nas províncias de Cabinda, Malange, Cuanza Sul (Wako Kungo), Luanda, Huambo, Benguela e Huíla (Lubango).

A exploração agro-pecuária, como outras lançadas no país, quer simbolizar a renovação do sector agrário angolano e permitir o desenvolvimento de uma produção nacional capaz de substituir as omnipresentes importações de produtos agro-
-pecuários de outros países africanos, da Europa e do Brasil.

Meta
O Governo angolano estabeleceu a meta de 2017 para alcançar uma produção anual de 2,5 milhões de toneladas de cereais (contra cerca de um milhão actuais) e 20 milhões de mandioca (15 milhões actualmente), mas também quer cobrir 60 por cento do seu consumo de frango e reduzir a 15 a parte do leite importado.

Para isso tem sido vital o auxílio da FAO e da Embrapa que operam em Angola na senda dos já longos anos de cooperação existentes entre estas instituições.