ISAQUE LOURENÇO

Os esforços do Governo em colocar à disponibilidade das populações uma rede eléctrica que responda em qualidade e capacidade aos níveis de crescimento e de consumo eléctrico da cidade continuam. No plano gizado pela Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda (EDEL) constam a cobertura total da cidade até ao ano de 2012.

Todavia, a cidade capital vem assistindo também desde o início da década de noventa, um fluxo migratório muito grande, o que, de resto, motivou o surgimento de vários bairros novos e aumentou a extensão habitada de Luanda.

Entre os novos assentamentos populares destacam-se os municípios de Viana e Kilamba Kiaxi. Aliás, estes dois concentram grande parte das populações que chegaram à cidade capital e que, na altura, procuraram segurança nos centros urbanos, ante o clima de instabilidade militar que o país vivia.

Já é ponto assente que cerca de 60% da população luandense vive em áreas periféricas e, nestes lugares, devido à sua estruturação, alguns serviços básicos funcionam de forma deficiente.

São todos estes novos ajuntamentos populares que crescem diariamente, que clamam também, cada vez mais, por melhores ofertas nos serviços básicos. Na lista de prioridade: a água e a luz eléctrica lideram as necessidades.

Esforços continuam

Recorde-se que em 2009, a EDEL e a USAID procederam ao mapeamento dos municípios de Viana e Kilamba-Kiaxi, onde em projecto-piloto desenvolveram o Programa de Suporte à Electrificação em Angola (PSEA), avaliado em USD 2,4 milhões e financiado pelo Banco de Fomento Angola (BFA).

Já no seu programa de até 2012, o Executivo traçou a meta de fornecimento em 60% para as zonas periurbanas, 100% para as zonas urbanas e 30% para as zonas rurais, em todo o país.

Esta pretensão do Governo, levou-o a aplicar um programa de reforma no sector da energia eléctrica que abrange as cadeias produtivas do país, levando mesmo ao reforço das capacidades técnicas e humanas das empresas do sector, nomeadamente, Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda (EDEL) e a Empresa Nacional de Electricidade (ENE), que passaram a contar também com o concurso de empresas de prestação de serviços para auxiliar na melhoria do fornecimento e controlo da energia, conforme pretendido.

Investimentos

Cerca de USD 300 milhões é quanto a EDEL investiu nos últimos dez anos, o que lhe permitiu alterações significativas na estrutura do seu sistema eléctrico. Assim, ela passou de uma demanda de 286 MW, em 2007, para 372 MW até 2008.

Mas, porque a demanda de oferta é ainda muito menor que a procura, as fontes alternativas, no caso específico, os geradores transformaram-se, em alguns pontos da cidade, na fonte primária de fornecimento de electricidade.

Foi este cenário que encareceu os geradores, aumentou a demanda por combustíveis, nos postos de abastecimento, onde por regra encontram-se enormes filas de pessoas com respectivos recipientes e não poucos os que com o depósito ou o próprio gerador, carregado em carros-de-mão, tudo fazem para se beneficiarem deste bem indispensável, que é a luz eléctrica.

Manutenção

Os geradores alimentam casas domiciliares, empresas de pequeno, médio e grande porte e chegam mesmo a alimentar bairros inteiros, em determinados pontos.

Com preços variáveis (ver pág. 6 e 7), os geradores também são uma fonte de despesa no orçamento das famílias além, claro, do perigo que representam para o ambiente, pois na sua maioria são poluentes com bastante queima de combustíveis para a atmosfera e a própria sobrevivência das famílias.

No sistema oficial (bombas de combustíveis), o litro de gasolina custa kz 40.00. Já no informal, ele custa cerca de kz 80 a 100.00 por litro, dependendo do local de compra. Para o gasóleo, o preço oficial é de kz 29.00 e no informal ele custa perto de kz 50.00.

Segundo apuramos, os geradores gastam, em média diária, mais de 40 litros para a gasolina e metade para o gasóleo, o que permite aferir que para se sustentar um gerador, o indivíduo precisa de desembolsar kz 1.600 ou 3.200 dia, o que multiplicado pela média de 30 dias totalizam kz 48.000 ou até mesmo os 96.000, no caso da gasolina.

Já quem possui um gerador diesel desembolsa em média a metade de quem possui um gerador a gasolina. A grande diferença é que os geradores a gasóleo (diesel) são mais caros no mercado e de maior exigência na sua manutenção técnica.

Medidas de precaução são exigidas no manuseamento

A utilização dos geradores, muito frequente, resultado da baixa oferta de electricidade pela rede pública oficial, transporta consigo algumas insuficiências, sobretudo, quando da sua utilização indevida.

Até hoje, os geradores já foram responsáveis pela morte de famílias inteiras por insuflação do fumo proveniente destes. Os números das perdas humanas e materiais já são bastante consideráveis.

Porém e enquanto servirem de fonte primária de abastecimento de electricidade, as casas de inúmeras famílias, casas estas que nem sempre apresentam as condições de arejamento suficientes para permitir o funcionamento de geradores em seu redor, estas pessoas continuarão expostas ao perigo.

Há ainda o grave problema da poluição ambiental causada por estas máquinas, além da poluição sonora que pode afectar o comportamento auditivo e até mesmo psicológico dos indivíduos, de acordo com opiniões colhidas.

Mas, o certo é que eles continuam mesmo a venda nos armazéns das proximidades e a preços muito concorridos. Os cálculos dos perigos e prejuízos financeiros e humanos fazem-se sempre no fim pois, no imediato, o que se pretende é ver resolvido o seu problema de luz para a sua residência, empresa ou área de serviço.

Leia mais sobre o assunto na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana , já nas bancas