A construtora Tecnovia Angola prevê concluir as obras da ponte sobre o rio Cambamba, em substituição da “ponte molhada”, no troço Talatona/Benfica, no município de Belas, em Luanda, até ao mês de Junho.

Em declarações ao JE, o director de obras especiais da empresa Tecnovia Angola, João Cortesão, destacado na obra, disse que actualmente decorre a fase que contempla a construção do tabuleiro e dos muros ala, cuja conclusão está aprazada
para finais de Abril.

“A partir de Maio pretendemos começar com a beneficiação da estrada. Esta obra não se limita só à construção da ponte, contempla também, a pavimentação de 637 metros de pavimentação e inclusão de drenagem”, destacou.

Características
Orçada em cerca de 970 milhões de kwanzas, a nova infra-estrutura contará com 275 metros de comprimento, subdividos em 92 metros de tabuleiro, 92 para muros no encontro do lado de Benfica e 91 em aterro no encontro do lado de Talatona (concordância entre a estrada existente e a nova ponte).

A nova empreitada terá também cerca de seis metros de altura em relação à “ponte molhada”, e igualmente um tabuleiro com nove metros de faixa de rodagem, dois passeios com 1,5 metros de altura, bem como para as duas vias.

Prevê-se que em casos de cheias extremas (situação de catástrofe natural) tenha condições para suportar a designada em termos de projecto como “cheia dos 100 anos” (obtido através de cálculo estatístico e probabilístico).

O também engenheiro revelou que oportunamente o tráfego será suspenso nos dois sentidos (Talatona/Benfica) para inserção da nova ponte no traçado da actual via de comunicação, situação que até ao momento conseguiu ser evitada através de um esforço conjunto da Direcção Nacional de Infra-Estruturas Rodoviárias, órgão afecto ao Ministério da Construção, que é dono da obra, com o empreiteiro.

“Em parceria com a Direcção Nacional de Infra-Estruturas Rodoviárias, será comunicado atempadamente o encerramento do tráfego rodoviária na zona, para a inserção da nova ponte na rua da vala, e o trânsito está a passar por cima de estacas da nova ponte onde de futuro serão os muros-ala”, anunciou.

João Cortesão informou que a ponte molhada ainda existe, por uma questão de faseamento na construção da nova ponte.
“Concluída esta fase, ela será totalmente demolida. Está a se fazer uma nova ponte, que substituirá integralmente a antiga. Ela nunca mais será molhada, sendo em caso de ocorrência de cheia certamente um lugar seguro e seco”, ironizou.

Segundo destaca João Cortesão, a actividade da Tecnovia em Angola, foi iniciada em 1992, posteriormente fundou-se a Tecnovia Angola construtora de capitais mistos (Angola/Portugal) sendo esta uma peça fundamental na estratégia de globalização do grupo, opera em todo o território angolano, e procura contribuir para o desenvolvimento do país.

Além de Angola, o grupo conta com empresas em Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Marrocos e Equador.
O também engenheiro mecânico com uma pós graduação em construção frisou que a ponte sobre o rio Cambamba, será a primeira infra-estrutura do género que a empresa ergue em Angola, apesar de ter informado que o grupo Tecnovia tenha já desenvolvido diversos projectos similares noutros mercados onde está inserido.

“Para nós, isso não é novidade. Já utilizamos esta tecnologia que estamos a usar em vários mercados, como por exemplo em Portugal, Marrocos”, disse.

Mercado
O especialista entende que o mercado angolano é bastante competitivo e interessante, a julgar pelas inúmeras obras que estão em curso e pelo número de empresas nacionais e estrangeiras envolvidas nestas empreitadas.

Para ele, dada a dinâmica do mercado, as empresas do sector da construção civil têm de continuar a primar pela execução de obras de qualidade, “num mercado cada vez mais competitivo e exigente”.

“Em Angola crescem muitas obras de betão, infra-estruturas rodoviárias, mas ainda assim, tem faltado algum trabalho técnico, principalmente nos segmentos de desnivelamento das vias de comunicação, tipo de obra que a Tecnovia Angola tem know-how para ajudar a solucionar”, revelou.

O especialista acredita que apesar de o país estar a passar por um período “menos bom”, resultante da queda do preço do petróleo no mercado internacional, ainda assim, os projectos de melhoria das condições de vida das populações terão o seu curso.

“Angola tem várias valências para continuar a sua dinâmica de crescimento, apesar da queda do preço do petróleo no mercado internacional. Esta é uma obra muito importante para o Governo de Angola, já que não houve a suspensão da obra, o que faz com que a Tecnovia se comprometa com a sua execução e que se cumpra o adjudicado”, salientou.

Mão-de-obra
Cerca de 35 trabalhadores, sendo 30 angolanos e cinco expatriados garantem neste momento a execução da empreitada, contudo em breve haverá um reforço.

“Apostamos na qualificação da mão-de-obra nacional, transmitindo know-how para que no futuro, possam ser uma mais-valia para a nossa empresa e para o nosso grupo, não só aqui em Angola, como também noutras partes do mundo, onde pretendemos nos inserir, sendo desejável o intercâmbio de técnicos de várias nacionalidades”, revelou João Cortesão, que é quadro do grupo Tecnovia há 24 anos.

Execução
As obras da construção da ponte têm como empreiteiro a construtora Tecnovia Angola, e como empresa fiscalizadora a Rodrisol (consultoria e projectos).