Apesar de as inscrições estarem também disponíveis via “on line”, o dia marcado para o início das pré-candidaturas dos 560 lotes de terreno, nas mais variadas funções (habitação, escritório e outros serviços), registou uma enchente considerável de muitos cidadãos (jovens e velhos) que madrugaram, para junto dos escritórios da Empresa de Gestão de Terrenos Infra-estruturados (EGTI), na Centralidade do Kilamba, em Luanda, poderem fazer a pré-candidatura.
É o caso de Oliveira Chizumbi, que apreensivo dada a enchente, destacou que o processo é positivo, mas carece de muita informação.
Motivado a solucionar o “bicudo” problema habitacional, que assola principalmente a camada jovem, o interlocutor entende que, apesar dos terrenos estarem acessíveis, os preços deviam ser estipulados em kwanzas e não em dólar e
com uma taxa ao câmbio do dia.
“A referência do preço dos terrenos não devia ser taxada ao câmbio do dia nem em dólar”, destacou, tendo apelado à empresa para rever a situação, fazendo um estudo de mercado para ajudar “os jovens”.
Por sua vez, Mariana Manuel, moradora do Bairro Neves Bendinha, no município do Kilamba Kiaxi, esteve no primeiro dia de inscrição, no escritório da Egti do Kilamba, para concretizar o desejo de morar
num lugar mais “urbanizado”.
“Aqui, os terrenos já estão urbanizados, terei a oportunidade de fazer a vivenda dos meus gostos num lugar cómodo”, frisou.
O desejo de Mariana Manuel é comprar um lote para construir uma casa, mas entende que os preços que estão a ser praticados e taxados ao dólar podem“afastar muitos clientes”.
“Não podemos nos basear no dólar. O nosso país não tem como moeda o dólar, mas sim o kwanza. Aliado a esta fase de crise, com salários que já não respondem o real custo de vida, penso que os preços são muito altos nem toda gente poderá
conseguir”, desabafou.
Júlia Madalena Jacinto é uma jovem feliz. Natural da Lunda Norte. É também funcionária pública. Revela que o seu sonho é viver num lugar já urbanizado, com água e luz, bem como com facilidade na circulação, apesar de viver, actualmente na baixa de Luanda, na Mutamba.
O rosto diz tudo. Sorridente, a jovem conseguiu a inscrição. “É uma alegria ter conseguido, para poder realizar o meu sonho”, disse.
Júlia pretende comprar dois lotes para poder construir uma casa e um estabelecimento comercial para poder
fazer o seu pequeno negócio.
“Pretendo fazer casa e um pequeno empreendimento para poder vender e desenvolver um negócio, já que gosto de ser uma empreendedora e, nestes lugares já urbanizados, as coisas têm muitos clientes”, destaca.
Quanto aos preços dos terrenos, Júlia Madalena Jacinto entende que são acessíveis, a julgar pelo período dado para o pagamento.
“Com a fé em Deus e com trabalho, cinco anos é um bom tempo para pagarmos os terrenos. Vamos conseguir. O Estado quando dá esta oportunidade temos de aproveitar”, sublinha.
A pré-escrição, que iniciou na passada terça-feira, pode ser feita via electrónica “on line” (igti.gov.ao) ou de forma presencial, nos escritórios da empresa nas centralidades do Kilamba ou no Sequele (Luanda).

Preços ajustados
A reformulação da diminuição dos preços dos terrenos agradou alguns operadores do sector imobiliário.
Tal é o caso do vice-presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), Cléber Corrêa, que falando à imprensa, à margem do lançamento do projecto, destacou positiva a diminuição dos preços dos lotes, que dos 314 dólares por metro quadrado, passaram para 115, tendo em conta a valência de cada tipologia.
O responsável da Apima destacou que anteriormente, a organização profissional já tinha apresentado o seu ponto de vista.
“Os preços praticados naquela altura estavam muito fora daquilo que era o contexto económico. Espero que a reacção do mercado seja positiva”, sublinhou.

Missão
A Empresa Gestora de Terrenos Infra-estruturados (EGTI, E.P.) é uma Empresa Pública criada em Março de 2015, por Decreto Presidencial nº 58/15, que tem como objectivo atender a necessidade de instituir uma estrutura empresarial encarregue pela administração de forma mais racional dos terrenos infra-estruturados do domínio público e privado do Estado angolano.
A nível da província de Luanda, para além do Kilamba e Sequele, os terrenos a serem comercializados estão localizados no Sambizanga, Boavista, Mussulo, Futungo, Camama, Zango e KM 44.

560 lotes estão disponíveis

A Empresa de Gestão de Terrenos Infra-estruturados (EGTI) tem, desde a passada terça-feira, disponível 560 lotes nas mais variadas funções, nesta primeira fase, para a sua comercialização.
Anteriormente vendidos ao preço de usd 314, o metro quadrado, agora está fixado em 115, tendo em conta a valência de cada tipologia.
O administrador para a Área Técnica da Egti Tilson Gouveia, afirmou no acto de lançamento do projecto, que os terrenos para uso misto registam uma redução no preço de 30 por cento, para habitação multilateral (40%), igual percentagem para saúde, ensino (55%) e a habitação unifamiliar (65%).
O responsável garantiu que os clientes vão beneficiar de todo o apoio técnico, mesmo apresentando apenas o interesse em adquirir os lotes sem projectos em vista. O pagamento dos terrenos pode ser realizado com um período de carência que varia entre três e 12 meses e em prestações mensais que variam de seis meses a cinco anos.
Por exemplo, o comprador terá de pagar entre 60 e 69 mil dólares, equivalentes a kz 31 milhões, por um terreno de 20/30 metros quadrados.

Sustentabilidade urbanística
Por sua vez, a ministra do Ordenamento do Território e Habitação, Ana Paula de Carvalho, disse que os preços praticados pela empresa Egti reflectem todas as condições de habitabilidade e as regras de sustentabilidade urbanística.
“Os terrenos prontos a construir têm na mira mais de 20 cidades de 12 das 18 províncias do país”, destacou
Os terrenos estão localizados em Luanda, Cabinda, Uíge, Lunda Norte, Bié, Huíla, Benguela, Namibe, Moxico, Cuanza Sul, Huambo e Bengo.