O porto de Cabinda, no quadro da sua política de responsabilidade social, criou o projecto de sustentabilidade de apoio às cooperativas para o combate à fome e à pobreza, numa acção que visa aumentar a renda familiar e o auto-emprego.
O acto de lançamento do projecto de sustentabilidade do Porto de Cabinda aconteceu na semana passada, na aldeia do Mbuela, afecta à regedoria do Tando-Palo, município do Cacongo.
Para o sustento deste projecto, a empresa portuária conta com a parceria do Banco Sol, para o financiamento das cooperativas agrícolas, com o projecto de micro-crédito, denominado “Bumetchia” que significa em português “Já Amanheceu”, com um valor global de dois milhões de dólares norte-americanos.
Numa primeira fase, o projecto vai beneficiar 10 cooperativas agrícolas das aldeias do Muanafula (Cabinda), Mbuela, Buco Socoto e Pessesse (Cacongo), Caio Panzo e Kungo Chonzo (Buco-Zau), Nsaka, Massamba e Maluango Zau (Belize), para o cultivo de hortaliças, leguminosas, mandioca, banana, batata doce, inhame, macoco e a aquicultura.
As cooperativas vão ter o prazo de 15 meses para fazer o reembolso dos valores a receber que vão rondar entre os mil a 10 mil dólares americanos por cada membro da cooperativa.

Crédito agrícola
No acto, a cooperativa agrícola do Tchimanha que ocupa uma área de 53 hectares, composta por 35 famílias, recebeu do Banco Sol o montante de 52 milhões de kwanzas para melhorar a sua produção.
O presidente do conselho de administração do porto de Cabinda, Nazareth Neto, disse que, a empresa que dirige no âmbito da sua política de responsabilidade social vai continuar às populações em vários sectores da actividade económica e social para o desenvolvimento de Angola.
Segundo avançou, a par deste programa, o Porto de Cabinda vai construir um viveiro florestal, um mercado de peixe e apoiar as populações das zonas longínquas em parceria com vários sectores de Estado e privado do país.
O presidente do Conselho de Administração do Banco Sol, Coutinho Nobre Miguel, revelou que a sua instituição é parceira do Executivo angolano, no quadro da estratégia da diversificação da economia, bem como do fomento e da promoção do sector empresarial nacional.
“O povo angolano é trabalhador e conhece os seus valores para sair da pobreza, não precisamos de pedir esmolas, porque temos força, inteligência, energia, capacidades para criarmos o rendimento nacional e fortificarmos as famílias, bem como o progresso da nossa economia. A banca tem o papel importante de contribuir para o bem estar das famílias e para rentabilidade das empresas”, disse, assegurando que, o micro-crédito a conceder as cooperativas agrícolas vai transformar radicalmente a vida das populações.
“Com este crédito que vamos conceder de 52 milhões de kwanzas a cooperativa do Tchimanha da aldeia do Mbuela, o que significa que existe sinais visíveis de transformação da vida real das famílias”, frisou.
Segundo adiantou, o investimento vão “crescer na medida em que a vossa produção vai aumentado de níveis. Aqueles que tiverem dificuldades de ordem familiar ou por razões de qualquer cultura que não tinham tido sucesso devem dirigir-se aos balcões do Banco Sol instalados nesta província para beneficiarem de créditos”.
O gestor bancário disse que a sustentabilidade do programa depende do reembolso dos valores por parte dos agricultores, o que significa dizer que, todas as pessoas beneficiárias devem dirigir-se aos balcões do Banco Sol para pagarem o crédito para a instituição continuar a conceder créditos a outras famílias de outros municípios de outras província do país.
Coutinho Miguel afirmou que o Banco Sol possui produtos destinados para pessoas de baixa renda que por razões diversas não têm garantias reais, patrimoniais, pessoais e que não podem estar excluídas do sistema financeiro angolano.

Preocupação
As principais dificuldades que os agricultores do país enfrentam, em cada campanha agrícola, têm a ver com a carência de locais próprios para a conservação dos produtos e dos meios de transporte para o escoamento das mercadorias do campo para os mercados, que têm estado a afectar os níveis de cultivo, colheita e de comercialização.
Para a agricultora Maria Nzuzi, 54 anos, da cooperativa do Tchimanha, que se dedica ao cultivo do alface, repolho, pepino, tomate, melancia, cenoura, cebola, feijão verde, mandioca, batata e banana, a produção tem sido excelente, mas, a grande dificuldade tem sido o escoamento e dos locais próprios para conservação dos produtos.
“Os nossos produtos são comercializados no mercado do S. Pedro, mas, devido a existência de muita mercadoria vendemos pouco. As vezes os produtos estragam e afecta na comercialização. Temos vontade de produzir, mas queremos mais atenção das autoridades. Com o crédito do Banco Sol a nossa produção vai aumentar.
Queremos máquinas e meios para acelerar a actividade agrícola”, disse, acrescentando que as cooperativas do Cacongo querem tornar o município como o maior centro da agricultura na região.
O agricultor João Gime, 35 anos, que cultiva tomate, banana, mandioca, pimento e outras culturas, disse que as famílias camponesas da aldeia do Mbuela têm vontade de maximizar a produção agrícola, mas a maior preocupação tem a ver com a falta de máquinas agrícolas e meios de transporte para o escoamento das mercadorias.
“O apoio financeiro do Banco Sol vai ajudar-nos dinamizar a nossa actividade agrícola, por isso, peço as outras instituições bancárias a seguirem o exemplo do Banco Sol”, disse.
José Sumbo, 45 anos, que dedica-se ao cultivo do alface, tomate, mandioca, referiu que a sua produção tem sido excelente o que tem garantido a dieta alimentar da sua família. Segundo ele, uma parte da sua produção é comercializada para o sustento da família e de garantir o ensino dos filhos.
“A minha produção tem sido excelente, mas o único problema tem a ver com os meios de transporte dos produtos para comercialização”, destacou.

Iniciativa apreciada
Na ocasião, o secretário de Estado da Agricultura, José Amaro Tati, referiu que o seu pelouro vai ser parceiro do projecto para auxiliar a empresa portuária de Cabinda na aquisição de sementes e outros instrumentos agrícolas para que as cooperativas consigam caminhar e desenvolver as suas culturas.
“Pedimos os beneficiários do programa do micro-crédito do Banco Sol que sejam responsáveis no reembolso dos valores que receberem para permitir que outras cooperativas da província e do país sejam beneficiárias do projecto”, esclareceu.
Por sua vez, a governadora de Cabinda, Aldina Matilde Catembo, louvou a iniciativa do porto de Cabinda, tendo destacado que o projecto vai permitir melhorar as condições de vida das populações camponesas da região.