A província do Namibe passa a ter um porto mais moderno com maior capacidade de atracagem e movimentação de navios e de mercadorias.
Segundo o ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, que falava à margem da inauguração da segunda fase do projecto de reabilitação e modernização do Porto do Namibe, que terminou no mês de Maio, não obstante as grandes interferências das marés, devido ao facto de ser um porto de águas abertas e sem protecção, com a reabilitação completa do cais, será possível introduzir novos e mais modernos meios de descarga/gruas móveis.
Esta medida, avançou, vai permitir que a infra-estrutura portuária triplique os movimentos no cais e a consequente diminuição dos tempos de escala, de uma média de quatro a cinco dias de operação, para um dia de operação
por cada mil contentores.
“Este Porto, anteriormente, já esteve virado à economia desta e das províncias da Huíla, do Cuando Cubango e Cunene. Com o término da segunda fase vamos ter, de certeza, aqui no Namibe, um Porto em posição de concorrer com os seus similares mais próximos, respondendo ao crescimento da demanda, que se avizinha com a retomada da exploração mineira e o incremento da produção agrícola nesta região”,
assegurou o ministro.
A nível do sub-sector marítimo-portuário tem vindo a estudar a possibilidade de replicar, nos demais portos nacionais, o modelo de gestão de terminais, como acontece no porto de Luanda.
Fruto deste investimento, no porto do Namibe, espera-se que possam colocar-se na grelha de partida, investidores privados nacionais e ou estrangeiros, com capacidade financeira e conhecimento, quando se decidir lançar os concursos.
Ricardo D’Abreu disse precisar atingir e ultrapassar a cifra de seis milhões de toneladas/ano dos anos 70, porque “o nosso objectivo é claro e o potencial continua a existir”.
A infra-estrutura, aliada ao projecto de desenvolvimento integrado da Baía do Namibe, que também é financiado pelo Governo japonês, para além de darem, num futuro breve, um novo rosto à cidade de Moçamedes, vão proporcionar o reforço da capacidade local de transporte, segurança e eficiência no manuseamento das cargas.
Prevê-se, também, a redução dos custos do frete, aumento das receitas e taxas portuárias, bem como o crescimento do valor do porto e maior atractividade de embarcações de grandes dimensões.

Desenvolvimento da região
Na ocasião, o governador provincial do Namibe, Carlos da Rocha Cruz, destacou a localização da província detentora do porto comercial, um considerável activo estratégico para o desenvolvimento da região Sul por ser a porta mais importante de entrada e saída de mercadorias.
Para o governante, a cerimónia que marca o culminar da segunda fase do projecto de modernização do porto do Namibe e que contemplou a realização de 240 metros de cais e a pavimentação da parte de contentores, está alinhada com a necessidade “permanente” de elevar os níveis de operações de carga nos terminais e tornar mais competitivos em relação aos portos da região.

Cooperção económica

O embaixador plenipotenciário do Japão acreditado em Angola, Hironori Sawada, disse que, o seu país contribuiu para este projecto com um financiamento de 60 milhões de dólares por fornecimento de obras e serviços “com qualidade” no sector privado japonês, através da TOA Corporational, entre outros.
Garantiu, que o Japão continuar a cooperar no Namibe, onde a mesma empresa japonesa está envolvida no projecto de desenvolvimento integrado da Baía do Namibe com financiamento do Japão, e mais uma vez com a TOA Corporation, a empreiteira, para expansão do terminal de contentores do porto do Namibe e a reabilitação do porto do Saco-Mar.
Antes do porcesso de construção e modernização do cais, a unidade portuária movimentava por hora de oito a 10 navios.
Com as alterações da segunda fase são esperados 30 a 35 movimentos de navios por hora. A capacidade actual é de 1.700 TEUS. Depois das obras passa para 2.700 TEUS, verificando-se um aumento de 1.000 TEUS de capacidade. Também vai-se verificar um aumento de ligações frigoríficas/RF, de 25 para 100 tomadas.