O preço do cimento, que constitui um dos principais materiais de construção civil, regista uma acentuada subida. Actualmente, o saco está a ser vendido a 2.330 kwanzas em vários mercados informais da província de Luanda, contra os anteriores 1.300, representando uma subida na ordem dos cerca de 90 por cento.
No passado, o saco de cimento de 50 quilograma chegou a ser vendido a 900 kwanzas, possibilitando muitas pessoas obterem no mercado formal e informal, o material necessário para a construção da casa própria ou um imóvel qualquer.
A reportagem do JE percorreu alguns locais de venda do material de construção civil, onde constatou a subida dos preços, principalmente o cimento. Barato também não estão outros materiais.
Por exemplo, um contraplacado de dois metros, vermelho, chega a custar em média 6 mil kwanzas e a preta, com as mesmas medidas custa oito mil. Um atado de 9 ripas é comprado a nove mil kwanzas, na razão de mil por cada unidade.
Um saco de 25 kg de cimento cola custa 1.200 kwanzas, contra os 800 anteriores, representando uma subida de 40 por cento. Por um rolo de malha-sol de 50 metros o interessado paga 60 mil.
No mercado “11 de Novembro”, no distrito urbano de Talatona (Luanda), notou-se um movimento “fraco” de clientes ou compradores.
Uma vendedora de malha-sol, identificada por Francisca Kiala, conta que houve uma baixa acentuada na compra do material, assim como os preços actuais não encorajam ir à fonte para a obtenção de mais mercadoria destinada a revenda.

Contrariamente ao passado, explica, o negócio era o “El dourado”, hoje é um problema que provocou o despedimento de três jovens que trabalhavam com ela.
O mesmo cenário, repete-se no mercado da madeira, onde podemos verificar que um varão de 8 metros que custava 700 kz passou para 1.500 . Um tubo de (30mm) subiu para 3 mil contra metade do preço anterior, enquanto o inferior de (25mm) vai até 2 mil.
No mercado do Kikolo, município de Cacuaco, também visitado pela nossa reportagem, deparamo-nos com um movimento de pessoas e viaturas em pouca escala. O material existe em grandes quantidades, mas o movimento de compra baixou.
Por exemplo, Katia Raquel, vende acessórios para casa de banho, uma torneira de mistura custa 10 mil kwanzas, uma sanita de baixa qualidade é vendida a mais de 20 mil, mais 6 mil em relação a 5 meses atrás.
Do outro lado da barraca está um jovem conhecido por Lay, que vende electrobombas. O preço depende da potencia de cada, onde uma de seis cavalos custa 65 mil com outras a custarem acima de 100.
A nossa ronda abrangeu também as lojas que comercializam material, sancas, tintas, lâmpadas, fios para instalação eléctrica.
Os preços são elevados nas referidas casas. Fadic Mohamde, proprietário de uma delas não consegue justificar o motivo da subida.

Investimentos

Uma fonte ligada a Produção do Cimento revelou que, as fábricas não alteraram os preços praticados do produto que vão de 525 à 600 kwanzas. As necessidades do mercado em termos de cimento estão avaliadas em 4 milhões de toneladas/ano.
Numa altura em que a substituição das importações pela produção nacional mobiliza os agentes públicos e privados que intervêm nos mais diversos sectores da economia, o Executivo angolano, através do Ministério da Indústria, garantiu, recentemente, que há novos investimentos no sector, que vão permitir elevar a capacidade instalada de produção de clinquer de 4,8 milhões de toneladas
para 7,9 milhões anuais.
Para terminar definitivamente a importação de clinquer no país, a produção contará com a concorrência da Cimenfort Industrial e da Nova Cimangola. As duas unidades fabris produzirão cerca de 3,1 milhões de toneladas anuais de clinquer, chegando aos 4,8 milhões de toneladas produzidas actualmente.
Consta que das cinco unidades fabris em funcionamento no país, apenas duas produzem clinquer. A fábrica de cimento do Cuanza Sul, com capacidade para 1.330.000 toneladas de clinquer por ano e da China Internacional Fund (CIF), que produz 3,6.

Produção

Importa recordar que o Decreto Conjunto nº 15/14, de 15 de Janeiro, proíbe a importação de cimento em Angola, com excepções para três províncias fronteiriças (Cabinda, Cunene e Cuando Cubango), cada uma com uma quota de importação de 150 mil toneladas.
O documento, prorrogado recentemente pelos ministros da Economia, Indústria, Comércio e Construção, justifica a decisão com os avultados investimentos no sector, feitos nos últimos anos. O decreto realça que a capacidade de produção de cimento instalada em Angola ronda os oito milhões de toneladas.