A retoma do comércio dos produtos do campo ganha, aos poucos, espaço ao longo das estradas nacionais número 230 e 120, esta última que liga as províncias de Luanda, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Huambo e Bié.
Em determinados pontos da estrada, dezenas de lavradores se concentram e vendem os seus produtos. Há de tudo um pouco, e com fartura, desde verduras, batata-rena e doce, frutas, legumes, carne, peixe do rio, milho, mandioca e outros.
Os preços são de longe inferiores se comparados com os praticados no mercado de Luanda. Aliás, o cliente ali sim “manda”. As primeiras mostras de que a agricultura familiar assegurada por cerca de 90 por cento da população tem consistência começa na localidade do Dondo, no Cuanza Norte.

Muita fruta e peixe
Um grande aglomerado de pessoas entre crianças e adultos perfilam num ponto onde turistas e viajantes fazem paragem para degustar os saborosos pratos da terra.
É visível uma grande exposição de produtos do campo como a banana e laranja e com apenas 200 kwanzas é possível comprar uma bacia de laranja de aproximadamente 2 quilos, na capital o mesmo preço dá para duas laranjas. Um cacho de banana custa no máximo 500 kwanzas, quando no mercado de Luanda vale em média 2 mil.
Salta à vista um homem na casa dos 50 anos, pelo aprumo como aborda os compradores. Identifica-se pelo nome Bernardo Bangala gere uma grande extensão de bananal e os poucos recursos financeiros disponíveis impossibilitam-no de escoar o produto.
Sete pessoas estão sobe sua alçada e são pagas em função da venda do produto. A escassos metros está o Jovem Jaquelino Garcia que faz da pesca o seu ganha-pão. Por cada Bagre daqueles que dá para alimentar uma família de três pessoas cobra 500 kwanzas, tem na bacia muito peixe, só estão em falta compradores.
À medida que nos afastamos de Luanda o preço dos alimentos baixa ainda mais. No município do Waco kungo no Cuanza-Sul, nas paragens de autocarros e táxis, muita gente monta posto para vender o produto do campo. Há evidencias de que a produção da campanha passada
começou a dar resultados.
Maleca Cassova com criança às costas carrega à cabeça uma bacia de ananás e cobra 150 kwanzas por cada unidade, admitindo discussão no preço como acontece com outra vendedora ao lado, com o mesmo produto e quase do mesmo tamanho e vende a 100 kwanzas.
Uma outra ganha o dia a vender batata-rena, amealhando 400 Kwanzas por cada bacia de 10 quilos vendida contra os mais de 1 500 praticados em Luanda.
Na pequena praça que surgiu a volta da paragem, o nível dos preços deixa boquiabertos os potenciais compradores.
O quilo de feijão custa 250 kwanzas, uma galinha 1.800 kwanzas, um quilo de fuba de milho 150, Bombo 100 kwanzas. Com 100 kwanzas pode se comer fruta suficiente e 500 Kwanzas compram uma bacia de tomate de três quilos.
Alguns comerciantes provenientes de Luanda aproveitam o baixo preço para comprar os alimentos e revendê-los na Capital.
Um jovem identificado por Juca alerta que conhece um camponês com uma área de 3 hectares cultivada de feijão.
“ Tem muito feijão o tio de um amigo meu”, a concorrência logo desponta e o jovem recebe promessas de dinheiro caso se concretize o acto.
Um técnico da agricultura denuncia que o feijão em muitos casos é comprado na lavra durante o cultivo.

Feijão comprado na fase do cultivo
“Muitos comerciantes, com destaque para os nossos irmãos do Congo que compram o feijão ainda na fase da plantação ocupam grandes extensões e na fase da colheita só vêm controlar a colheita e posteriormente vender no país vizinho a preços altos “
Á beira da estrada que liga a província do Cuanza-sul ao Huambo, o cenário é o mesmo. De dia, tarde e noite há gente a vender alimentos. Do alto Hama, Bailundo, Tchicala Tcholohango, Catchiungo e no Huambo a venda de alimentos é certa. Os preços estão ao alcance de todos.
Contrariamente, as localidades que ficam atrás, há muito milho, fuba, batata-rena, cabritos, porcos, galinhas, mel em grandes quantidades e preços baixos. Por exemplo, um quilo de fuba de milho pode custar 90 kwanzas, bombo 80 kz, um cabrito com bom porte 9 mil kwanzas, um litro de mel mil kwanzas contra os 2.800 praticados no mercado informal de Luanda.
Alfredo Camati está a vender cabritos e feijão e conta que tem tomate a estragar na lavra por falta de mercado. Habitante do Bailundo, conta que milhares de produtores estão na sua condição. Cassinda Chivali bem ao lado, reforça a opinião do seu colega. “ Há tanta comida aqui e não temos compradores”, disse.
No Huambo fome é sinonimo de ser “ preguiçoso” porque rege os costumes que, além de ser funcionário ou trabalhador de uma determinada empresa, há quase que uma obrigatoriedade de ter uma parcela de terra para cultivar.
O mesmo se encaixa na região do Bié, onde com 300 kwanzas o interessado tem uma bacia de batata-rena. Dois ovos da galinha “gentia” (nacional) com alta qualidade nutritiva custam 100 Kwanzas, com o mesmo preço, compra um repolho de quase dois quilos. Um cabrito a sete mil kwanzas, uma galinha 1.200, um quilo de feijão manteiga 250 kwanzas, contra os 500 cobrados em Luanda. A fruta está ao alcance de todos e uma bacia de manga custa em média 100 kwanzas que representa o valor de uma manga em Luanda.
O preço da batata rena é ainda mais baixo no Bié, visto ser cultivada em toda a extensão do município do Chinguar apelidada de “Rainha da Batata”.
O pequeno agricultor Abrão Vissese tem uma parcela onde cultivou quantidades elevadas de verduras, e batata na localidade do Kuquema. “Tenho batata a estragar, localmente não temos compradores”, frisou.
Dentro dos mercados do Cuito os preços são baixos, há possibilidade de se ter um alimento todos os dias à mesa. Com 500 kwanzas o cidadão tem uma refeição com base na cesta básica.