O ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, recebeu recentemente, uma delegação dos Camarões, chefiada por Belle Amougou Dieudonné, representante do processo Kimberley naquele país africano. Entre outros assuntos, o encontro passou em revista os projectos que Angola tem, no âmbito do processo Kimberley, numa altura em que o país assume a vice-presidência.
À saída do encontro, o chefe da delegação camaronesa disse que a cooperação entre os dois países, no sector das minas, com particular realce nos diamantes tem sido benéfica.

“Viemos para Angola adquirir alguns conhecimentos em matéria das minas, tendo em conta que Camarões  ainda é um país principiante neste processo de exploração de diamantes”, explicou Belle Amougou Dieudonné.

Quanto aos desafios que são esperado durante a vice-presidência de Angola no processo Kimberley, aquele responsável destacou que sendo um país com longa experiência no sector dos diamantes, o mandato será coroado de sucessos.

Cooperação
Para o coordenador executivo da comissão nacional do processo Kimberley, Paulo Mvika, o encontro entre as duas delegações serviu para a troca de informação entre peritos dos dois países.

“Os Camarões querem absorver conhecimentos ligados ao processo Kimberley, controlos internos,   rastreio de diamantes da mina até à exportação, para desencorajar o financiamento de conflitos”, revelou.

O responsável sublinhou ainda que dentro da sua estratégia, Angola defende a continuidade na credibilidade do processo Kimberley por se tratar de um mecanismo da Organização das Nações Unidas, que visa a prevenção de conflitos, garantindo que os diamantes produzidos sirvam para a  prosperidade dos países exportadores/produtores. 
    
“A África deve-se livrar dos conflitos, apesar de muitos deles, não serem motivados pela exploração dos diamantes, mas este bem precioso, torna-se num mecanismo para  os alimentar”, assegurou.
 
Projectos estruturantes
O Ministério da Geologia e Minas perspectiva para este ano, o arranque do Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO), que num prazo de três a cinco anos, comesse a captar investimentos estrangeiros, em estreito cumprimento das obrigações inseridas no processo Klimberley.

Entre outras medidas, o Planageo prevê ajudar a relançar as dificuldades que algumas empresas do sector dos diamantes e do ferro continuam a enfrentar, com realce aos projectos de Kassinga e de Kassala Kitungo. Consta também das prioridades dos Planageo, a criação de condições na exploração mineira em Angola e consequentemente na arrecadação de receitas para o Estado, na criação de emprego e desta forma, ajudar a combater a fome e a pobreza.

O sector vai continuar a trabalhar para captar investidores, bem como dará a conhecer o potencial angolano. Prevê-se a divulgação de forma massiva do Planageo e o quadro regulador da actividade mineira no país, que se quer uma potência regional.

Potencialidades
Mais de 1.500 kimberlitos, foram  identificados em Angola durante um estudo efectuado, nos últimos anos, pela empresa de exploração de diamantes, Alrosa, que também detém acções na Sociedade Mineira de Catoca, que na Lunda-Sul, considerado o quarto maior kimberlito do mundo a céu aberto.

De acordo com dados avançados, das mais de mil ocorrências kimberlíticas identificadas, apenas três constituem minas em fase de exploração, entre elas a mina de Catoca, que representa 87 por cento da produção de diamantes em Angola, estimada em 11 milhões de quilates.

A Sociedade Mineira de Catoca trata 135 milhões de metros cúbicos de estéril, cerca de 187 milhões de toneladas de minério, na ordem de 6,7 quilates por tonelada.

Além da exploração de diamantes, na Lunda-Sul e Lunda-Norte, estudos apontam para a existência de diamantes nas províncias do Moxico, Bié, Malanje e Kuando-Kubango, regiões onde já existe uma produção artesanal significativa.