Taxistas que fazem o transporte de passageiros na cidade do Sumbe, capital da província do Cuanza Sul, decidiram, recentemente, aumentar o preço da corrida de 50 kwanzas para 100, por cada passageiro, devido ao aumento do preço dos combustíveis, facto que provocou transtornos à população.

Para contrapor a situação, a direcção provincial dos Transportes, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, através da cooperativa “Cooperauto”, colocou recentemente quatro autocarros, que terão a tarifa de 50 kwanzas por corrida, para facilitar a movimentação da camada estudantil e de populares.

O director provincial dos Transportes, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Sebastião Daniel Neto, esclareceu que num encontro onde participaram responsáveis da Polícia Económica, Finanças e representantes dos taxistas do Sumbe, concluiu-se que “a percentagem aumentada nos transportes não justificava o aumento da corrida do táxi”.

O responsável explicou que informados os órgãos centrais sobre o assunto, a situação “ se manteve com o preço ditado pelos taxistas o que fez com que se colocasse à disposição dos passageiros quatro autocarros para cobertura das linhas no casco urbano com um horário que vai das seis às 23 horas/diárias.

Face à medida tomada, os taxistas sem nenhuma “persuasão” baixaram o preço da corrida para os anteriores 50 kwanzas, o que satisfaz a população urbana.

Sebastião Daniel Neto considerou preocupante a situação dos transportes públicos na província, sobretudo nos grandes centros urbanos onde se vive com acuidade esta carência, porque o crescimento exponencial das respectivas cidades carece da oferta de transportes de públicos.

“A ausência de empresas públicas de transporte penaliza sobremaneira as populações mais vulneráveis na sua mobilidade diária, tendo em conta a distância entre os distintos bairros da cidade”, assegurou o responsável.

Actividade
Sebastião Daniel Neto confirmou que, desde 2009, o transporte inter-municipal e interprovincial de passageiros está a contribuir para o desenvolvimento da província, bem como a atrair várias empresas a investirem neste segmento.

É o caso das cooperativas SOEGT e Cooperauto, ambas sedeadas no Sumbe, LBAMJ, da GABELA, Libolense no Calulo e JMBO, em Porto Amboim. Destas cinco, apenas três (Cooperauto, LBAMJ e JMBO), exercem a sua actividade nos 12 municípios da província.

No entanto, a Cooperauto é a única que pratica o transporte interprovincial com linhas a partir do Sumbe/Huambo/Benguela/
/Kuito e Luanda, com uma passagem que vai até 6.000 kwanzas.

As cooperativas SOEGT/Cuanza sul e Libonense, devido à má gestão financeira, entraram na falência. Para garantir a actividade procedeu-se ao licenciamento de concessionários singulares que possuem um total de 73 viaturas acrescidas a outras oito das cooperativas Omesseno Yetu e a COOPACVEP com apenas três viaturas que cobrem Sumbe/Kassongue e Porto Amboim/Ebo.

O responsável deu a conhecer que o transporte regular de passageiros no casco urbano da cidade do Sumbe é feito por 153 viaturas licenciadas, pertencentes a concessionários singulares, ao passo que o urbano é exercido por 119 veículos com rotas da cidade aos bairros periféricos.

O serviço de praça possui 34 viaturas ligeiras com uma capacidade de até nove lugares que operam do Sumbe/Zâmbia/Sumbe/ /Quicembo e Sumbe/Cuacra.

Táxi jovem
O responsável revelou que no âmbito da política do Estado do fomento automóvel, em três anos, o Governo constituiu no Sumbe três cooperativas as quais foram atribuídas um total de 20 viaturas ligeiras confortáveis em cinco lugares, algumas paralisadas devido a avarias e outras inoperantes por possível falência.

De acordo com Sebastião Daniel Neto, a província também conta com um transporte rural, constituído por 12 autocarros de 36 lugares com capacidade para suportar quatro toneladas de carga diversa do qual beneficiam os municípios do Seles, Conda, Kilenda, Ebo, Mussende e Kassongue.

O responsável solicitou aos órgãos competentes para exercerem uma rigorosa fiscalização e a consequente penalização aos taxistas que circularem em áreas onde não estiverem credenciados, tendo acrescentado que “todas as viaturas estão distribuídas por áreas”, no entanto, registam-se constantes transgressões.

Satisfação
Os cidadãos da cidade do Sumbe estão satisfeitos com a medida do governo provincial de colocar autocarros à disposição das pessoas.

Ana Maria, residente no bairro Frimar no Sumbe, estudante da escola 14 de Abril, mostrou-se satisfeita com a medida da direcção dos transportes de introduzir um autocarro para aquele bairro que nunca foi servido por um único táxi.

Ela acrescenta que para aquele bairro apenas vão motoqueiros, vulgo kupapatas que cobravam até à sua escola 400 kwanzas, ida e regresso, facto que dificultava a sua deslocação.

Por seu turno, Albertina Vitória, residente no bairro Estaleiro, vendedora no mercado da feira no Chingo, visivelmente satisfeita, disse que esta medida vai reduzir os gastos que anteriormente fazia nas suas deslocações., visto que “50 kwanzas é um bom preço”.

Estão associadas à actividade de transporte de passageiros as operadoras Macon, SGO e a TCUL. A actividade desta última desenvolve-se em trânsito nos troços Luanda/Huambo (via Quibala) e Luanda/ Benguela (via Sumbe).

A transportação de passageiros nos grandes centros urbanos também é assegurada por motoqueiros, vulgo kupapatas, que apesar de serem os que provocam acidentes, são preferidos por atingirem áreas onde os táxis não têm acesso.