O representante da União Nacional dos Camponeses Angolanos (UNACA) no Bié, Mariano Sassoma, augura boa safra de cereais e batata-doce, na presente campanha agrícola, tendo em conta a regularidade das chuvas e a dedicação dos camponeses.

O responsável referiu que se prevê colheitas satisfatórias a nível da província, fundamentalmente de milho, arroz, mandioca, batata rena entre outros produtos, tendo em conta à regularidade das chuvas, associada ao empenho dos camponeses, apoio do Governo com a distribuição de fertilizantes e outros insumos agrícolas.

Para Mariano Sassoma, das visitas efectuadas em algumas cooperativas e associações de camponeses, recebeu informações que indicam uma boa colheita.

"As chuvas estão a cair com regularidade e os camponeses engajaram-se na preparação da terra para a produção agrícola, o que tudo indica que haverá boas colheitas este ano", sublinhou.

Controlo

Na província do Bié estão registadas 55 cooperativas e 418 associações de camponeses e todas contam com o apoio do Governo em insumos e imputs.

Os produtos agrícolas cultivados na província do Bié têm como principais mercados as províncias de Luanda, Moxico, Benguela, Lundas Norte e Sul, Uíge e Zaire.

Preços baixos

A baixa significativa dos preços dos produtos agrícolas, com realce para o feijão, que se regista nos últimos meses nos mercados rurais dos municípios do Ândulo, Catabola e Nhârea, na província do Bié, está a permitir aumentar o poder de compra dos consumidores, afirmaram alguns
populares ouvidos pelo JE.

Helena Ngueve, de 62 anos de idade, residente na cidade do Cuito, disse que quando os preços estavam altos, muitos consumidores tinham dificuldades em comprar produtos nas quantidades pretendidas, por ter baixado o poder de compra.

Afirmou que há possibilidades de baixar ainda mais os preços dos produtos, facto que vai permitir igualmente a baixa de preço destes produtos noutros mercados que são alimentados pelos mercados rurais.

Por exemplo, disse, o feijão manteiga está a ser comercializado, actualmente por 150, 200 a 250 kwanzas o quilo, contra os 350 anteriores, enquanto que o repolho está a ser vendido a 50 kwanzas cada unidade.

Artur Chandenguele, 44, residente na província do Cuando Cubango é comerciante. Constatou que o feijão que "algum tempo mantinha o preço intacto, agora o quilo, deste produto, está a ser comercializado a 250 kwanzas, contra os anteriores 350", disse.

102 projectos agrários

são desenvolvidos até 2021

Mil milhões de kwanzas vão ser investidos em 102 subprojectos agrícolas, até 2021, em sete dos nove municípios do Bié, no âmbito do projecto do Mosap II, com vista a aumentar a produção, disse, recentemente, na cidade do Cuito, o coordenador do programa, Romeu Rosa.

Em declarações à Angop, o responsável referiu terem já gastos, desde o início do projecto em 2016, pelo menos 500 milhões de kwanzas em 31 subprojectos, com realce para a preparação de solos, distribuição de sementes, entrega de fertilizantes, bem como de juntas de tracção animal.

Até 2021, outros 71 subprojectos serão implementados, com destaque para o apoio às 257 escolas de campo, construção de infra-estruturas transformadoras (moagens), recuperação e construção de silos de milho, feijão, mandioca, soja, bem como de hortícolas, como o repolho e tomate.

O projecto permitiu a formação de técnicos agrários em matérias ligadas a questões ambientais "controlo de pragas", protecção de culturas, degradação dos solos e seus efeitos, métodos de controlo da erosão, doenças e pragas, entre outros.

Formação técnica

Na província do Bié, o Mosap II vai também promover formação destinada aos técnicos, sobre a introdução a protecção integrada de culturas e boas práticas fitossanitárias, métodos de controlo de pragas, procedimentos para o desenvolvimento para adoptar o manejo integrado de pragas, bem como o manejo adequado do solo, recuperação de terras degradadas e implantação de culturas em curva de nível.

O Mosap II é um projecto do Ministério da Agricultura e Florestas, implementado pelo IDA (Instituto de Desenvolvimento Agrário) e financiado pelo Banco Mundial, Governo de Angola e os próprios beneficiários, está a ser implementado nas províncias de Malanje, Huambo e Bié.

Aumentar a produtividade

Tem por objectivo aumentar a produtividade, produção e comercialização da colheita em pequena escala, com enfoque para as culturas da mandioca, milho, feijão, batata e hortaliças.

O projecto está a ser implementado nos municípios do Cuito, Camacupa, Catabola, Chitembo, Andulo Cuemba e Nhârea, com o envolvimento de 300 mil famílias. Ficaram de fora do projecto o Cunhinga e Chinguar.

Na campanha transacta, foram colhidas três mil toneladas de milho, um milhão e 120 mil quilogramas de feijão, no âmbito da implementação
do projecto.