Participantes das XV jornadas técnico-científicas da Fesa defenderam em Luandea a criação e desenvolvimento das infra-estruturas para fomentar as exportações.

Durante as XV Jornadas Técnico-Científicas da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), que decorreram de 21 a 23 de Setembro, em Luanda, sob o lema “A industrialização no actual contexto de desenvolvimento de Angola”, os participantes defenderam a necessidade de se aumentar a produção agro-florestal, como garantia de fornecimento de matérias-primas para a manufactura e sustentabilidade da indústria.

Segundo as recomendações do certame, o crescimento da renda da população passa “necessariamente” por uma política de industrialização sustentável e que se adapte a cada região do país, bem como identifique sectores prioritários para se reduzir as assimetrias.

Qualificação

Quanto à capacitação da mão-de-obra, o evento recomendou a elaboração de uma estratégia para a reforma do ensino superior no ramo das engenharias e de ciências tecnológicas para o aumento “substancial” de técnicos para a promoção da industrialização do país.

“É necessário adoptar uma estratégia nacional para a inovação tecnológica, a geração de conhecimento e garantir a sua transferência para a indústria e acrescentar valor aos produtos e serviços”, destaca.

Sobre o programa económico do Executivo, os participantes recomendaram que deve ser intensificada e apoiada a estratégia do Executivo, já que, nas suas linhas gerais, vai contribuir para o aumento do emprego e o rendimento nacional.

No domínio das parcerias público-privadas, os participantes recomendaram que os projectos devem ser consolidados e expandidos, com destaque para o petróleo, gás, produção de alimentos, indústria de transformação, energia, siderurgia, mineração, papel e celulose.

Banca

Para os participantes, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA deve conceber programas e produtos específicos em condições “excepcionais” para o financiamento da indústria.

“O banco de desenvolvimento deve induzir a industrialização do país através da participação e fundos de capital de risco de empresas emergentes e participar transitoriamente do capital de empresas estruturantes para fortalecê-las”, defendem.

Executivo empenhado

Convidado a encerrar as XV jornadas da Fesa o ministro da Economia, Abraão Gourgel, destacou que o Executivo está empenhado no processo de automização da economia angolana.

“Precisamos de redobrar esforços no sentido de se acelerar o processo de automização da nossa economia, eu diria mesmo endogeinização da actividade económica, visando reduzir mais rapidamente e de forma mais significativa a sua dependência em relação ao enclave petrolífero”, defendeu.

Deste modo, sublinhou, o programa macroeconómico que está em curso pretende alcançar, até 2012, o aumento da oferta interna de bens de consumo alimentares, industriais e bebidas, bem como atingir a auto-suficiência na produção de cimento e produtos de cerâmica.

“Noutros domínios, como produtos de aço para a construção civil e madeiras, cobrir pelo menos 50 por cento da procura interna e aumentar em cerca de 50 por cento a produção de material escolar, produtos químicos e plásticos”, anunciou.

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