O presidente da Associação da Indústria Cimenteira da Angola (AICA), Manuel Júnior Pacavira, disse ao JE que as cinco fábricas existentes no país apresentam um excedente de produção na ordem dos dois milhões e trinta mil toneladas de cimento por ano, já que a produção instalada é de oito milhões 30 mil toneladas por ano.
O excedente pode ser comercializado em países vizinhos e, neste momento, avançou a fonte, estão em curso negociações com as autoridades comerciais da República Democrática do Congo, para este absolver a quantidade em excesso. “Estamos agora com dificuldades de clientes que comprem o nosso cimento, daí termos urgência em encontrar solução”, disse.

Preocupação
A paralisação de algumas obras, o baixo poder de compra, o estado avançado de degradação das estradas nacionais são apontados como factores que bloqueiam a comercialização do cimento no país.
Estes factores estão também a dar vazão para que o cimento seja comercializado a preço alto, prejudicando os clientes e singulares que eventualmente pretendem fazer obras.
Por exemplo, referiu, “para o cimento chegar à Cabinda tem de ser por via marítima e quando chega ao porto, as taxas são altas. Isso faz com que, quando o produto chega, seja vendido a preços altos”.
As províncias do Cuando Cubango, Cunene e Huíla são outras localidades onde o presidente das cimenteiras considera que o preço de comercialização é elevado, por dificuldades na transportação.
O responsável aponta que a indústria cimenteira angolana cresceu exponencialmente nos últimos 14 anos, fruto das necessidades da reconstrução do país.

Parceria
A AICA revelou que um dos seus associados, nomeadamente a CIF, tem uma capacidade de produção de 3,6 milhões de toneladas por ano e a Cimangola com 1,8 milhões.
A Fábrica de Cimento do Kwanza Sul (FCKS) tem uma produção de 1,4 milhões, a Cimenfort, localizada no município da Catumbela (Benguela) tem uma produção de 1,4 milhões e a Sécil Lobito produz 260 mil toneladas por ano.
A capacidade instalada do Clinquer representa 6,4 milhões de toneladas. Até 2016, o cimento tinha atingido uma produção de 8 milhões de toneladas e, desde 2017, a cifra fixou-se em 8,6 milhões. Nos últimos quatro anos, a comercialização de cimento apresentou resultados pouco animadores, tendo alcançado 4,9 milhões de toneladas, em média.
Por exemplo, em 2015 foram comercializadas 5,1 milhões de toneladas, em 2016 em torno de 3,8, em 2017 baixou-se para 2,6 e, até o mês de Outubro passado, atingiu-se 2,2 milhões de toneladas.
O representante da associação revelou ainda que a nível da utilização dos equipamentos, em relação à capacidade instalada, verificou-se uma média de 61 por cento em 2014, subiu-se para 64% em 2015, em 2016 para 48% e, em 2017, baixou-se para 30 por cento.

Obras da ponte do Malweca estão condicionadas

Cinquenta milhões de kwanzas é o valor necessário para a construção da ponte do Malweca, que liga os municípios do Cazenga e Cacuaco, destruída pela chuva em Fevereiro de 2017, deu a conhecer o administrador do Cazenga, Albino da Conceição José. De acordo com o responsável, que falava à Angop, depois da visita efectuada para encontrar soluções para melhorar a circulação de pessoas e bens entre os dois municípios, o arranque dos trabalhos a cargo da Empresa Nacional de Pontes depende da disponibilização de verbas pelo Governo da Província de Luanda.
Segundo o administrador, foram cometidos erros técnicos na altura da construção da ponte do Malweca, com cerca de seis metros de comprimento, a qualidade do equipamento não terá sido a melhor, já que em pouco tempo parte da estrutura ficou danificada.
Albino da Conceição José disse ser necessário a construção de uma nova ponte, com maior dimensão, devido a importância da mesma para os moradores dos bairros comandante Bula e Malweca, nos municípios do Cazenga e Cacuaco.
Três empresas de construção de pontes foram solicitadas, duas apresentaram preços exorbitantes, no entanto optou-se pelo projecto elaborado pela Empresa Nacional de Pontes que foi remetido ao GPL, no valor de 50 milhões de kwanzas.