A componente energética da produção nacional ainda está aquém da dos principais parceiros da SADC, devendo-se tal facto às características dos equipamentos usados pelas unidades fabris em Angola. Esta posição foi assumida pelo ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, quando discursava no Fórum internacional sobre energias renováveis, realizado em Luanda, na passada quarta-feira, tendo sublinhado que Angola ainda não completou nenhum ciclo do processo de desenvolvimento energético, coexistindo no actual sistema de produção diferentes fontes de energia, com realce a térmica, hidroeléctrica e gás. “Existem sinais no sentido da introdução de certos ramos de energia renovável, atendendo ao que se julga serem as boas condições de Angola, como no caso da energia solar”, sublinhou. O Governo tem inscrito nos seus documentos reitores de política económica, medidas tendentes a construir uma base para o crescimento da produção de energias, mais limpas e menos atentatórias ao meio ambiente. Pedro Luís da Fonseca frisou que a diversificação da produção e das exportações em Angola, deve assentar numa lógica de aproveitamento de recursos naturais internos renováveis. Para ele, este processo deve ser uma fonte de crescimento endógeno potenciador de efeito contágio e captação de divisas através da venda ao exterior de cadeias de elevado valor acrescentado, num posicionamento estratégico de longo prazo, além de acautelar os stoks das reservas de hidrocarbonetos.

Peso do sector
Na ocasião, o ministro da Economia e Planeamento informou que o peso do sector energético no “cômputo” da produção nacional continuar a ter uma percentagem relativamente baixa, quando comparada com todos os demais sectores. “De acordo com as Contas Nacionais e demais informações macroeconómicas oficiais, está a falar-se de uma percentagem entre 2,5% e 3
na estrutura do PIB”, disse. Ainda assim, revelou, o Governo tem tomado este sector como estratégico para a recuperação das dinâmica de crescimento, da sua sustentabilidade e da sua contribuição para o aumento da produção e das exportações
não petrolíferas. “Os elevados investimentos no sector de energia têm contribuído para as elevadas taxas de crescimento deste sector, em média cerca de 12%, no período 2014 e 2017”, precisou.

Electrificar o Leste do país
pode custar USD 600 milhões

Os projectos de energia renováveis para electrificação da zona Leste do país estão avaliados acima dos 600 milhões de dólares, um valor global que o Estado espera ser suportado por investidores estrangeiros e nacionais, soube o Jornal de Angola, no Fórum Internacional sobre Energias Renováveis.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), Licínio Contreiras, pela ausência de linhas transportadoras de energia eléctrica a partir da rede do sistema Norte e Centro, a zona Leste do país não está ainda electrificada.
Neste momento, disse, existem dois projectos de grande dimensão, prontos para electrificação desta zona, avaliados cada acima dos 300 milhões de dólares. O primeiro, comporta a construção de cinco centrais, que vão produzir energia a base de sistema solar.
As centrais estão previstas para serem construídas em três zonas, nomeadamente no norte, incluindo Cabinda, centro e sul. O segundo projecto, consiste na produção de energia com base na inceneração de resíduos sólidos, a partir do aterro sanitário do Munlenvos, em Luanda. Os dois projectos vão produzir um total de 822 megawatt (Mw).

Preocupação
Por sua vez, o secretário de Estado para Energia, António Belsa da Costa, lamentou a realidade que vive a zona Leste do país, por causa das dificuldades no abastecimento de energia eléctrica, tendo referido ser maior preocupação do Executivo, para a sua rápida resolução.
O governante sublinhou que os acessos via terrestre são difíceis para o abastecimento de combustíveis “o que faz com que muitas das vezes temos feitos restrições de abastecimento durante o dia para fornecer energia eléctrica no período nocturno”.
Por estes motivos, prosseguiu “Estamos interessados que os investidores vão para o leste do país e façam os investimento em áreas que desejarem e, que possam retirar os seus rendimentos”, revelou. VJ