O abate indiscriminado de árvores para produção de carvão tem contribuído para devastação de áreas florestais no Cunene, afirmou o chefe da brigada provincial de Desenvolvimento Florestal, Abel Alcino Zamba.
Em declarações na passada segunda-feira à Angop, o responsável disse que na província não existe qualquer cidadão licenciado para produção e comercialização do carvão, mas a actividade é exercida de forma ilegal por camponeses.
Segundo Alcino Jamba, as vias Ondjiva/Xangongo, Cahama/Xangongo, Ondjiva/Cuvelai e a orla fronteiriça são as mais atingidas pelo abate de árvores para tal prática.
Referiu que a acção resulta do pouco poder financeiro de certas famílias que vivem do fabrico do carvão, mas que deve ser compensadas com o repovoamento de outras árvores.
“Devido às características da população, a produção e comercialização do carvão tornou-se numa das principais fontes de receitas de muitas famílias, uma vez que 75 por cento dos habitantes do Cunene residem no meio rural e tem por preferência o uso da lenha e do carvão como fontes de energia para cozinhar”, acrescentou.
Outro fenómeno, sustentou, deve-se ao abate de árvores como material de fabrico de residências, cerco de quintais, currais e grande dimensões de campo agrícola, fomentando a desflorestação.

Política de contenção
Apesar de ser uma exploração de subsistência, acrescentou que o IDF dispõem de uma política de contenção deste mal, através do trabalho desenvolvido em parceria com as autoridades tradicionais na sensibilização nas comunidades, através de palestras e encontros para consciencializar a população.
Afirmou que a melhor forma de gestão florestal é a reposição das plantas devastadas, de modo a contribuir para amenizar o ambiente e reduzir a quantidade de radiação que atinge o solo.
Acrescentou que tem sido difícil controlar o índice de transgressões florestais devido ao défice de pessoal qualificado, uma vez que o sector conta apenas com 13 fiscais para contrapor estas práticas.