Os agricultores da província do Huambo, com mais de 50 hectares e associados em cooperativas, aplaudem a iniciativa do Executivo, que visa a subvenção dos combustíveis, tendo realçado ser um factor decisivo para aumentar os níveis de produção agrícola.

A garantia foi dada por Abrantes Sequesseque, chefe do Gabinete provincial da Agricultura e Pescas no Huambo, que considerou ser de "extrema importância a subvenção dos combustíveis", porque, disse, "esta é uma das formas de auxiliar os produtores para que haja menos custos", o que torna "nossa produção mais competitiva com os países vizinhos", sublinhou.

"Já estamos a fazer o trabalho de casa. Vamos, dentro de dias, reunir com a Câmara dos Agricultores do Huambo para esclarecermos quais os critérios e os agricultores, com alguns equipamentos nas fazendas, como tractores, moto-bombas, geradores e outros meios agrícolas, que podem ser beneficiados, para, depois, pudermos estimar as quantidades de combustível que cada fazenda pode consumir", destacou.

Rigor

Os mecanismos de diferenciação de combustível agrícola, sobretudo a nível de fiscalização, defende Abrantes Sequesseque, devem estar bem afinados para se evitar que ao produto subvencionado seja dado outro destino.

Como exemplo, apontou a utilização em viaturas particulares e fins comerciais, correndo o risco do "mercado do Luvu começar outra vez a funcionar" com esta subvenção do Executivo angolano.

"Precisamos de afinar o mecanismo para a diferenciação de combustível agrícola, o chamado "gasóleo azul", porque se não "o agricultor vai ser subvencionado e abastecer a viatura ou o mercado do Luvu vai começar a funcionar outra vez.

O produtor sugere que a Polícia Nacional deve ajudar na fiscalização, interceptando e "punir os agricultores infractores".

O chefe do Gabinete da Agricultura e Pescas no Huambo revelou que o combustível subvencionado não será destinado para os camponeses, mas sim, para os agricultores com áreas superiores a 50 hectares.

Avançou que os com menos hectares serão atendidos, através de brigadas privadas mecanizadas, sob gestão indirecta do Ministério da Agricultura e Florestas.

Criação de brigadas privadas

Revelou que a nível das províncias serão criadas brigadas privadas de mecanização que vão ser subsidiadas por um sistema, controlado indirectamente pelo Ministério da Agricultura e Florestas.

Os agricultores com áreas de menos de 50 hectares não vão beneficiar do combustível subvencionado.

"É a partir desse sistema que os agricultores com áreas inferiores a 50 hectares também poderão beneficiar de preços mais acessíveis", clarificou.

Abrantes Sequesseque está convicto de que a implementação correcta dessa medida do Executivo, por parte dos agricultores, poderá contribuir para aumentar os níveis da produção agrícola em grande escala e estar em condições de competir com países vizinhos, numa altura que se estuda a possibilidade de Angola entrar na Zona de Comércio Livre da SADC.