ampliação dos espaços de lavoura para aumentar e diversificar a produção de alimentos continua a ser o principal propósito dos pequenos e grandes agricultores da província da Huíla, apesar das dificuldades em obter divisas face à crise económica que aflige os países exportadores do petróleo, segundo manifestaram dezenas de produtores.
A região conta com um grande potencial agrícola e pecuário, em que se destaca espécies como o milho, batata rena, feijão e frutas de alta selecção.
Constaram igualmente os produtos da indústria caseira com realce para o chouriço caseiro e outros derivados dos suínos.
Os morangos da Humpata, produzidos na fazenda Jamba, atraíram as atenções das pessoas que consideram o fruto como
raro e melhor à mesa.

Fazenda “Jamba” investe
O sócio gerente da fazenda Jamba, Yudo Borges, enalteceu os projectos que têm sido desenvolvidos pelo governo provincial da Huíla, promovendo o potencial agro-pecuário da região, dando imputs e criatividade aos produtores locais.
Yudo Borges explicou que existem um esforço por parte dos produtores da região, para transformar dezenas de hectares de terras aráveis em áreas de cultivo promissoras e em condições de diversificar a produção.
Na fazenda Jamba, disse, fez-se um novo investimento para se especializar na produção de morangos em quantidades consideráveis com vista a ter capacidade de abastecer o actual parceiro, que é a rede de surpermercados “Candando”, bem como o Lubango, Namibe e outras localidades do país que observem também uma parte.
“Conseguimos atingir a qualidade excelente do fruto razão para ser muito concorrida no mercado nacional e não só”, disse o agricultor para descrever que uma das mais valias é o enquadramento de nova mão de obra especializada e local, principalmente na época das colheitas.
Informou que estão neste momento a colher nos quatro hectares de terra destinados a lavoura de morangos, três mil quilos por safra contra os mil anteriormente.
Esta performance favorece o escoamento da fruta, além do Lubango, para os mercados do Namibe, Benguela,
Huambo e Luanda.
Fez saber que toda área de cultivo da fruta em referência é, geralmente, coberta por sistemas de estufa e implantado no solo plásticos especiais que permitem proteger as plantas da evasão de pragas e humanidade.
“Agora deixamos de nos queixar do solo ou
humidade a mais”, precisou.
O agricultor defendeu que as feiras agrícolas e pecuárias constituem uma oportunidade para troca de experiências e promoção das culturas de modo a convencer mais jovens a abraçar a actividade do campo e escolher a produção de morangos por ser rentável e de fraca abundância no mercado.
Foram para o efeito investidos acima de 400 milhões de kwanzas, há dois anos, na aquisição de equipamento mecanizado, novas sementes, sistemas de rega gota-a-gota, controlo de calor, humidade e pragas, estufas, transportes, entre outros meios
indispensáveis à lavoura.
O processo de cultivo e colheita de morangos dá emprego temporário a mais de 200 pessoas que beneficiaram de formação diversa.
A fazenda “Jamba” possui 300 hectares de extensão, distribuídas em área para o pasto de gado bovino e suíno bem como para agricultura.
A redução da importação da fruta constitui a meta da fazenda Jamba. Por isso, o uso do sistema de estufa já figura como um incentivo para manter os níveis de produção e continuar com a actual dinâmica na área da lavoura.
Para diversificar o cultivo de fruta, foram plantados mais de 200 videiras e 300 macieiras.
“Apostamos também na renovação das plantações de maçã, pera, mirangolo com vista a aumentarmos as colheitas e colocarmos no mercado mais fruta com qualidade e bom sabor”, referiu, para acrescentar que continuam a produzir normalmente laranja, tangerina, ameixa, goiaba,
pêssego e manga.

Transformar o mato
Num dos matagais da Matala, foi implantada a fazenda “Tandanda”, com o propósito de cultivar quantidades consideráveis de milho e ginguba, assim como o processamento de fuba.
Os mentores já adquiriram dois pivôs de rega para evitar que as culturas tenham dependência exclusiva das chuvas.
O sócio-gerente, Henrique Carriço que enalteceu a iniciativa da feira dos produtores, informou que a participação no certame serviu para mostrar a existência da fazenda, passos já dados para a produção a escala industrial, propósitos e mão de obra permanente e eventual a absorver.
“Estamos encorajados e determinantes com os apoios que têm sido dados sobre assuntos que se prendem com a lavoura, sementes, fertilizantes, escoamento e
incentivos do Estado”, disse.
A maior preocupação do fazendeiro Henrique Carriço prende-se com o escoamento, acessos e a criação de condições para se potenciar cada vez mais às cooperativas e associações de camponeses da
província e não só.
“A agro-pecuária é um sector capaz de absorver um número incomensurável de mão-de-obra qualificada ou não. Daí a necessidade de mais
atenção”, advertiu.